quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A CABANA - A PERDA DA ARTE DE DISCERNIMENTO EVANGÉLICO por Albert Mohler Jr.



Dr. Albert Mohler é o presidente do Southern Baptist Theological Seminary, pertencente à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos; é pastor, professor, teólogo, autor e conferencista internacional, reconhecido pela revista Times como um dos principais líderes entre o povo evangélico norte-americano. É casado com Mary e tem dois filhos, Katie e Christopher.

O mundo editorial vê poucos livros atingirem o status de "sucesso". No entanto, o livro A Cabana, escrito por William Paul Yong, superou esse status. O livro, publicado originalmente pelo próprio autor e dois amigos, já vendeu mais de dez milhões de cópias e já foi traduzido para mais de trinta idiomas. É, agora, um dos livros mais vendidos de todos os tempos, e seus leitores estão entusiasmados.

De acordo com Young, o livro foi escrito originalmente para seus próprios filhos. Em essência, ele pode ser descrito como uma teodicéia em forma de narrativa – uma tentativa de responder à questão do mal e do caráter de Deus por meio de uma história. Nessa história, o personagem principal está entristecido por causa do rapto e do assassinato brutal de sua filha de sete anos, quando recebe aquilo que se torna uma intimação de Deus para encontrá-lo na mesma cabana em que a menina foi morta.

Na cabana, "Mack" se encontra com a Trindade divina, onde Deus, o Pai, é representado como "Papai", uma mulher afro-americana, e Jesus, por um carpinteiro judeu, e "Sarayu", uma mulher asiática, é identificada como o Espírito Santo. O livro é, principalmente, uma série de diálogos entre Mack, Papai, Jesus e Sarayu. As conversas revelam que Deus é bem diferente do Deus da Bíblia. "Papai" é absolutamente alguém que não faz julgamentos e parece determinado a afirmar que toda a humanidade já está redimida.

A teologia de A Cabana não é incidental à história. De fato, em muitos pontos a narrativa serve, principalmente, como uma estrutura para os diálogos. E estes revelam uma teologia que, no melhor, é não-convencional e, sem dúvida, herética em certos aspectos.

Embora o artifício literário de uma "trindade" não-convencional de pessoas divinas seja, em si mesmo, antibíblico e perigoso, as explicações teológicas são piores. "Papai" conta a Mack sobre o tempo em que as três pessoas da Trindade manifestaram-se da seguinte forma: "nós falamos com a humanidade através da existência humana como Filho de Deus". Em nenhuma passagem da Bíblia, o Pai ou o Espírito Santos é descrito como assumindo a forma humana. A cristologia do livro é confusa. "Papai" diz a Mack que, embora Jesus seja plenamente Deus, "ele nunca usou a sua natureza como Deus para fazer qualquer coisa". Eles apenas viveu do seu relacionamento comigo, da mesma maneira como eu desejo me relacionar com qualquer ser humano". Quando Jesus curou o cego, "Ele fez isso como um ser humano dependente que confiava em minha vida e poder para agir nele e por meio dele. Jesus, como ser humano, não tinha qualquer poder em si mesmo para curar alguém".

Embora haja muita confusão teológica a ser esclarecida no livro, basta dizer que a igreja cristã tem lutado por séculos para chegar a um entendimento fiel da Trindade, a fim de evitar esse tipo de confusão – reconhecendo que a fé cristã está, ela mesma, em perigo.

Jesus diz a Mack que ele é "o melhor caminho para qualquer ser humano se relacionar com Papai ou com Sarayu". Não é o único caminho, mas o melhor caminho.

Em outro capítulo, "Papai" corrige a teologia de Mack afirmando: "Eu não preciso punir as pessoas pelos seus pecados. O pecado é a sua própria punição, que devora você a partir do interior. Não tenho o propósito de punir o pecado; tenho alegria em curá-lo". Sem dúvida, a alegria de Deus está na expiação realizada pelo Filho. No entanto, a Bíblia revela consistentemente que Deus é o Juiz santo e reto, que punirá pecadores. A idéia de que o pecado é a "sua própria punição" se encaixa no conceito do karma, e não no evangelho cristão.

O relacionamento do Pai com o Filho, revelado em textos como João 17, é rejeitado em favor de uma absoluta igualdade de autoridade entre as pessoas da Trindade. "Papai" explica que "não temos qualquer conceito de autoridade final entre nós, somente unidade". Em um dos mais bizarros parágrafos do livro, Jesus diz a Mack: "Papai é tão submisso a mim como o sou a ele, ou Sarayu a mim, ou Papai a ela.
Submissão não diz respeito à autoridade e à obediência; é um relacionamento de amor e respeito. De fato, somos submissos a você da mesma maneira".

Essa hipotética submissão da Trindade a um ser humano – ou a todos os seres humanos – é uma inovação teológica do tipo mais extremo e perigoso. A essência da idolatria é a auto-adoração, e essa noção da Trindade submissa (em algum sentido) à humanidade é indiscutivelmente idólatra.

O aspecto mais controverso da mensagem de A Cabana gira em torno das questões do universalismo, da redenção universal e da reconciliação final. Jesus diz a Mack: "Aqueles que me amam procedem de todo sistema que existe. São budistas, mórmons, batistas, islamitas, democratas, republicanos e muitos que não votam ou não fazem parte de qualquer igreja ou de instituições religiosas". Jesus acrescenta: "Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero unir-me a eles em sua transformação em filhos e filhas de meu Papai, em meus irmãos e irmãs, meus amados".

Em seguida, Mack faz a pergunta óbvia: Todos os caminhos levam a Cristo? Jesus responde: "Muitos dos caminhos não levam a lugar algum. O que isso significa é que eu irei a qualquer caminho para encontrar vocês".

Devido ao contexto, é impossível extrair conclusões essencialmente universalistas ou inclusivistas quanto ao significado de Yong. "Papai" repreende Mack dizendo que está agora reconciliado com todo o mundo. Mack replica: "Todo o mundo? Você quer dizer aqueles que crêem em você, não é?" "Papai responde: "Todo o mundo, Mack".

No todo, isso significa algo bem próximo da doutrina da reconciliação proposta por Karl Barth. E, embora Wayne Jacobson, o colaborador de Young, tenha lamentado haver pessoas que acusam o livro de ensinar a reconciliação final, ele reconhece que as primeiras edições do manuscrito foram influenciadas indevidamente pela "parcialidade, na época," de Young para com a reconciliação final – a crença de que a cruz e a ressurreição de Cristo realizaram a reconciliação unilateral de todos os pecadores (e de toda a criação) com Deus.

James B. DeYoung, do Western Theological Seminary, um erudito em Novo Testamento que conheceu Young por vários anos, documenta a aceitação de Young quanto a uma forma de "universalismo cristão". A Cabana, ele conclui, "descansa sobre o fundamento da reconciliação universal".

Apesar de que Wayne Jacobson e outros se queixam daqueles que identificam heresia em A Cabana, o fato é que a igreja cristã tem identificado, explicitamente, esses ensinos como heresia. A pergunta óbvia é esta: por que tantos cristãos evangélicos parecem ser atraídos não somente à história, mas também à teologia apresentada na narrativa – uma teologia que, em vários pontos, está em conflito com as convicções evangélicas?

Os observadores evangélicos não estão sozinhos em fazer essa pergunta. Escrevendo em The Chronicle of High Education (A Crônica da Educação Superior), o professor Timothy Beal, da Case Western University, argumentou que a popularidade de A Cabana sugere que os evangélicos devem estar mudando a sua teologia. Ele cita os "modelos metafóricos não-bíblicos de Deus" no livro, bem como seu modelo "não-hierárquico" da Tridade e, mais notavelmente, "sua teologia de salvação universal".

Beal afirma que nada dessa teologia faz parte das "principais correntes teológicas evangélicas" e explica: "De fato, essas três coisas estão arraigadas no discurso teológico acadêmico radical e liberal dos anos 1970 e 1980 – que influenciou profundamente os feministas contemporâneos e a teologia da libertação, mas que, até agora, teve muito pouco impacto nas imaginações teológicas de não-acadêmicos, especialmente dentro das principais correntes religiosas".

