terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A NOVA ERA NO BRASIL - Prof. Dr. Paulo Romeiro

Nova Era é um termo usado para retratar a crescente penetração do misticismo oriental e ocultista na cultura ocidental. As palavras Nova Era referem-se à Era de Aquário, na qual os ocultistas acreditam estar entrando, trazendo consigo um período de iluminação e paz.

INTRODUÇÃO

O movimento desafia a fé cristã ao promover uma grande variedade de crenças e práticas do ocultismo, incluindo a reencarnação, a astrologia e toda a sorte de adivinhação.

Um outro estudioso deste assunto acrescenta: “O movimento Nova Era é uma rede extremamente ampla, frouxamente estruturada, de organizações e indivíduos ligados por valores comuns (baseados no misticismo e no modismo – a cosmovisão de que ‘tudo é um’ ) e uma visão comum (uma ‘nova era’ vindoura, de paz e iluminação em massa, a Era de Aquário)”. [1]

Por se tratar de um país obcecado com o sobrenatural, os ensinos da Nova Era têm encontrado um terreno fértil em vários segmentos da sociedade brasileira.

Há muita gente em nosso país que está disposta a crer em qualquer coisa, desde que aparentemente funcione, sem qualquer questionamento. Num excelente artigo intitulado Chega de Charlatanismo, publicado pela revista Veja, a psicóloga Vanessa Gesser de Miranda, de Florianópolis, esclarece:

A sociedade brasileira está mergulhada na maior onda de irracionalidade de que se tem notícia. Há uma curiosa necessidade de acreditar em tudo aquilo que se apresenta como uma solução mágica para os problemas.

Uma atração irresistível para a alternativa mais imediata, mais fácil, a qual se aceita independentemente de um/a análise de seus resultados reais. Assim é com a política, com a economia, com a medicina e a psicologia. Acredita-se em anjos, gnomos, gurus, pedras, flores, magos, bruxas, horóscopo, tarô, runas e pirâmides. [2]

Virou moda também, em muitas empresas hoje no Brasil, selecionar candidatos através da astrologia, numerologia e grafologia, substituindo assim os tradicionais exames psicotécnicos e entrevistas.

Apesar de toda esta febre esotérica no mundo empresarial, estes métodos místicos não possuem fundamento científico. Veja o que diz o jornal a Folha de São Paulo (Caderno de Empregos, 7/7/92, p.2):

Apesar de toda “embalagem científica” que muitos métodos alternativos se revestem para ganhar credibilidade, nenhum deles é aceito pela comunidade científica. “A astrologia não se baseia nos procedimentos usuais das ciências físicas”, afirma Ildeu de Castro Moreira, professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Para o professor de lógica da USP, Luiz Barco, 53, a numerologia não é comprovada. “Não se pode afirmar que conhecer a personalidade através da data de nascimento seja científico”.

A mídia brasileira tem propagado em grande escala as idéias da Nova Era. Quase toda semana, as revistas semanais trazem alguma reportagem relacionada com o assunto. A TV explora este tema constatemente através das novelas, bem como os programas de debates sobre reencarnação e misticismo.

O Guia do Estudante, da Editora Abril (91/92), relaciona a astrologia, tarologia e outras profissões da Nova Era entre as carreiras promissoras para o futuro.

Nem as crianças são poupadas. Revistas infantis e programas de desenhos animados na TV estão infestados dos conceitos da Nova Era. Diversas revistas de circulação nacional também dão ênfase ao tema.

Um dos nomes mais conhecidos no Brasil é o Lauro Trevisan, padre católico de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Tem produzido muitos livros que promovem os ensinos do Movimento da Nova Era, tais como: Os Poderes de Jesus Cristo, Aquárius, A Nova Era Chegou, A Vida é Uma Festa e Jesus, Precursor e Anunciador da Nova Era.

