segunda-feira, 3 de maio de 2010

TEOLOGIA DRAG QUEEN


Ao contrário da forma pela qual costumam falar, os defensores da teologia relacional de Deus não estão necessariamente explorando um novo e excitante território. Como disse Salomão, "o que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa que se possa dizer: isso é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós" (Ec 1.9, 10).

O Pregador sabia disso muito bem, tendo experimentado pessoalmente as vãs folias, e suas obras falam sobre o assunto em questão. A doutrina relacionai de Deus é meramente uma reedição de uma das mais detestáveis partes da teologia do século 16, com Socínio. Ou, mais recentemente, a teologia relacionai de Deus é uma versão rebatizada daquilo que tem sido formado na Universidade de Chicago há pelo menos cinqüenta anos sob a liderança da teologia do processo. Provemos a validade do provérbio de Salomão: "não há nada novo debaixo do sol". O ensino relacional de Deus é uma antiga heresia.


Socinianismo

Nos primeiros anos da Reforma, Calvino tinha grande esperança de avançar a doutrina protestante na Polônia. O rei polonês, Sigusmund Augustus, tinha alegremente recebido encorajamento regular e conselhos de Genebra. De fato, Calvino dedicou seu comentário sobre o livro de Hebreus ao rei, que também tinha as Institutas lidas e expostas em sua presença duas vezes por semana por um pastor italiano. Nesse tempo, muitos viam os poloneses como tendo a possibilidade de se desenvolverem em uma nação totalmente protestante, onde a teologia reformada poderia verdadeiramente lançar raízes e florescer. Infelizmente, ainda durante a vida de Calvino, provou-se que esse não era o caso. O povo polonês tornou-se totalmente receptivo à teologia anti-trinitariana, e logo formou uma forte comunidade unitariana-anabatista, que, mais tarde, tomou o nome de seu mais influente mestre, Fausto Socínio.


Fausto nasceu em Siena, Itália, em 1539. Seu tio, Laelius Socínio, foi um teólogo influente, conhecido por experimentar os ensinos anti-trinitarianos e outras extravagâncias heréticas. Laelius se empenhou na discussão teológica com Calvino, Melanchton e Bullinger. Calvino o advertiu sobre os perigos de seus ensinos, mas isso foi em vão. Laelius morreu, sem arrependimento, em 1562, e Fausto continuou a obra de onde seu tio havia parado. Trabalhando com uma hermenêutica altamente racionalista, Fausto Socínio experimentou várias heresias cristológicas enquanto vivia em Lyons, Florença e Basiléia, eventualmente se estabelecendo na Polônia com a já formada Igreja Unitariana. Embora tenha se recusado a ser batizado pela Igreja na Polônia, logo ele se tornou seu mais famoso porta-voz.


Juntamente com seus ensinos anti-trinitarianos, Socínio afirmava a posição pelagiana da expiação (a crucificação serviu como um exemplo para nós, mas o perdão é encontrado somente por meio de nosso próprio arrependimento e boas obras), negando tanto a predestinação quanto a presciência. No fim do século 17, Francis Turretin fez um contraponto com os ensinos de Socínio em suas Institutes of Elenctic Theology. De fato, as Institutas de Turretin parecem um jogo cósmico no qual a bola está presa a um poste, por uma corda, recebendo pancadas de todos os lados, com Socínio sendo espancado em todas as páginas. Embora Socínio defendesse várias outras heresias, é sua posição sobre a presciência de Deus que é mais relevante aqui. Turretin descreve muito bem a posição de Socínio.


“Outra questão de grande importância se refere ao futuro contingente das coisas, o conhecimento do qual os socinianos se esforçam para que Deus estabeleça mais facilmente a diferença entre livre vontade (sua liberdade de toda necessidade, até mesmo daquilo que é geralmente empregado pela presciência de Deus)... eles abertamente afastam dele o conhecimento de contingências futuras como não sendo o tipo de coisas que se possa saber, dizendo que ele absolutamente não as conhece ou que só as conhece como probabilidade indeterminada. Socínio diz: "Já que não há razão, nenhuma passagem da Escritura da qual possa ser claramente inferido que Deus conhece todas as coisas antes que elas aconteçam, nós devemos concluir que não devemos afirmar que Deus tenha essa presciência, especialmente quando muitas razões e o claro testemunho não pedem isso, e até se opõem totalmente a isso".