Em seguida, ele pergunta: "O que essas idéias teológicas progressistas estão fazendo no fenômeno da ficção evangélica?" Ele responde: "Desconhecidas para muitos de nós, elas têm estado presente em muitos segmentos liberais do pensamento evangélico durante décadas". Agora, ele diz, A Cabana introduziu e popularizou esses conceitos liberais até entre as principais denominações evangélicas.

Timothy Beal não pode ser rejeitado como um conservador e "caçador de heresias". Ele está admirado com o fato de que essas "idéias teológicas progressistas" estão "se introduzindo aos poucos na cultura popular por meio de A Cabana".

De modo semelhante, escrevendo em Books & Culture (Livros e Cultura), Katharine Jeffrey conclui que A Cabana "oferece uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica". Embora sua principal preocupação seja o lugar do livro "num panorama literário cristão", ela não pôde evitar o lidar com a sua mensagem teológica.
Ao avaliar o livro, deve-se ter em mente que A Cabana é uma obra de ficção. Contudo, é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Diversos romances notáveis e obras de literatura contêm teologia aberrante e heresia. A pergunta crucial é se as doutrinas aberrantes são características da história ou são a mensagem da obra. Em A Cabana, o fato inquietante é que muitos leitores são atraídos à mensagem teológica do livro e não percebem como ela conflita com a Bíblia em muitos assuntos cruciais.

Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico. Dificilmente não concluímos que o discernimento teológico é agora uma arte perdida entre os evangélicos – e esse erro pode levar tão-somente à catástrofe teológica.

A resposta não é banir A Cabana ou arrancá-lo das mãos dos leitores. Não precisamos temer livros – temos de estar prontos para responder-lhes. Necessitamos desesperadamente de uma redescoberta teológica que só pode vir de praticarmos o discernimento bíblico. Isso exigirá que identifiquemos os perigos doutrinários de A Cabana. Mas a nossa principal tarefa consiste em familiarizar novamente os evangélicos com os ensinos da Bíblia sobre esses assuntos e fomentar um rearmamento doutrinário de cristãos evangélicos.

A Cabana é um alerta para o cristianismo evangélico. Uma avaliação como a que Timothy Beal ofereceu é reveladora. A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – um fracasso em entender o evangelho de Cristo. A tragédia de que os evangélicos perderam a arte de discernimento bíblico se origina na desastrosa perda do conhecimento da Bíblia. O discernimento não pode sobreviver sem doutrina.

Traduzido por: Wellington Ferreira

Copyright: © R. Albert Mohler Jr.

Traduzido do original em inglês: The Shack — The Missing Art of Evangelical Discernment.

http://www.albertmohler.com/

Fonte no Brasil: http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=315

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

UMA RADIOGRAFIA DA IGREJA CATÓLICA ROMANA

Por D. M. Lloyd-Jones
(artigo inédito em português)

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. (Efésios 6:11).

Certas coisas que estão acontecendo, atualmente, exigem, imperativamente, que cada cristão inteligente deva conhecer algo sobre o Catolicismo Romano. Existem movimentos em operação e reuniões acontecendo, os quais estão tentando fazer uma reaproximação entre o Catolicismo Romano e o Protestantismo. Há pessoas se alegrando com isso e dizendo ser uma coisa maravilhosa começarmos a nos unir novamente e que cooperar em certos aspectos será uma bela manifestação do espírito cristão.

Ora, esse tipo de coisas torna imperativo que entendamos o que está acontecendo e, à medida em que olharmos para o futuro, o assunto vai se tornar mais urgente, uma vez que existem certas possibilidades que devem ser examinadas. Entendo, pelas estatísticas, que existem certos países no mundo, nos quais, se continuar esta moderna tendência, logo teremos uma maioria católica. Portanto, se prosseguirmos no pensamento democrático de decidir nossa forma de governo, na contagem das cabeças, logo haverá nele uma maioria católica romana. Não é difícil antever certas possibilidades que irão resultar nisto. A verdade é que isso até poderá acontecer neste país, daqui a alguns anos. Portanto, sob todos os pontos de vista, torna-se imperativo observar nossa posição, diante deste fato que está nos confrontando . Quer gostemos ou não, trata-se de algo que precisamos fazer. Pessoalmente, eu jamais o havia feito, antes. Não pertenço a qualquer “Sociedade Protestante”. Jamais falei sobre uma plataforma. Minha visão tem sido sempre que a única definitiva resposta para o Catolicismo Romano é uma positiva pregação da Verdade cristã e das grandes doutrinas da Reforma. Com coisa alguma, além disso, seria possível lidar com a ICAR (Igreja Católica Romana). Protestos negativos, a meu ver, resultam em nada. Eles têm continuado até hoje, desde há uma porção de anos. Mas, a verdade é que este corpo romano está crescendo, praticamente, no país inteiro, enquanto todos os nossos protestos negativos para nada têm servido.

Minha opinião é que o crescimento do Catolicismo Romano é devido a uma única coisa, ou seja, ao flácido Protestantismo, o qual desconhece aquilo no que ele crê. Por isso, estou dedicando o meu tempo a entregar este ensino positivo. Nosso texto me obriga a tratar do assunto como das “astutas ciladas do diabo”, conforme o texto supracitado. Muito bem, o que descobrimos? Deixo abundantemente claro que não estou preocupado com os indivíduos. Claro que existem pessoas que são católicas romanas e cristãs, ao mesmo tempo. Alguém pode ser um cristão e também ser um católico romano. Meu precípuo objetivo é tentar mostrar que essas pessoas são cristãs, apesar do sistema, e não por causa dele. Sejamos claros sobre isto: é possível ser uma pessoa cristã, dentro da ICAR.

Não estou considerando os indivíduos nem o assunto do ponto de vista político. E, nem por um momento, quero dizer que o assunto político não seja importante. Apenas estou dando uma evidência que poderá ser tremendamente importante. Conhecemos o registro da história desta instituição chamada ICAR e sabemos o que acontece, politicamente, com as suas reivindicações de ser um poder político e, portanto, até mesmo sob este aspecto ela é importante. Porém, não é com isso que eu agora me preocupo, ou seja, com o leigo ou o estadista católico. O que mais me preocupa é o aspecto espiritual, pois foi isso que o Apóstolo colocou em nossas mentes.

A Ortodoxia Romana - Ora, para o que estamos olhando? Estamos olhando para um sistema, conhecido como católico romano, e eu não hesitaria em afirmar que o mesmo é a maior obra prima do diabo. Este sistema está de tal modo afastado da fé cristã e do ensino do Novo Testamento que eu não hesitaria, conforme fizeram os reformadores, em descrevê-lo como “apostasia”.

Vamos esclarecer. Apostasia é uma espécie de afastamento da verdadeira fé cristã e do ensino do Novo Testamento. Ora, alguns vão dizer: ”O senhor está falando isso da ICAR?” Precisamos ser cuidadosos, aqui. Quando dizemos que o Catolicismo Romano é apostasia, precisamos esclarecer qual o sentido em que esta afirmação é verdadeira. Então, vamos esclarecer.

Não se trata de uma simples questão de “negação” da verdade, mas, principalmente, de um acréscimo à mesma, o que, eventualmente, torna-se um afastamento da verdade. Deixem-me explicar, pois é, justamente aqui, onde entra toda a sutileza da ICAR, e onde penetram as “hostes espirituais da maldade”. Em certo sentido, se alguém observar, casualmente, poderá até pensar que a ICAR é a mais ortodoxa do mundo. Quando se considera a Pessoa do Senhor Jesus Cristo, não existe um sistema mais ortodoxo do que a ICAR, até mais ortodoxo do que a maioria dos protestantes. É isso que torna esta posição tão alarmante. Do mesmo modo, quando se trata da obra do Senhor, não existe qualquer dúvida sobre a sua ortodoxia. No que diz respeito ao princípio da graça, esta é um dos seus temas centrais. Quanto à inspiração divina da Escritura Sagrada, ela a confirma e acredita que a Bíblia seja a Palavra de Deus. Ora, muito mais do que muitos protestantes. Portanto, se a observamos somente a partir deste modo geral, podemos chegar à conclusão de que ela é o corpo mais ortodoxo do mundo. Mas, é exatamente aqui que reside a sutileza e surgem as dificuldades... A tudo, ela acrescenta um amaldiçoado de coisas totalmente não bíblicas, as quais, de fato, tornam-se uma negação da Escritura. Desse modo, quando aceitamos os seus ensinos, estamos acreditando numa mentira. Em outras palavras, seus dogmas são uma falsidade e ela é, conforme Apocalipse 17:1, “A Grande Prostituta”!