As interpretações bíblicas de Lauro Trevisan, tentando encaixar o Senhor Jesus dentro do programa da Nova Era, não refletem uma boa exegese. Uma de suas afirmações que não podemos concordar é que Jesus tornou-se o Cristo aos 30 anos, no batismo de João. Trevisan declara:

Lucas narra que, ao receber o batismo de João, desceu o Espírito Santo sobre Jesus, em forma corpórea de uma pomba, e do céu veio uma voz: “Tu és meu Filho bem-amado; eu, hoje, te gerei” (Lc 3, 21-22). Neste momento, era gerado o Cristo, o Filho de Deus. A partir deste instante, já não era mais apenas o Jesus. Era o Cristo, o Iluminado, o Messias, o Salvador. [3]

Ao Contrário do que diz Trevisan, a Bíblia afirma que Jesus já era o Cristo ao nascer, um Deus pessoal e eterno. A Palavra de Deus afirma: “É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é (e não será) Cristo, o Senhor” (Lucas 2.11). Veja ainda a promessa que Deus fez a Simeão: “Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor” (Lucas 2:26).

Um outro nome de destaque no Brasil é Luiz Antônio Gaspareto, médium espírita que incorpora pintores famosos, tais como: Renoir, Portinari, Aleijadinho, Rafael, Rembrandt, Van Gogh, Picasso e outros. Foi apresentador do programa Terceira Visão, na TV Bandeirantes, alguns anos atrás. Gaspareto não é o único a pintar através da mediunidade. A mídia impressa publica constatemente matérias, apresentando médiuns que afirmam incorporar pintores já falecidos.

Embora o assunto seja muito propagado e acreditado por muitos, vale a pena ouvir a opinião de Rodrigo Naves, crítico de Arte e professor do Instituto de Artes da Unicamp, registrada no artigo aqui mencionado.

O Crítico diz que os quadros sugerem semelhanças muito superficiais com o estilo dos nomes que os assinam e que as diferenças são muito maiores que as ligeiras semelhanças. Naves acrescenta ainda que os quadros pintados por médiuns são obras “tão somente de má qualidade”. (7/03/1993, pp. 4-6)

Vale citar também Mirna Grizich, reconhecida como a “guru dos cristais” desde de 1980. Estudou no famoso centro de terapias alternativas, o Esalen Institute, na Califórnia, EUA. É produtora e apresentadora da Rádio Eldorado (São Paulo), Rádio Guarani (Belo Horizonte), Rádio Jornal do Brasil e Rádio Globo, do Rio de Janeiro, com programas de músicas relacionadas com a Nova Era.

Carmem Lúcia Balhestero promove a Nova Era através de vídeos e fitas cassetes. É a fundadora da Fraternidade Pax Universal e tem como guia Saint Germanin, uma misteriosa figura de um alquimista francês que apareceu em diversas épocas.

A INFLUÊNCIA EXTERNA

Alguns nomes estrangeiros têm exercido muita influência em promover os conceitos da Nova Era no Brasil. Shirley MacLaine, uma atriz de Hollywood, já visitou o Brasil, e tem vários livros traduzidos para o português: Dançando na Luz, Minhas Vidas, Não Caia da Montanha, A vida é um Palco, Você Também Pode Chegar Lá e Em Busca do Eu. Shirley MacLaine talvez seja uma das pessoas que mais tem contribuído para a divulgação da Nova Era nos dias atuais.

Fritjof Capra, com doutorado em física pela Universidade de Viena, na Áustria, é outro estrangeiro que tem vindo ao Brasil dirigir palestras, tentando passar a idéia de que existe um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental.

