segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

As Reinações de Ricardo Gondim

As Reinações de Ricardo Gondim


Digão


Estudando Direito, aprendemos coisas que, à luz do senso comum, teriam significados completamente diferentes. Por exemplo, em minha aula de Direito Constitucional II, ontem à noite, vi que não apenas magistrados (juízes, promotores do MP, desembargadores, procuradores) possuem vitaliciedade, mas também os agentes políticos dotados de mandato (deputados, presidente, senadores, governadores, etc). Isso porque “vitalício”, no Direito Constitucional, não significa que o cargo será mantido até o fim dos dias, mas sim que ele só pode ser revogado mediante sentença judicial transitada em julgado, quando não há mais recursos. “Vitalício”, então, pode significar coisas diferentes no senso comum e no Direito. Confundir os dois significados é, portanto, desatenção ou má-fé, dependendo de quem confunde.


Acreditar-se eleito é maldição – em qualquer circunstância. Os eleitos de Deus se condenam à soberba – e empáfia antecipa a queda. Os ungidos sociais não têm como evitar olhar os excluídos com pena, de cima para baixo. Os afilhados do sistema econômico acabam se alienando da simplicidade – onde a vida realmente acontece. Não há nada mais irritante do que conviver com a vaidade de quem se acha dono de uma inteligência acima da média.

Gondim exala má-fé ao confundir eleição soteriológica com injustiça social, que produz os “ungidos sociais”, talvez a platéia que ele tenha em mente. Em mais uma agressão às doutrinas da graça, Gondim relativiza o que está escrito na Palavra sobre o tema. Sermos raça eleita, sacerdócio real, em nada nos autoriza a termos uma postura arrogante – exatamente a mesma demonstrada pelo “iluminado” (no sentido gnóstico) Gondim.

Se o cristão é eleito, isso deve-se única e exclusivamente à sua própria incapacidade e incompetência em alcançar a salvação – enfim, a salvação é obra exclusiva de Deus, que decidiu, de antemão, nos salvar, mesmo não sendo nós merecedores disso. Mas Gondim parece esquecer-se disso. Afinal, é bem melhor cultuar um deus pequeno, que se senta à beira do caminho e chora a cada tragédia ocorrida no mundo, uma vez que é impotente para governá-lo, pois tal ser é facilmente manipulável a nosso bel-prazer. É bem melhor cultuar um pequeno demiurgo que é tão pequeno e ínfimo como o homem – assim, o homem pode alcançar a antiga ambição satânica de ser igual a Deus. Diminuir Deus engrandece o homem. A doutrina da eleição ressalta, assim, a glória de Deus. Negá-la significa a entronização humana.

É triste esta situação. Mas, como Dostoievski já foi citado, vou citar outro pensador da história, desta vez Dante Alighieri. Na Divina Comédia, relata-se que, no portal de entrada do inferno, está escrito: abandonai toda a esperança, ó vós que entrais. Parece que este deve ser também o lema do teísmo aberto abraçado por Ricardo Gondim.

Digão é eleito pela Graça e Misericórdia de Deus, aqui no Genizah


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2012/02/as-reinacoes-de-ricardo-gondim.html#ixzz1mwkDqRNE
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike



Divulgação: http://luis-cavalcante.blogspot.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

VOCÊ GANHOU!