A sutileza de Roma - Ora, este assunto é extremamente sutil, mas o nosso caso trata exatamente de sutileza, ou seja, das “astutas ciladas do diabo”. Quem desejar conhecer exatamente a respeito de sutileza, leia a literatura da ICAR . Ela pode parecer todas as coisas para todos os homens. Seu sistema é tão vasto e a sutileza tão grande que ela consegue impregnar. Convém que observemos isto. Como exemplo, estou dando a arbitrariedade. Vocês já devem tê-la observado muitas vezes. Por exemplo, ela não admite o divórcio e quando um dos seus membros se divorcia, precisa ser excomungado. Mas, logo em seguida, quando lemos nos jornais a respeito do divórcio de um católico (homem ou mulher) pertencente à classe nobre, indagamos: “E agora, o que vai acontecer?” Ora, bem depressa, a hierarquia da Igreja consegue explicar o caso, afirmando que aquele casamento nunca fora, realmente, um casamento legítimo. A ICAR consegue explicar qualquer coisa, sem dificuldade alguma. Seu sistema de casuística é tamanho e o seu argumento é desenvolvido de tal maneira que ela parece estar atirando em todas as direções, ao mesmo tempo.

As Muitas Faces de Roma - Colocando o assunto de outro modo, quantas faces, realmente, a ICAR possui? Vejamos. Observem neste país e na Irlanda do Sul. Observem-na nos Estados Unidos e, em seguida, nos países da América Latina e, provavelmente, não irão acreditar que se trata da mesma instituição. Observem-na em países como a Espanha e a Itália e em outros países semelhantes e vejam o contraste em que ela aparece, com relação à Alemanha e a outro país semelhante a este, e vocês jamais iriam imaginar que se trata da mesma instituição. Mas é a mesma, claro. Ela pode mudar de cor, aparência e forma, sendo todas as coisas para todos os homens.. Seus disfarces são tão inextinguíveis.

Neste país [o autor se refere ao Reino Unido], ela aparece como altamente intelectual, encorajando as pessoas a não apenas se tornarem intelectuais, mas até mesmo à leitura da Bíblia; enquanto isto, em outros países, ela proíbe que os seus membros se tornem intelectuais e leiam a Bíblia, a fim de ali encorajar, deliberadamente, a idolatria. Na Grã Bretanha, ela parece tolerante, argumentando e concordando em ser amistosa, mas nos países não desenvolvidos, ela é absolutamente intolerante, feroz e vil, no seu zelo perseguidor. Mesmo assim, ela continua sendo o mesmo corpo, a mesma instituição e o mesmo povo. Nesta evidência, é que me baseio para afirmar que ela é, sem dúvida, a obra prima do diabo.

Temos aqui um grande corpo, uma instituição que, de tempos em tempos, através dos séculos, continua agindo assim, manifestando “as ciladas do diabo”, com toda a sutileza “e com todo o engano da injustiça” (2 Tessalonicenses 2:10). Não estamos explicando esta passagem, mas dela, talvez, se levante aquele que é descrito no capítulo 13 do Livro de Apocalipse. A ICAR também aparece no Apoc. 17: 1,4 e 15, como “a grande prostituta que está assentada sobre muitas águas... vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; (que) tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição... E disse-me: As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, e multidões, e nações, e línguas. Tudo isto é uma descrição exata da ICAR, ao longo da história, na qual ela sempre tem agido e se mostrado assim. Ela tem monopolizado toda denominação cristã. Chegou, sorrateira e sutilmente, a fim de construir um caminho, para, eventualmente, ser, de fato, universal (= católica), no controle mundial. Falar do que ela tem feito iria nos tomar meses, para o assunto ser tratado adequadamente.. Limitado a este sermão, a fim de oferecer apenas algumas linhas principais, afirmo que minha opinião é verdadeira. Portanto, vou dividir o sermão em três títulos principais:

I - Idolatria e Superstição - Este primeiro título mostra como a ICAR tem sido culpada pela introdução da idolatria e da superstição. Ora, não existe coisa alguma mais condenada na Escritura do que a “idolatria”. Não devemos fabricar ídolos. A ICAR ensina o seu povo a adorar os ídolos. Este se prostra diante de todo tipo de imagens. Quem já visitou uma das grandes catedrais, deve ter visto pessoas fazendo isso. Na Catedral dedicada ao Apóstolo Pedro, em Roma, existe uma estátua de Pedro e, quem observar a mesma, poderá verificar que os artelhos do “santo” estão lisos e gastos. Porque as pobres vítimas do engodo católico têm ali passado, beijando esses artelhos. As pessoas se ajoelham com reverência e adoram imagens e relíquias. Elas afirmam possuir relíquias dos santos, como pedacinhos de ossos, e outras coisas por eles usadas, colocando-os em lugares especiais e os adorando, ajoelhadas. Isto é nada mais do que uma chocante idolatria. Nada disso é encontrado nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento.

II. - A ICAR se coloca entre a alma e Jesus Cristo - A segunda grande acusação contra a ICAR é que ela se coloca entre o homem e o Senhor Jesus Cristo. Tem sido esta a acusação mais terrível, durante todos estes anos. Ela afirma que é essencial para a salvação. Ela diz que: “Fora da Igreja não há salvação”. Ela afirma ser absolutamente indispensável. Colocando-se entre a alma e o Senhor Jesus Cristo, ela exige esta posição para si mesma. Não podemos encontrar este ensino no NT, mas ele existe na ICAR. Ela afirma que somente ela sabe o que é a verdade, e que somente ela pode interpretá-la.

Ao contrário de tudo isso, o Protestantismo (conforme a Bíblia) ensina o sacerdócio universal dos crentes e o direito de cada cristão ler sozinho a Bíblia e entendê-la, sob a iluminação do Espírito Santo. Roma nega tudo isto, absolutamente, afirmando que ela, e somente ela, pode entender e interpretar a Escritura, a fim de nos dizer no que devemos acreditar.

II.1 - Acréscimos à Escritura - A ICAR diz isto, em parte, porque afirma que tem recebido uma “revelação contínua”. Ela não acredita, como os protestantes (e conforme afirmam as Escrituras), que toda a revelação foi encerrada com o que temos no Novo Testamento. Por isso, ela não hesita em afirmar que recebe a revelação contínua, a fim de fazer acréscimos à verdade da Escritura. Mesmo afirmando que a Bíblia é a Palavra de Deus, a ICAR usa a Tradição ... Ela usa a Tradição para fazer acréscimos, dando à mesma uma autoridade igual à da Escritura Sagrada. Esses acréscimos até mesmo chegam a negar o ensino bíblico e, desse modo, ela usa a sutileza. Ela age assim e em seguida exige lealdade total dos seus membros, afirmando que pode governá-los naquilo em que eles crêem. Ela também garante que é responsável pelas suas almas e pela salvação das mesmas. A ela, devem se submeter os seus membros, do mesmo modo como faziam os seguidores do Comunismo e de Hitler, em seus regimes totalitários. Considerando-se suprema, a ICAR se coloca entre os homens e o Senhor Jesus Cristo.

II.2 - O Papado - A segunda manifestação desse tipo de totalitarismo é o papa, com tudo que ele ensina. A ICAR afirma que o papa é o “Vigário de Cristo”, o descendente espiritual do Apóstolo Pedro. Isto ela chama “Sucessão Apostólica”, com toda a autoridade do Apóstolo Pedro. Ora, não quero questionar a posição que ela atribui ao próprio Pedro, mas a sua afirmação de que ela chama o papa de “O Santo Padre”, embora a Escritura ensine que não devemos chamar pessoa alguma de “pai”, pois o único Pai que existe é o que está no céu. A ICAR diz ainda que quando o papa fala “ex-catedra”, ele é infalível. Esta doutrina foi criada em 1870 e nela a ICAR exige que todos acreditem.