Em seu livro, O Tao da Física, ela narra uma experiência que teve sentado na praia numa tarde de verão. Como físico, ele sabia que a areia, as rochas, a água e o ar eram feitos de moléculas e átomos. Capra relata:

Assim, “vi” cascatas de energia cósmica, provenientes do espaço exterior, cascatas nas quais, em pulsações rítmicas, partículas eram criadas e destruídas. “Vi” os átomos dos elementos – bem como aqueles pertencentes a meu próprio corpo – participarem desta dança cósmica de energia. Senti o seu ritmo e “ouvi” o seu som. Nesse momento compreendi que se tratava da Dança de Shiva, o Deus dos dançarinos, adorado pelos hindus. [4]

O próprio Capra declara que se tornara interessado no misticismo oriental, o que certamente o levou a ver nos átomos dos elementos a Dança de Shiva, numa experiência meramente subjetiva. Se Capra fosse interessado nos cultos afro-brasileiros, e não no hinduísmo, sua conclusão teria sido diferente. Ao invés de ver nos átomos a Dança de Shiva, ele teria visto a Dança dos Orixás.

O MAGO DA NOVA ERA

É na pessoa de Paulo Coelho que o Movimento da Nova Era tem uma de suas maiores expressões no Brasil. Coelho nasceu no Rio de Janeiro em 1947. Houve um período em sua vida em que se envolveu com teatro, trabalhando como ator e diretor.

Aos 25 anos, passou a dedicar-se a música e ao jornalismo, editando em 1972 a revista 2001, que retratava o pensamento da década de 70. Foi nessa época que iniciou os estudos de magia e ocultismo, que o levaram a ingressar em diversas “ordens místicas”, participando de cursos em várias partes do mundo.

Em 1986, depois de percorrer a pé a rota medieval de Santiago de Compostela, escreveu o livro O Diário de Um Mago. No ano seguinte foi a vez de O Alquimista. Depois veio Brida, As Valkírias e Nas Margens do Rio Piedras Eu Sentei e Chorei. Todos estes têm estado na lista dos mais vendidos, e alguns já foram traduzidos pra diversas línguas.

Do ponto de vista bíblico, Paulo Coelho é um homem confuso espiritualmente e é lamentável que uma multidão de pessoas abrace ingenuamente suas idéias. Embora afirme ser católico romano, consegue ao mesmo tempo crer na reencarnação, crença condenada claramente pelo catolicismo. No livro As Valkírias, Paulo Coelho declara:

O Universo está povoado de anjos. São eles que nos trazem a esperança, como o que anunciou aos pastores que um messias havia nascido. [5]

Embora a Nova Era diga que muitos messias já desfilaram pelo mundo, a Palavra de Deus jamais se referiu a Jesus como um messias, mas como o Messias.

Veja a declaração do apóstolo Pedro em Mateus 16.16: “Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (Cristo é o equivalente no grego do Novo Testamento para o termo Messias no Antigo Testamento).

Em Atos 4.12, Pedro afirma ainda: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. O próprio Jesus declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. (João 14:6).

Jesus não disse que era um dos caminhos, mas o caminho. Ele não é um messias, como escreveu Paulo Coelho, mas o Messias. Veja ainda Lucas 2.11 e João 4.29.

Há alguns outros conceitos (biblicamente errados) no livro As Valkírias que precisam de uma avaliação. Observe as seguintes declarações:

Todo mundo pode contatar quatro tipos de entidades no mundo invisível: os elementais, os espíritos desencarnados, os santos, e os anjos. Os elementais são as vibrações das coisas da natureza – do fogo, da terra, da água e do ar – e nós os contatamos por meio do ritual.

São forças puras – como os terremotos, os raios ou os vulcões. Porque precisamos entendê-los como ‘seres’, aparecem sob a forma de duendes, de fadas, de salamandras”. [6]

A crença de que podemos entrar em contato com os elementais da natureza, tais como duendes, fadas e salamandras, não passam na verdade de apenas contos de fadas. Bem alertou o apóstolo Paulo, quando escreveu a Timóteo:

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Tm. 4.3,4).

O interessante é que muitos pais tentam explicar aos seus filhos que fadas e duendes não existem, que não passam de fábulas. Agora, não apenas as crianças devem ser lembradas disso, mas também muitos adultos com formação universitária (e até professores de universidades!).

