terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cuidado com alguns grupos ditos "evangélicos" (igrejas neo-pentecostais ou neo-carismáticas pós-modernistas) têm abraçado algumas doutrinas satanistas. Infiltração de falsos mestres na igreja de Deus!

ANÁLISE DA INTRODUÇÃO DE PRINCÍPIOS DO SATANISMO LAVEYANO NA IGREJA CRISTÃ CONTEMPORÂNEA E SUA CORRELAÇÃO COM AS DOUTRINAS DE NIETZSCHE E SARTRE

Por Vanderlei Maurer de Andrade
No prólogo da versão original da bíblia satânica há um trecho que chama muita atenção acerca de nossa época:

Fez-se o crepúsculo. O resplendor de uma nova luz nasceu da noite e Lúcifer ascendeu uma vez mais para proclamar: Esta é a era de Satanás! Satanás governa a Terra! Os deuses da injustiça estão mortos. Este é o amanhecer da magia e da sabedoria pura. A carne prevalecerá e uma grande igreja será construída consagrada em seu nome. A salvação do homem não será mais dependente de sua autonegação. E será conhecido que o mundo da carne e da vida será a grande preparação para todos e quaisquer deleites eternos[1]

Esse livro foi escrito em 1966, ano que ficou conhecido como ano de Satã, por Anton Szandor LaVey e “democratizou” o satanismo no mundo. E lamentavelmente muito do contido neste livro tem norteado os rumos das igrejas “cristãs” contemporâneas. Na verdade, a filosofia de LaVey é uma consequência da filosofia de Friedrich Nietzsche e Jean Paul Sartre, mas principalmente Nietzsche com sua “ética” do Super-homem. Espero com as citações que farei denunciar com clareza a ação maléfica desse sistema filosófico nas igrejas buscando mutilar o Corpo de Cristo.
Primeiramente, agente satânico[2] é uma pessoa adepta de Satanás que é enviada a uma igreja, a um grupo cristão etc., com a finalidade de simular sua conversão e subverter a mesma. O alvo mais fácil, em geral, são os jovens. O ataque nunca é direto. São lobos em pele de cordeiro. As palavras deles são cativantes e parecem muito cristãs. Os cargos de liderança são seus principais objetivos (inclusive como pastores), de lá eles poderão atingir mais pessoas com facilidade. Existem alguns grandes pregadores que arrastam multidões que são agentes satânicos[3]. Fiquem atentos às pregações, eles jamais pregarão uma mensagem satânica abertamente, as distorções “imperceptíveis” funcionam muito melhor, muito melhor mesmo. Um trecho da “bíblia” satânica chama muito atenção:

Abra os olhos para que possas ver, ó homem de mente nublada, e escutai-me vós os milhões confundidos![4]

A ênfase na matéria é uma característica marcante desses falsos mestres: o aqui e o agora é o que importa. Fruir os prazeres terrenos em sua totalidade é tudo, quem o pode é o “abençoado” por deus. São muitos indulgentes seus sermões, pois essa é primeira das nove declarações satânicas, para eles:
Satanás representa indulgência, em vez de abstinência[5].

Para os tais a santidade exigida por Deus é apresentado como “algo que se faz para ser salvo”, logo desnecessária. Mas, na Bíblia Cristã, santidade, é algo que você tem porque foi salvo. Cuidado!

Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo. (Cl 2.8).

Cuidado com evangelho falso da porta larga

Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela). (Mt 7:13).

Cuidado com as igrejas-entretenimento, isso é feito para que as pessoas não pensem seriamente acerca de suas vidas espirituais e fiquem extasiadas com as diversões apresentadas sentindo-se bem com seus próprios pecados. A grande estratégia de Satanás é trabalhar dentro das igrejas, colocar divisões internas e externas nas mesmas para escandalizar o Evangelho de Cristo, minar a fé dos mais fracos e tentar impedir que os escolhidos cheguem a Cristo. É claro, que os eleitos serão alcançados pela Salvação, pois ela depende, exclusivamente, do chamado eficaz e irresistível do Espírito Santo, porque é

Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade (Fp 2:13).

É plano dos Inimigos de Cristo relaxar a moral e os bons costumes cristãos, fazer vista-grossa ao pecado da sensualidade, da luxuria, da lascívia, da mentira etc., e depois expô-los ao mundo, levando, assim, a igreja de Cristo ao ridículo. A relativização da moral e da ética tem sido trabalho desses Inimigos. Isso, todavia, não é fato recente, restrito somente ao século XXI. O que está acontecendo hoje está na verdade sendo cozinhado há quase de trezentos anos no “caldeirão da filosofia”, o que antes estava restrito ao mundo acadêmico está agora sendo absorvido na vida cotidiana, inclusive, nas igrejas e na vida cristã. Se nós quisermos entender a mudança de foco da igreja, agora, na pós-modernidade, temos que voltar trezentos anos na história de filosofia. É necessário entender as influências da filosofia na teologia. Essas mudanças têm sido influenciadas por Satanás, o grande Inimigo da igreja de Cristo, e friso, aliada a natureza totalmente depravada do homem não-regerenado. Vejamos os trechos a seguir:

Os tempos mudaram. Já não pregam que todas nossas ações naturais são pecaminosas. Já não pensamos que sexo é obsceno ou que ter orgulho de nós mesmos seja vergonhoso, ou que esperar alguma coisa de alguém em troca seja um vício. É claro que não, os tempos mudaram! Se você quer provas disso basta ver o quão liberal as igrejas têm se tornado, porquê elas praticam todas as coisas que você (satanista) prega.
Os satanistas ouvem estas e outras declarações similares o tempo todo e concordam sem reservas. Mas, se o mundo mudou tanto, por que continuar a se agarrar aos tópicos de uma fé agonizante? Se muitas religiões estão negando suas próprias escrituras porque estão desatualizadas e estão pregando as filosofias do satanismo, por que não chama-las pelo seu legitimo nome: satanismo? Certamente isso seria bem menos hipócrita.
Nos últimos anos tem havido uma tentativa de se humanizar o conceito espiritual do cristianismo, isto tem se manifestado nos mais óbvios meios não espirituais.
Os religiosos lamentam: devemos acompanhar os tempos! Esquecem-se que devido aos fatores limitantes e as, profundamente, arraigadas leis das “religiões da luz branca”, jamais poderá haver mudanças suficientes para satisfazer às necessidades humanas.
Religiões passadas têm sempre a descrito a natureza espiritual do homem com pouca ou nenhuma preocupação com suas carnais ou mundanas necessidades. Elas têm considerado que esta vida é apenas transitória e que a carne é meramente uma aparência, o prazer físico de somenos e a dor uma preparação digna para o reino de Deus. Bem, a absoluta hipocrisia vem à tona quando os “justos” fazem mudanças em sua religião para acompanhar o ritmo da mudança natural do homem. Há somente um caminho para que o cristianismo possa servir completamente as necessidades do homem: é convertendo-se ao satanismo, agora.
Tem se tornado necessário uma nova religião, uma religião baseada nos instintos naturais do homem. Nomearam-na de satanismo.[6]

Essa é uma descrição muito razoável do que hoje se chama “igreja evangélica”. Temos igrejas com sistemas de doutrinas inteiros baseados nos “instintos naturais do homem”, com as mudanças necessárias, porém nunca suficientes, para satisfazer às necessidades humanas, qual seja, a indulgência para com o pecado, por exemplo. Tem sido incutido na mente dos fiéis princípios do satanismo, principalmente o antinomismo, mascarados de cristianismo, tudo, é claro, sob a égide de epítetos como o “o fim da Lei é Cristo” e “onde o Espírito Santo está, há liberdade”. Na prática desses epítetos não conseguimos reconhecer um quê de doutrina, verdadeiramente, cristã. Vemos na verdade uma igreja evangélica que se decapitou e tomou o antinomismo, e até o autonomismo, de Sartre e Nietzsche, por excelência a base do satanismo, como símbolo de liberdade cristã.

Breve Análise de Sartre e Nietzsche

Os evangélicos de hoje não levam o cristianismo e suas doutrinas a sério, porque afinal de contas “Cristo nos libertou do jugo da Lei”. Vejamos o que isso realmente significa. Sartre ensina que o resultado fundamental de uma análise existencial leva-nos a “repudiar o espírito de seriedade”, porque esse espírito de seriedade dá a entender duas coisas: (1) considera os valores como sendo dados transcendentalmente, independentes da subjetividade humana, e (2) “transfere a qualidade de ‘desejável’ da estrutura ontológica das coisas para sua constituição material simples. (...) Os objetos são exigências mudas, e o homem nada é em si mesmo, senão obediência passiva a essas exigências”. Para Sartre, à medida que os homens acreditam em valores transcendentes e em exigências objetivas, pensam que podem realizar seu projeto absurdo de achar uma justificativa relevante para suas vidas. No ensinamento sartreano não há valores objetivos reais, ele diz: “Não há valores fora da liberdade do indivíduo que ele deva levar a sério”. Sartre aceita do desafio de Dostoievski de que se não há Deus, então tudo é permitido.

O Deus objetivo da Bíblia não cabe no ensinamento de Sartre. Para ele os homens têm uma sede insaciável, porém fútil, por Deus, ele escreve: “A melhor maneira de conceber do projeto fundamental da humanidade é dizer que o homem é o ser cujo projeto é tornar-se Deus” e mais: “ser homem significa estender a mão em direção a tornar-se Deus”. Para Sartre o homem é o desejo de ser Deus e como consequência seu próprio salvador. Isso é exatamente o ensinamento do satanismo moderno:
Diga em seu coração: “Eu sou meu próprio redentor”[7]