A partir daí, conforme foi definido, os seus pronunciamentos são considerados infalíveis, tão infalíveis como os do próprio Deus e do próprio Jesus Cristo. O papa é adorado pelas pessoas, as quais se ajoelham diante dele, expressando uma adoração, que somente deve ser dirigida ao Deus Todo-Poderoso. O papa incorre na citação do Apóstolo Paulo, feita na 2 Tessalonicenses, pois se assenta “como Deus”, no trono de Roma.

II.3 - O Sacerdócio - A terceira manifestação encontrada é a do sacerdócio católico. Os sacerdotes (padres) da ICAR são pessoas muito especiais. Ela não acredita no sacerdócio universal dos crentes e as únicas pessoas que ela considera como sacerdotes são os homens que ela mesma treinou e ordenou, os quais recebem uma parte de sua autoridade proveniente da “Sucessão Apostólica”. Na 1 Pedro 2:9, lemos: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. Mas, Roma diz: “Não, vocês são o laicato e somente os nossos padres é que são sacerdotes”.

Em seguida, ela atribui a estes sacerdotes o poder de operar milagres. Aqui temos um assunto muito central e crucial. A ICAR afirma que o sacerdote pode transformar a água do batismo, de modo que a graça nela penetre. Ela diz que o sacerdote pode operar o milagre da Transubstanciação, ou seja, transformar o pão e o vinho no corpo, sangue, alma e divindade do Senhor Jesus Cristo. Desse modo, ela diz, o pão já não é pão, após ter sido operado pelo sacerdote.

Os Sacramentos - Isto nos conduz a toda a doutrina dos sacramentos e vou me referir particularmente ao Batismo e à Ceia do Senhor, nos quais a ICAR não hesita em afirmar que se operam milagres. Ela diz que estes milagres, tendo sido operados por um sacerdote, agora a água, o pão e o vinho estão carregados da graça de Deus, de um modo especial e, portanto, operam, mais ou menos, automaticamente. Ela diz que eles operam “ex-operato”. Em outras palavras, a água já não é água, após ter sido carregada com a graça, e ser colocada sobre a cabeça da criança. E com o pão e vinho acontece o mesmo. Curioso é que somente o sacerdote toma o vinho. Ao fiel é dada apenas a obreia (hóstia), como se ele estivesse recebendo o corpo de Cristo.

Confissão – Esta é mais uma total manifestação da sutileza da ICAR, das “astutas ciladas do diabo”. Nada existe no NT sobre a confissão auricular, que é mais um dos acréscimos da ICAR. O sacerdote é o único a quem, segundo a Igreja, os fiéis devem confessar os pecados, pois ele tem o poder de dar a absolvição dos mesmos e libertar o pecador do peso da culpa. Ninguém mais pode fazer isso, a não ser o sacerdote, a quem a ICAR delega tal poder.

Assim, as pessoas são ensinadas a se confessarem, mesmo não existindo na Escritura uma palavra sequer sobre o assunto. Na Bíblia, aprendemos o dever de confessar nossos pecados a Deus e também uns aos outros, mas nunca a um sacerdote. Estou mostrando as seduções, pelas quais este sistema religioso se coloca entre o homem e o Senhor Jesus Cristo. Nós, os cristãos, devemos ir a Ele para confessar os nossos pecados e mostrar arrependimento.

II.4 - O culto a Maria - Aqui temos a quarta manifestação e esta é uma das mais alarmantes de todas. O culto à “Virgem Maria”, no Catolicismo Romano, tem aumentado, rapidamente. O que a ICAR ensina? Que Maria é a Rainha dos Céus, sendo a primeira pessoa a quem devemos nos dirigir em oração. Em muitas de suas igrejas, vamos descobrir que Maria é mais importante do que o Senhor Jesus, o Qual fica praticamente escondido por trás dela, numa posição de retaguarda. E por que? A ICAR explica que, sendo Maria humana, ela é mais amorosa e terna do que Jesus, que é autoritário demais e durão. Este é o ensino da ICAR, a fim de respaldar o culto a Maria, pois ela diz que sendo Maria tão amorosa, não precisamos ir diretamente ao Filho, visto que Ele concede à Sua Mãe tudo que ela Lhe pede. Daí porque deveríamos ir a Maria, implorando o seu favor. Ela é a “mediadora” entre nós e o Filho de Deus, o Salvador de nossas almas. A ICAR tem aumentado cada vez mais o poder de Maria, desde 1854, com o dogma da Imaculada Conceição. Este dogma, ao que tantos pensam, não trata do nascimento virginal de Jesus, mas afirma que Maria nasceu imaculada. Mais tarde, foi publicado o dogma da Assunção de Maria, afirmando que ela morreu, como todos nós, e foi sepultada; mas, em seguida, foi levada ao céu, exatamente como aconteceu com o seu Filho. Assim, a ICAR enaltece Maria, tornando-a por demais importante, de tal modo que o poder do Senhor Jesus Cristo fica ofuscado pelo poder dela.

II-5 - Os santos - Finalmente, vamos mencionar os “santos” acrescentados pela ICAR. O povo é ensinado a orar aos santos católicos. Como isso pode acontecer? Eles acreditam no perfeccionismo nesta vida e dizem que alguns “santos” viveram vidas tão perfeitas que conseguiram méritos demais e que podem liberá-los a quem precisar da superabundância dos mesmos. . Diz a ICAR que: todos nós, pecadores falhos, podemos ir aos santos, em oração, a fim de pedir que eles nos liberem uma certa parcela dos méritos que conseguiram amealhar, abundantemente. Que os santos poderiam interceder por nós e compartilhar os seus méritos conosco. Por isso, temos a adoração aos santos, oramos aos santos e vivemos sob a dependência deles. Desse modo, nossas carências poderiam ser suplementadas.

Coloquei apenas cinco dos principais meios, pelos quais todo o sistema da instituição católica se coloca entre o crente e o Senhor Jesus Cristo. Lembrem-se que tudo isso é feito por pessoas que acreditam na Encarnação de Cristo no seio de Maria, e, mesmo assim, são vencidas pelas “astutas ciladas do diabo”. Por um lado, a ICAR afirma muito do que é correto, enquanto, por outro lado, ensina tudo que é errado.

III - Justificação - Esta é a maneira pela qual a ICAR não apenas rouba a posição do Senhor, mas Lhe restringe a glória, a perfeição e a totalidade da grande salvação que Ele nos dá. O primeiro exemplo disso se refere à justificação pela fé. Conforme dizia Lutero, “esta é a diferença entre uma igreja firme e uma igreja decaída” e aqui reside toda a glória do Protestantismo, o que o trouxe à existência. Às vezes me pergunto se muitos protestantes sabem disso. Será que sabem? Não é de admirar que o Catolicismo Romano esteja crescendo, visto como a maioria dos protestantes desconhece o que significa a Justificação. Enquanto os protestantes acham que basta viver uma boa vida, o Catolicismo Romano vai avançando com sucesso, invadindo países e nações.

A ICAR ensina que as boas obras podem ser praticadas pelo homem pecador, contribuindo para sua justificação... Mas a Bíblia diz: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10), “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:23-24). Em Isaías 64:6, lemos: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam”. Isso mostra que nossas boas obras nada valem diante de Deus para que sejamos por elas justificados. Mais sério ainda é a ICAR ensinar que o batismo traz a justificação, que nossos pecados são perdoados e que ele nos infunde justiça. Mesmo sendo um bebê inconsciente, não importa, pois no batismo ele é justificado do pecado original, segundo a ICAR. Ela diz que não se trata aqui da justiça de Cristo, mas de uma justificação que Deus concede através do batismo e que os que são batizados são vistos como justos diante dos olhos de Deus. A ICAR denuncia como heresia o ensino protestante da justificação exclusivamente pela fé em Jesus Cristo.

O seu ensino torna o homem dependente da Igreja, pois toda a obra da salvação deve ser operada pelo sacerdote, através do batismo e da obediência à ICAR. Isto torna o sacerdote absolutamente essencial e, sem este, o fiel fica desprotegido; portanto, ele precisa continuar ligado à ICAR e ao sacerdote. Segundo este ensino, não existe uma comunicação direta do homem com Deus, sem o concurso destes intermediários. Enquanto isso, a Bíblia diz, na 1 Timóteo 2:5: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”. Já na ICAR, os mediadores são: Maria, o papa, os sacerdotes, os santos e toda a hierarquia, com as suas determinações. Como vemos, sobre a justificação, a ICAR ensina mais uma de suas tantas mentiras.