O que Paulo disse na carta aos Romanos descreve bem essa gente: “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança de imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém”. (Rm. 1.22, 23, 25).

De acordo com As Valkírias, “os espíritos desencarnados são aqueles que estão vagando entre uma vida e outra, e nós os contatamos por meio da mediunidade” (p.71). A Bíblia condena claramente o contato com os espíritos dos que já morreram:

“Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos” (Dt. 18.10, 11). Veja também Is. 8.19,20.

Depois, aparecem os santos. Paulo Coelho diz que eles são contatados pela oração. Observe que ele diz: “Invocamos os santos pela oração constante (...) E quando eles estão perto, tudo se transforma. Os milagres acontecem” (p. 72).

Ao contrário do que afirma Coelho, a Bíblia em nenhum lugar ensina a fazer oração às pessoas que já morreram. Tanto Maria quanto Pedro, Judas Tadeu, João e outros, não poderiam ouvir as orações feitas em diferentes partes do mundo, pois não são oniscientes e nem onipresentes.

Estes são atributos exclusivos de Deus e, sendo assim, somente Ele tem o poder de ouvir tais orações. Orar aos santos é tentar comunicar-se com os mortos, algo condenado pela Bíblia e já discutido anteriormente neste trabalho.

A Palavra de Deus ensina a orar a Jesus, como Estevão em Atos 7.59, 60. A última oração na Bíblia também foi dirigida à Jesus: “Vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22.20). A Bíblia ensina ainda que o cristão deve orar ao Pai em nome de Jesus (João 15.16) e que “a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo” (1 João 1.3).

Veja o exemplo de oração que o apóstolo Paulo transmite aos crentes de Éfeso: “Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda a família, tanto no céu como sobre a terra” (Efésios 3.14, 15). O próprio Deus nos ordena a clamar a Ele: “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei cousas grandes e ocultas, que não sabes” (Jeremias 33.3).

Por último, as entidades do mundo invisível, de acordo com este livro de Paulo Coelho, podem ser contatadas por meio da canalização (p. 78). Canalização é o processo onde um médium, ao entrar em transe, entra em contato com algum espírito, a consciência cósmica superior ou alguma entidade, passando a receber e transmitir as mensagens deste espírito.

Não há dúvida, à luz da Palavra de Deus, de que tais entidades são demônios, como advertiu o apóstolo Paulo: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1 Timóteo 4.1). João advertiu: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito: antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora” (1 João 4.1).

De fato, uma onda mística tomou conta do Brasil em muitos níveis e segmentos da sociedade. As religiões orientais, idéias como a da reencarnação, ufologia (discos voadores), meditação transcendental, yoga, comunicação com os mortos, duendes, gnomos, fadas, astrologia e todo o tipo de adivinhação conseguem enganar uma multidão, em pleno final do século vinte, em meio a um fantástico desenvolvimento tecnológico.

Bem disse o Senhor através do profeta Jeremias: “Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (2.13).

O ser humano fez tremendo progresso no campo da ciência, mas espiritualmente continua um grande fracasso, em desesperada necessidade de um relacionamento de amor e paz com o Deus único e verdadeiro por meio de Jesus Cristo, o único que tem as palavras de vida eterna (João 6.68).
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[1] Elliot Miller, A Crash Course on the New Age Movement, Baker Book House, Grand Rapids, Michigan, EUA, 1989, p. 15.

[2] Revista Veja. 29 de julho, 1992, p. 110.

[3] Lauro Trevisan. Os Poderes de Jesus Cristo, Livraria Editora e Distribuidora da Mente Ltda., Santa Maria, RS, 1983, p. 59.

[4] Fritjof Capra. O Tao da Física, Editora Cultrix, São Paulo, SP, 1975, 1983, p. 13.

[5] Paulo Coelho. As Valkírias, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1992, p. 38.

[6] Ibid., p. 70.

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