Teologia do processo


O ensino de Socínio dominou a Polônia durante o século 18 e serviu como precursor do criticismo racionalista do século 19. Uma seita específica que se desenvolveu a partir do criticismo do século 19 foi a teologia do processo, a "filha intelectual" de Alfred Whitehead (1861-1947). Whitehead, filho de um vigário da Igreja da Inglaterra, foi um matemático e filósofo do início do século 20. Whitehead começou a se intrometer em teologia por causa de suas próprias teorias sobre a natureza do tempo e sobre como os eventos acontecem no tempo. Para Whitehead, o processo era fundamental. O tempo, em vez de fluir como uma corrente estável, "vem à existência em pequenas porções". Em cada momento, todas as entidades reais são intuitivamente sentidas (na terminologia de Whitehead, "preendido"). Quando o momento formador culmina, desfrutando de sua imediaticidade subjetiva, então ele preende todas as outras entidades reais. Essa metafísica, embora não muito excitante ao redor da mesa, foi aplicada vigoramente à área da teologia por um dos alunos de Whitehead, Charles Hartshorne.


Embora Whitehead tenha aplicado sua especulação à teologia, ele sempre foi um matemático de coração, e sua aplicação teológica nunca pareceu ser o material de que os sermões são feitos. Hartshorne, por outro lado, pegou a metafísica de Whitehead e a descrição da Divindade que Socínio tinha feito e, com as duas, fez uma religião à qual qualquer racionalista poderia pertencer. Hartshorne, embora nunca tenha sequer passado perto de fingir que a Escritura fosse autoritativa (ou pelo menos relevante para esse assunto), enfeitou a teologia do processo com uma vestimenta cristã de festa. O que era filosofia com Whitehead tornou-se teologia com Hartshorne.


Hartshorne claramente viu a teologia do processo como um reavivamento sociniano.


Nós temos alguma outra razão para rejeitar que a velha proposição sociniana de que até mesmo a mais elevada forma concebível de conhecimento é do passado-e-definido como o passado-e-definido e do futuro e parcialmente indefinido como futuro e parcialmente indefinido?... Deus é onisciente? Sim, no sentido sociniano. Nunca uma grande descoberta intelectual pas¬sou pelo mundo de forma tão discreta do que a descoberta sociniana do sentido próprio de onisciência. Até hoje as obras de referência falham em nos falar sobre isso... Como dizem os socinianos, de uma vez por todas, os eventos futuros, eventos que ainda não aconteceram, não podem ser conhecidos, e a alegação de conhecê-los só pode ser falsa.


A inexistência do futuro é importante para os teólogos do processo pela mesma razão que a impossibilidade de presciência foi importante para Socínio. Um futuro concreto significa que, de algum modo, todas as ações são restritas. Já que a teologia do processo requer o mesmo tipo de vontade autônoma como o socianismo, a teologia do processo também vê a mesma solução negar algum conhecimento do futuro.


Sua exegese, embora alegue pertencer, sempre tão obscuramente, ao Cristianismo, nunca se submete à Escritura. Em vez disso, Hartshorne e os adeptos atuais da Teologia do Processo somente se preocupam com o criticismo que recebem da Filosofia, repudiando qualquer apelo à Escritura como divagação de fundamentalistas ignorantes.


Os Sociníanos sacrificaram a presciência de Deus por causa de uma existência capaz de ter um livre arbítrio absoluto. Os teólogos da Teologia do Processo e da Teologia Relacional fazem o mesmo.


Autor: B. Merkle
Fontes: [ Josemar Bessa ] e BEREIANOS

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