A Vida Cristã - Na ICAR, a ênfase não é sobre uma vida piedosa, mas de observância às cerimônias e ritos da Igreja. Desse modo, ninguém precisa se esforçar para ter uma vida santa, nem para entender os ensinos do Novo Testamento sobre a santificação do crente, mas as pessoas devem assistir à celebração da missa e se confessar com um sacerdote. Cumprindo essas obrigações, o fiel pode fazer o que bem desejar. Depois ele vai à missa e confessa os pecados ao sacerdote, a fim de receber o perdão. Assim, falha a responsabilidade do esforço por uma vida de santidade, ficando apenas a obrigação de cumprir as exigências da Igreja. O cristão deve assistir às cerimônias e fazer confissão dos pecados, ficando coberto, como se vivesse uma vida correta, e assim por diante...

Negando a Garantia da Salvação - A ICAR nega totalmente a garantia da salvação eterna através da fé em Jesus Cristo. Em Romanos 8:1 e 16, lemos:

“PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito...”. “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. Esta é uma declaração maravilhosa, negada pela ICAR, a qual ensina que não existe certeza alguma de salvação, nesta vida.

Qual seria a lógica deste argumento? É que o sistema católico é tão demoníaco que somente o diabo poderia tê-lo concebido com tanto engenho. Ele funciona assim: No batismo, o pecado original é cancelado e o católico se torna justificado diante de Deus. Mas, quanto aos pecados futuros?

A Bíblia ensina que “O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado”: dos presentes, passados e futuros. (1 João 1:7). Contudo, Roma prega diferente. Os pecados cometidos depois do batismo devem ser confessados ao sacerdote, pois somente este poderá perdoá-los. Mesmo assim, nem mesmo o sacerdote poderá nos livrar de purgá-los, depois da morte. Além do sacramento da penitência, nós ainda precisamos praticar boas obras, enquanto estivermos vivos. Depois da morte, a ICAR inventou um lugar chamado Purgatório, para onde ela envia os membros, para que ali estes possam pagar a pena dos pecados já confessados, porém ainda não purgados na Terra.

Já no Purgatório, nossos parentes precisam mandar celebrar muitas missas, usar muitas velas e pagar boas somas de dinheiro, a fim de abreviar o nosso tempo no Purgatório. Quando mais for pago à ICAR, mais depressa a alma vai sair do Purgatório. Com dinheiro, os parentes compram as chamadas “indulgências”, as orações pelos mortos e tudo que se puder comprar em matéria de salvação. Nada disso é visto na Bíblia. Trata-se de uma “revelação adicional” recebida pela ICAR.

A ICAR afirma que a obra de Cristo é insuficiente e precisa de suplemento. Será que estou indo longe demais, quando digo que isto é apostasia?

Tremendas Consequências - Qual o resultado de tudo isso? Seus membros são mantidos na ignorância e caem na superstição. Aqui existe um tipo de vida que é conhecido como “domingo continental”. Isso quer dizer que se o fiel foi assistir à missa, ele pode fazer o que bem quiser, pelo restante do dia. O dia fica igual aos demais em matéria de esporte e prazer. Ninguém se dá conta disso. Fazendo tudo que a ICAR ordena, ela garante estar velando pelas almas dos seus membros. Isso dá ensejo a uma perseguição a quem segue o verdadeiro caminho, conforme o crescimento do sistema católico. No passado, a ICAR derramou o sangue dos mártires e continuará fazendo isso, onde e quando lhe for permitido fazê-lo.

Será que não temos perdido muito tempo? Deveríamos nos unir como cristãos, conforme temos feito em relação ao Comunismo. Para mim, o sistema católico é mais perigoso do que o Comunismo, por ser um engodo praticado em o Nome de Cristo. A ICAR é a “grande prostituta que está assentada sobre muitas águas; com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição” (Apocalipse 17:1-2). Enquanto isso, o Comunismo pode ser detectado como um sistema ateu, ímpio, o qual logo é combatido pelos cristãos.

Os Reformadores Protestantes - Os reformadores protestantes não eram apenas fanáticos religiosos, nem tolos. Eles tinham os olhos abertos pelo Espírito Santo. Foi o que aconteceu com Lutero, Calvino, Knox e todos eles. Eles observaram a horrenda monstruosidade descrita na Bíblia e preferiram encarar o risco de perderem suas vidas, levantando-se para protestar contra a ICAR. Mostraram que ela é falsa, confirmaram a justificação do pecador pela fé em Cristo e a supremacia das Escrituras Sagradas. Prontificaram-se a morrer defendendo estas verdades e alguns deles morreram.

Quem agora se alegra com as propostas de Roma está renegando o sangue dos mártires. Eles foram queimados nas estacas porque denunciaram os erros do Catolicismo Romano. Vocês vão renegá-los, vão dar-lhes as costas, dizendo que eles estavam errados? Cuidado, para não serem iludidos pelos falsos argumentos da ICAR!

Roma Nunca Muda - O Problema tem-se tornado sério, por causa do rádio e da TV. Os homens (católicos) vivem aparecendo como pessoas polidas, elegantes, gentis e conciliáveis. Até parecem ser pessoas melhores do que o nosso povo, conforme dizem os tolos e ignorantes protestantes, prontos a engolir a isca da ICAR.

Ora, vocês argumentam: “Mas, a ICAR não mudou? O senhor está olhando somente para o passado, para o século 16, sem perceber que já estamos no século 20!” Minha resposta simples é que a arrogante organização chamada ICAR jamais vai mudar. “Roma é sempre a mesma”; então como poderia mudar? Se ela mudasse, estaria admitindo que esteve errada no passado; ela, que sempre tem afirmado ser infalível, que o papa é o Vigário de Cristo e, portanto, não pode errar. Ela continuará sendo a mesma de sempre e se mudar em alguma coisa, deve ser para PIOR. Aliás, já o tem feito, acrescentando coisas novas aos seus ensinos, numa Contra Reforma Protestante, a partir do Concílio de Trento (Século 16), a Infalibilidade Papal (Século 19) e outros engodos.

Quando acontecer a formação de uma grande religião mundial, provavelmente a ICAR já terá absorvido as demais, por causa do seu engodo e ignorância bíblica dos protestantes. Esta será uma forma de prostituição da pior espécie das chamadas igrejas evangélicas. A ICAR é uma representação do Anticristo e assim devemos denunciá-la.

Só existe uma coisa que poderá deter o avanço da ICAR no mundo: a pregação do Evangelho Bíblico. Um Cristianismo que se limita a pregar: “Venha para Cristo” ou “Venha para Jesus”, não pode enfrentar os engodos de Roma. Certos pastores, que andam fazendo campanhas evangelísticas, costumam aconselhar: “Vocês, católicos romanos, voltem às suas igrejas” [N. T. - Aqui o autor se refere literalmente a Billy Graham]. Eles estão negando os ensinos do Novo Testamento e precisam de advertência. Somente com a Armadura de Deus, com a verdade do Novo Testamento, poderemos enfrentar Roma. Foi o que aconteceu no Século 16. Lutero não era apenas um superevangelista; ele era também um grande teólogo, assim como Calvino e os outros. Foi o poderoso sistema da Verdade, que liberta do erro doutrinário, que abalou as bases da ICAR, quando o verdadeiro Evangelho foi apresentado ao mundo. Somente este Evangelho legítimo é adequado para a situação atual. Povo cristão, nossa responsabilidade é tremenda! Precisamos conhecer e compreender a verdade, a fim de podermos enfrentar os falsos ensinos. Muitas pessoas inocentes estão sendo enganadas pela falsidade da ICAR e nossa obrigação é abrir-lhes os olhos e apresentar-lhes a verdade.

Lendo e praticando os ensinos da Palavra de Deus, o Espírito Santo vai nos ajudar, dando-nos o conhecimento da verdade, a fim de podermos lutar contra os engodos de Roma.