Nietzsche, todavia, é o mais anticristão. Para ele, Deus morreu e todos os valore teístas estão mortos, nós O matamos, ele diz em “Sabedoria Alegre”. Para Nietzsche os deveres morais são apenas linguagem simbólica das paixões. Nietzsche reserva as palavras mais blasfemas contra a ética cristã e o cristianismo: “A moralidade cristã é a forma mais maligna de toda falsidade. (...) É realmente venenosa, decadente, debilitante. Produz simplórios, e não homens”. Ele ainda diz mais: “Condeno o cristianismo e o confronto como a mais terrível acusação que um acusador já teve em sua boca. Na minha opinião é a maior corrupção da qual se pode conceber. (...) Chamo-o de a única mancha imortal da raça humana”. Nietzsche acusa a ética cristã de ser uma moralidade da fraqueza, essa também é a posição de LaVey:

“Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam”. Não é a desprezível filosofia da pessoa servil que vira as costas quando chutada?[8]

Nietzsche diz que no centro da moralidade cristã da mediocridade há o conceito cristão do amor. Ele chama a ética do amor pregada por Jesus Cristo e personificada em Sua vida de “ética da fraqueza inspirada pelo amor”. Em “Além do Bem e do Mal”, diz ele: “Jesus disse para seus judeus: ‘Amem a Deus, conforme eu o amo, amem-no como um filho ama’. Por que é que nós, os filhos de Deus, nos importamos com a moralidade? Deus está morto, Jesus está morto, e a moralidade cristã está morta. Talvez um dia os conceitos morais acerca dos quais mais lutávamos e sofríamos, os conceitos de 'Deus' e do 'pecado' não nos parecerão mais importantes do que o brinquedo da criança”. Para Nietzsche o que é necessário é a moralidade dos fortes, não dos fracos. Ele acha que a moralidade tradicional produziu “virtudes moles”. Ele prega uma moralidade do “super-homem”, que dá, não por generosidade, mas por superabundância de poder. Nietzsche não está interessado na descoberta de valores, portanto fica excluída uma revelação objetiva, mas sim na criação de valores e os criadores desses valores seriam os super-homens imaginados por ele.

Para Nietzsche Deus está morto e todos os valores absolutos morreram com Ele, seu livro chamado “O Anticristo” é todo dedicado à destruição da verdade absoluta. Se Deus está morto e todos os valores absolutos morreram com Ele, então há normas objetivas, logo, cada individuo cria suas próprias normas, temos assim, como consequência do ensinamento de Nietzsche, o autonomismo, doutrina que afirma ser o homem sua própria lei. Veja como a posição de LaVey é idêntica a Nietzsche:

Assim como os ambientes mudam, nenhum ideal humano permanece seguro![9]

Nenhum credo deve ser aceito sobre a autoridade de uma "divina" natureza. Religiões devem ser colocadas em debate. Nenhum dogma moral pode ser tomado como absoluto. nenhum critério de divina medição. Não há nada de inerentemente sagrado sobre as regras morais. Como os ídolos antinaturais há muito tempo, eles são o trabalho das mãos humanas, e aquilo que o homem pode criar, o homem pode destruir![10]

Vemos, assim, que o satanismo e as doutrinas de Sartre e Nietzsche são essencialmente as mesmas coisas. O satanismo de LaVey não traz nada de novo, embora, pareça ser essa sua pretensão; ele é, na verdade, um plágio. Para qualquer Cristão Reformado e maduro na Fé Cristã fica evidente a fraqueza dos ensinamentos de LaVey, Nietzsche e Sartre. Contudo, tais ensinamentos são muitos sedutores aos não-regenerados, o joio entre o trigo, e aos neófitos. Portanto, devemos batalhar pela sã doutrina ensinada pelos apóstolos e ensiná-la com fervor. Fica o convite para vocês defenderem a Verdade com ardor contra as doutrinas dos falsos mestres que estão infiltrados na igreja de Deus

mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se. (Mt 13:25).

Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos (2 Tm 4:3).

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. (2 Pe 2:1)

É de produzir intenso desespero ver esses ensinamentos adentrarem na igreja de Cristo como símbolos da liberdade cristã e serem praticados por muitos “cristãos” (2 Tm 4:3). Que possamos combater bom combate:

Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate, mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes. (1 Tm 1:18-19, 6:12, 4:16).



[1] Tradução do original da The Satanic Bible (Underground Edition), por Vanderlei Maurer de Andrade, p. 26
[2] Refiro-me a qualquer pessoa que defenda e ensine doutrinas antibíblicas. Agente satânico não é necessariamente uma pessoa filiada, formalmente, a igreja de Satã na Califórnia; hoje em dia isso é muito “democratizado”.
[3] Pelos frutos vocês poderão reconhecê-los( Mt 7:16). Não há necessidade de paranoia e generalizações apressadas.
[4] Ibidem, p. 29 .Compare com o que Jesus diz em Mt 24:4,5 e 24; Mc 13:5,6 e 22; Lc 21:8; e também 2 Ts 2:9 e Ap 13:13 e 14.
[5] Ibidem, p.27
[6] Ibidem, p. 38
[7] Ibidem, p. 32
[8] Ibidem, p. 31
[9] Ibidem, p. 30

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