Que Deus nos dê uma perfeita compreensão dos tempos trabalhosos em que estamos vivendo e nos faça despertar, antes que seja tarde demais! ****************************************************************

[N.T. - E assim, por causa da indiferença dos britânicos, governados por uma Rainha e um parlamento política e religiosamente negligentes, a ICAR se aboletou, comodamente, no país, o qual se tornou um dos mais corrompidos da União Européia, confirmando o que o Apóstolo Pedro diz, na 1 Pedro 4:17 e na 2 Pedro 2:20: “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?” ... “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro”. (Grifo da Tradutora).

Atualmente, os pregadores andam se envolvendo com a chamada “Teologia da Fé/Prosperidade”, com a “Espiritualidade Contemplativa” e com o chamado “Teísmo Aberto” e outros desvios doutrinários, os quais estão conduzindo os protestantes e evangélicos a uma união com a ICAR, preparando o palco para a chegada do Anticristo.]

“The Roman Catholic Church” - Um sermão de D. Martin Lloyd-Jones, pregado em Westminster Chapel, Londres, em Maio de 1963.

Tradição livre e comentários de Mary Schultze, em 08/02/2010. especialmente a pedido do editor deste Blog

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

AVATAR E A VNDOURA RELIGIÃO MUNDIAL ÚNICA por Joe Schimmel


O filme Avatar*, de James Cameron, é um fascinante e arrebatador sucesso nos cinemas. Seus efeitos especiais são tão tremendos que transportam a audiência vividamente para um outro mundo, no qual adorar uma árvore e ter comunhão com espíritos não são apenas aceitáveis, mas atraentes. Avatar é também marcadamente panteísta e essencialmente o evangelho segundo James Cameron. Esse tema panteísta, que iguala Deus às forças e leis do Universo, é apresentado claramente pelos heróis e heroínas do filme: todos adoram Eywa, a deusa “Mãe de Tudo”, que é descrita como “uma rede de energia” que “flui através de todas as coisas viventes”.


Sobretudo, o filme é repleto de mágica ritualística, comunhão com espíritos, xamanismo, e descarada idolatria, de forma que condiciona os espectadores a acreditarem nessas mentiras do ocultismo pagão. Além disso, a platéia é levada a simpatizar com o Avatar e termina torcendo por ele quando é iniciado nos rituais pagãos. No final, até mesmo a cientista-chefe torna-se pagã, proclamando que está “com Eywa, ela é real” e que ficará com Eywa após sua morte.

Enquanto a representação fictícia de James Cameron a respeito da religião da natureza presta-se muito bem à mentira da Nova Era de que as religiões dos nativos americanos [indígenas] eram favoráveis à vida e inofensivas, a representação dos sacerdotes maias em Apocalypto (de Mel Gibson), devedores de divindades sedentas por sangue, que exigiam o sangue de suas vítimas sacrificiais, estava muito mais perto da verdade. A maneira adocicada e romântica com que James Cameron mostra os selvagens e os antigos cultos à natureza em Avatar é oposta aos fatos encontrados em antigos códices e achados arqueológicos: estes revelam que os astecas, os maias e os incas estavam todos envolvidos em sacrifícios humanos em massa, inclusive tomando a vida de criancinhas inocentes para apaziguar seus deuses demoníacos.


O tema panteísta, que iguala Deus às forças e leis do Universo, é apresentado claramente pelos heróis e heroínas De Avatar: todos adoram Eywa, a deusa “Mãe de Tudo”, que é descrita como “uma rede de energia” que “flui através de Todas as coisas viventes”.

Conhecendo o histórico das obras de James Cameron em atacar o cristianismo, e especialmente a ressurreição de Cristo no documentário absolutamente desacreditado The Lost Tomb of Jesus [exibido no Brasil como “O Sepulcro Esquecido de Jesus” e lançado em DVD como “O Sepulcro Secreto de Jesus”], não deveria nos surpreender que ele escrevesse e dirigisse uma propaganda de 300 milhões de dólares para promover o culto à natureza e aos espíritos.

Claramente, Hollywood tem tido uma influência persistente em arrancar os EUA [e o Ocidente] de suas raízes cristãs conservadoras e levá-los a crenças e práticas do ocultismo da Nova Era. O panteísmo atrai a turma de Hollywood porque ensina que todos somos Deus e que não precisamos nos preocupar em sermos obedientes ou em prestarmos conta diante de um Deus pessoal que criou o Universo. Entretanto, não são apenas os diretores [de cinema] que rejeitam a Cristo que estão buscando fazer com que o mundo abrace a adoração à Terra sob a máscara de sua imaginária Deusa-Mãe Terra; é também o próprio líder do movimento do aquecimento global, Al Gore.


Em seu livro Earth in the Balance, Gore sugere que voltemos à adoração da natureza e eleva várias seitas de adoradores da natureza e religiões dos nativos americanos ao status de modelo para nós:

Essa perspectiva religiosa pan** poderá mostrar-se especialmente importante no que se refere à nossa responsabilidade pela terra como civilização global. (...) As religiões dos nativos americanos, por exemplo, oferecem um rico conjunto de idéias sobre nosso relacionamento com a terra. (...) Todas as coisas estão interligadas como o sangue que nos une a todos.[1]
Não são apenas os diretores [de cinema] que rejeitam a Cristo que estão buscando fazer com que o mundo abrace a adoração à terra sob a máscara de sua imaginária deusa-mãe terra; É também o próprio líder do movimento do aquecimento global, Al Gore [ex-vice-presidente dos EUA].

Gore prossegue declarando que precisamos encontrar uma nova religião baseada na natureza e cita Teilhard de Chardin, o teólogo da Nova Era, em apoio à “nova fé” do futuro:

Esse ponto foi sustentado pelo teólogo católico Teilhard de Chardin, quando ele disse: “O destino da humanidade, assim como o da religião, depende do surgimento de uma nova fé no futuro”. Munidos de tal fé, poderemos achar possível ressantificar a terra.[4]

Com os diretores de vanguarda de Hollywood e as figuras políticas de Washington na liderança, os EUA [e o Ocidente] estão rapidamente voltando ao paganismo que envolveu o mundo em trevas espirituais durante milênios. Que Deus nos ajude a prestar mais atenção à admoestação do apóstolo Paulo, encontrada nas Sagradas Escrituras. Ele nos ensinou que a adoração à natureza nos tempos da Antigüidade era resultado do afastamento da adoração ao único e verdadeiro Deus que, para começar, foi quem criou a natureza:

“Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém” (Rm 1.21-25). (Joe Schimmel – http://www.goodfight.org/ - http://www.chamada.com.br/)

* Segundo o hinduísmo, avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal. Deriva do sânscrito Avatara, que significa “descida”, normalmente denotando uma encarnação de Vishnu (tais como Krishna), que muitos hinduístas reverenciam como divindade. Por extensão, muitos não-hindus usam o termo para denotar as encarnações de divindades em outras religiões.

** Pan: palavra de origem grega que significa “tudo, todas as coisas”.

Notas:

Al Gore, Earth in the Balance – Ecology and the Human Spirit [A Terra em Equilíbrio – A Ecologia e o Espírito Humano], 1992, p. 258-259).

Ibid. p. 161.

Ibid. p. 260.

Ibid. p. 263.

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, março de 2010

http://www.chamada.com.br/mensagens/avatar_religiao.html

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O QUE TODO CRISTÃO DEVERIA SABER SOBRE O IOGA por Dr. George Alexander

Dr. George Alexander, Ph.D., é professor associado e diretor do Departamento de Missões e Ministérios Trans-Culturais da Universidade Biola. Ele foi criado na Índia, onde a ioga se originou.


A Ioga é uma das mais novas modas. Médicos, políticos e atores louvam seus benefícios para a saúde, e classes de ioga são oferecidas em academias, escolas e até mesmo em algumas igrejas.


O que é a ioga?
A maioria dos ocidentais acha que a ioga nada mais é do que um jeito exótico de se manter um corpo bonito, mas ela é na verdade mais do que isso.
Ioga é uma prática hindu que almeja alcançar a libertação da pessoa e a sua união com o Brahman (Realidade Definitiva) através de intensa concentração, profunda meditação, e determinadas posturas.
A palavra “ioga” significa união com Deus. Ela é muito popular hoje em dia no Ocidente, junto com outros elementos da Nova Era. A maioria das pessoas não sabe disso.

Como se comparam os ensinamentos da ioga com a Bíblia?

Um dos princípios fundamentais do hinduísmo é o panteísmo – a crença de que a humanidade é uma extensão de Deus. A prática da ioga almeja o seu eventual entendimento de que você é Deus.

Mas, de acordo com a Bíblia, Deus é o criador, e os seres humanos são as criaturas. A glória do Criador não pode ser dada à criatura. Ainda que a Bíblia diga que possamos estar pertos de Deus, ela não diz que podemos nos tornar Deus através da prática de disciplinas espirituais.

Alem disso, na filosofia do hinduísmo e da ioga, o conceito do pecado não existe, somente o da ignorância. Quando se é ignorante, não se precisa de salvação, mas do entendimento de que você é Deus.
O que deve lhe preocupar sobre a ioga?

As classes de ioga são muito enganosas. Quando você pede informações sobre elas, o instrutor (iogi) dirá que elas são boas para a circulação do sangue, reduzindo o stress e outras coisas.

Mas normalmente o iogi sabe muito mais do que ele lhe dirá no começo. Há diferentes níveis na ioga. O nível um é o básico. O iogi lhe pedirá para sentar na postura tradicional (com suas costas em posição vertical e mãos nas coxas), respirar profundamente, e relaxar.

No nível dois, eles podem lhe pedir para esvaziar sua mente e cantar o mantra (palavra mágica) “Om”. Essa é uma palavra de louvor ao deus hindu.

Nos níveis três e quatro, eles podem lhe pedir para assumir várias posições, como por exemplo, a de uma cobra. Há uma progressão contínua em cada nível. Os verdadeiros iogis têm um poder sobrenatural que recebem não de Jesus Cristo, mas de outra fonte.

Eu já os vi levitarem, serem enterrados vivos por dias, andarem sobre o fogo, e fazerem com que coisas se materializarem. Isso é consistente com a Bíblia, que ensina que Satanás pode operar milagres. Mas seu propósito final é destruir pessoas, e, como resultado, muitos iogis se tornam doentes mentais quando mais idosos.
Há problema se cristãos praticarem a ioga se não a associarem com o hinduísmo?

Primeiramente, eu diria que a forma física é muito importante e que nós glorificamos a Deus quando nossos corpos estão saudáveis. A Bíblia nos diz que nossos corpos são o templo de Deus.

Eu gosto de me esticar, respirar corretamente e freqüentar a academia. Como cristãos, podemos fazer quaisquer exercícios que desejarmos. Mas por que temos que praticar a ioga? Na minha opinião, as pessoas que praticam ioga estão abrindo portas para a opressão demoníaca, consciente ou inconscientemente. (Grifo do Prof. Luis Cavalcante)

Vários cristãos que praticavam ioga já me contaram que tiveram pesadelos e experiências demoníacas muito assustadoras. Sendo Ocidentais, e cristãos Ocidentais, muitas vezes nós somos ingênuos.

Nossa fascinação com a ioga tem crescido mais rápido do que nosso conhecimento sobre seus perigos. Minha pergunta para os cristãos que praticam a ioga é: “por que você se envolveria com uma filosofia religiosa que contradiz a fé cristã para fazer bem ao seu corpo?” (Grifo do LC)
Dr. George Alexander, Ph.D., é professor associado e diretor do Departamento de Missões e Ministérios Trans-Culturais da Universidade Biola. Ele foi criado na Índia, onde a ioga se originou.

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Fonte: AGIR BRASIL

A NOVA ERA NO BRASIL - Prof. Dr. Paulo Romeiro

Nova Era é um termo usado para retratar a crescente penetração do misticismo oriental e ocultista na cultura ocidental. As palavras Nova Era referem-se à Era de Aquário, na qual os ocultistas acreditam estar entrando, trazendo consigo um período de iluminação e paz.

INTRODUÇÃO

O movimento desafia a fé cristã ao promover uma grande variedade de crenças e práticas do ocultismo, incluindo a reencarnação, a astrologia e toda a sorte de adivinhação.

Um outro estudioso deste assunto acrescenta: “O movimento Nova Era é uma rede extremamente ampla, frouxamente estruturada, de organizações e indivíduos ligados por valores comuns (baseados no misticismo e no modismo – a cosmovisão de que ‘tudo é um’ ) e uma visão comum (uma ‘nova era’ vindoura, de paz e iluminação em massa, a Era de Aquário)”. [1]

Por se tratar de um país obcecado com o sobrenatural, os ensinos da Nova Era têm encontrado um terreno fértil em vários segmentos da sociedade brasileira.

Há muita gente em nosso país que está disposta a crer em qualquer coisa, desde que aparentemente funcione, sem qualquer questionamento. Num excelente artigo intitulado Chega de Charlatanismo, publicado pela revista Veja, a psicóloga Vanessa Gesser de Miranda, de Florianópolis, esclarece:

A sociedade brasileira está mergulhada na maior onda de irracionalidade de que se tem notícia. Há uma curiosa necessidade de acreditar em tudo aquilo que se apresenta como uma solução mágica para os problemas.

Uma atração irresistível para a alternativa mais imediata, mais fácil, a qual se aceita independentemente de um/a análise de seus resultados reais. Assim é com a política, com a economia, com a medicina e a psicologia. Acredita-se em anjos, gnomos, gurus, pedras, flores, magos, bruxas, horóscopo, tarô, runas e pirâmides. [2]

Virou moda também, em muitas empresas hoje no Brasil, selecionar candidatos através da astrologia, numerologia e grafologia, substituindo assim os tradicionais exames psicotécnicos e entrevistas.

Apesar de toda esta febre esotérica no mundo empresarial, estes métodos místicos não possuem fundamento científico. Veja o que diz o jornal a Folha de São Paulo (Caderno de Empregos, 7/7/92, p.2):

Apesar de toda “embalagem científica” que muitos métodos alternativos se revestem para ganhar credibilidade, nenhum deles é aceito pela comunidade científica. “A astrologia não se baseia nos procedimentos usuais das ciências físicas”, afirma Ildeu de Castro Moreira, professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Para o professor de lógica da USP, Luiz Barco, 53, a numerologia não é comprovada. “Não se pode afirmar que conhecer a personalidade através da data de nascimento seja científico”.

A mídia brasileira tem propagado em grande escala as idéias da Nova Era. Quase toda semana, as revistas semanais trazem alguma reportagem relacionada com o assunto. A TV explora este tema constatemente através das novelas, bem como os programas de debates sobre reencarnação e misticismo.

O Guia do Estudante, da Editora Abril (91/92), relaciona a astrologia, tarologia e outras profissões da Nova Era entre as carreiras promissoras para o futuro.

Nem as crianças são poupadas. Revistas infantis e programas de desenhos animados na TV estão infestados dos conceitos da Nova Era. Diversas revistas de circulação nacional também dão ênfase ao tema.

Um dos nomes mais conhecidos no Brasil é o Lauro Trevisan, padre católico de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Tem produzido muitos livros que promovem os ensinos do Movimento da Nova Era, tais como: Os Poderes de Jesus Cristo, Aquárius, A Nova Era Chegou, A Vida é Uma Festa e Jesus, Precursor e Anunciador da Nova Era.

As interpretações bíblicas de Lauro Trevisan, tentando encaixar o Senhor Jesus dentro do programa da Nova Era, não refletem uma boa exegese. Uma de suas afirmações que não podemos concordar é que Jesus tornou-se o Cristo aos 30 anos, no batismo de João. Trevisan declara:

Lucas narra que, ao receber o batismo de João, desceu o Espírito Santo sobre Jesus, em forma corpórea de uma pomba, e do céu veio uma voz: “Tu és meu Filho bem-amado; eu, hoje, te gerei” (Lc 3, 21-22). Neste momento, era gerado o Cristo, o Filho de Deus. A partir deste instante, já não era mais apenas o Jesus. Era o Cristo, o Iluminado, o Messias, o Salvador. [3]

Ao Contrário do que diz Trevisan, a Bíblia afirma que Jesus já era o Cristo ao nascer, um Deus pessoal e eterno. A Palavra de Deus afirma: “É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é (e não será) Cristo, o Senhor” (Lucas 2.11). Veja ainda a promessa que Deus fez a Simeão: “Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor” (Lucas 2:26).

Um outro nome de destaque no Brasil é Luiz Antônio Gaspareto, médium espírita que incorpora pintores famosos, tais como: Renoir, Portinari, Aleijadinho, Rafael, Rembrandt, Van Gogh, Picasso e outros. Foi apresentador do programa Terceira Visão, na TV Bandeirantes, alguns anos atrás. Gaspareto não é o único a pintar através da mediunidade. A mídia impressa publica constatemente matérias, apresentando médiuns que afirmam incorporar pintores já falecidos.

Embora o assunto seja muito propagado e acreditado por muitos, vale a pena ouvir a opinião de Rodrigo Naves, crítico de Arte e professor do Instituto de Artes da Unicamp, registrada no artigo aqui mencionado.

O Crítico diz que os quadros sugerem semelhanças muito superficiais com o estilo dos nomes que os assinam e que as diferenças são muito maiores que as ligeiras semelhanças. Naves acrescenta ainda que os quadros pintados por médiuns são obras “tão somente de má qualidade”. (7/03/1993, pp. 4-6)

Vale citar também Mirna Grizich, reconhecida como a “guru dos cristais” desde de 1980. Estudou no famoso centro de terapias alternativas, o Esalen Institute, na Califórnia, EUA. É produtora e apresentadora da Rádio Eldorado (São Paulo), Rádio Guarani (Belo Horizonte), Rádio Jornal do Brasil e Rádio Globo, do Rio de Janeiro, com programas de músicas relacionadas com a Nova Era.

Carmem Lúcia Balhestero promove a Nova Era através de vídeos e fitas cassetes. É a fundadora da Fraternidade Pax Universal e tem como guia Saint Germanin, uma misteriosa figura de um alquimista francês que apareceu em diversas épocas.

A INFLUÊNCIA EXTERNA

Alguns nomes estrangeiros têm exercido muita influência em promover os conceitos da Nova Era no Brasil. Shirley MacLaine, uma atriz de Hollywood, já visitou o Brasil, e tem vários livros traduzidos para o português: Dançando na Luz, Minhas Vidas, Não Caia da Montanha, A vida é um Palco, Você Também Pode Chegar Lá e Em Busca do Eu. Shirley MacLaine talvez seja uma das pessoas que mais tem contribuído para a divulgação da Nova Era nos dias atuais.

Fritjof Capra, com doutorado em física pela Universidade de Viena, na Áustria, é outro estrangeiro que tem vindo ao Brasil dirigir palestras, tentando passar a idéia de que existe um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental.

Em seu livro, O Tao da Física, ela narra uma experiência que teve sentado na praia numa tarde de verão. Como físico, ele sabia que a areia, as rochas, a água e o ar eram feitos de moléculas e átomos. Capra relata:

Assim, “vi” cascatas de energia cósmica, provenientes do espaço exterior, cascatas nas quais, em pulsações rítmicas, partículas eram criadas e destruídas. “Vi” os átomos dos elementos – bem como aqueles pertencentes a meu próprio corpo – participarem desta dança cósmica de energia. Senti o seu ritmo e “ouvi” o seu som. Nesse momento compreendi que se tratava da Dança de Shiva, o Deus dos dançarinos, adorado pelos hindus. [4]

O próprio Capra declara que se tornara interessado no misticismo oriental, o que certamente o levou a ver nos átomos dos elementos a Dança de Shiva, numa experiência meramente subjetiva. Se Capra fosse interessado nos cultos afro-brasileiros, e não no hinduísmo, sua conclusão teria sido diferente. Ao invés de ver nos átomos a Dança de Shiva, ele teria visto a Dança dos Orixás.

O MAGO DA NOVA ERA

É na pessoa de Paulo Coelho que o Movimento da Nova Era tem uma de suas maiores expressões no Brasil. Coelho nasceu no Rio de Janeiro em 1947. Houve um período em sua vida em que se envolveu com teatro, trabalhando como ator e diretor.

Aos 25 anos, passou a dedicar-se a música e ao jornalismo, editando em 1972 a revista 2001, que retratava o pensamento da década de 70. Foi nessa época que iniciou os estudos de magia e ocultismo, que o levaram a ingressar em diversas “ordens místicas”, participando de cursos em várias partes do mundo.

Em 1986, depois de percorrer a pé a rota medieval de Santiago de Compostela, escreveu o livro O Diário de Um Mago. No ano seguinte foi a vez de O Alquimista. Depois veio Brida, As Valkírias e Nas Margens do Rio Piedras Eu Sentei e Chorei. Todos estes têm estado na lista dos mais vendidos, e alguns já foram traduzidos pra diversas línguas.

Do ponto de vista bíblico, Paulo Coelho é um homem confuso espiritualmente e é lamentável que uma multidão de pessoas abrace ingenuamente suas idéias. Embora afirme ser católico romano, consegue ao mesmo tempo crer na reencarnação, crença condenada claramente pelo catolicismo. No livro As Valkírias, Paulo Coelho declara:

O Universo está povoado de anjos. São eles que nos trazem a esperança, como o que anunciou aos pastores que um messias havia nascido. [5]

Embora a Nova Era diga que muitos messias já desfilaram pelo mundo, a Palavra de Deus jamais se referiu a Jesus como um messias, mas como o Messias.

Veja a declaração do apóstolo Pedro em Mateus 16.16: “Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (Cristo é o equivalente no grego do Novo Testamento para o termo Messias no Antigo Testamento).

Em Atos 4.12, Pedro afirma ainda: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. O próprio Jesus declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. (João 14:6).

Jesus não disse que era um dos caminhos, mas o caminho. Ele não é um messias, como escreveu Paulo Coelho, mas o Messias. Veja ainda Lucas 2.11 e João 4.29.

Há alguns outros conceitos (biblicamente errados) no livro As Valkírias que precisam de uma avaliação. Observe as seguintes declarações:

Todo mundo pode contatar quatro tipos de entidades no mundo invisível: os elementais, os espíritos desencarnados, os santos, e os anjos. Os elementais são as vibrações das coisas da natureza – do fogo, da terra, da água e do ar – e nós os contatamos por meio do ritual.

São forças puras – como os terremotos, os raios ou os vulcões. Porque precisamos entendê-los como ‘seres’, aparecem sob a forma de duendes, de fadas, de salamandras”. [6]

A crença de que podemos entrar em contato com os elementais da natureza, tais como duendes, fadas e salamandras, não passam na verdade de apenas contos de fadas. Bem alertou o apóstolo Paulo, quando escreveu a Timóteo:

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Tm. 4.3,4).

O interessante é que muitos pais tentam explicar aos seus filhos que fadas e duendes não existem, que não passam de fábulas. Agora, não apenas as crianças devem ser lembradas disso, mas também muitos adultos com formação universitária (e até professores de universidades!).

O que Paulo disse na carta aos Romanos descreve bem essa gente: “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança de imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém”. (Rm. 1.22, 23, 25).

De acordo com As Valkírias, “os espíritos desencarnados são aqueles que estão vagando entre uma vida e outra, e nós os contatamos por meio da mediunidade” (p.71). A Bíblia condena claramente o contato com os espíritos dos que já morreram:

“Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos” (Dt. 18.10, 11). Veja também Is. 8.19,20.

Depois, aparecem os santos. Paulo Coelho diz que eles são contatados pela oração. Observe que ele diz: “Invocamos os santos pela oração constante (...) E quando eles estão perto, tudo se transforma. Os milagres acontecem” (p. 72).

Ao contrário do que afirma Coelho, a Bíblia em nenhum lugar ensina a fazer oração às pessoas que já morreram. Tanto Maria quanto Pedro, Judas Tadeu, João e outros, não poderiam ouvir as orações feitas em diferentes partes do mundo, pois não são oniscientes e nem onipresentes.

Estes são atributos exclusivos de Deus e, sendo assim, somente Ele tem o poder de ouvir tais orações. Orar aos santos é tentar comunicar-se com os mortos, algo condenado pela Bíblia e já discutido anteriormente neste trabalho.

A Palavra de Deus ensina a orar a Jesus, como Estevão em Atos 7.59, 60. A última oração na Bíblia também foi dirigida à Jesus: “Vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22.20). A Bíblia ensina ainda que o cristão deve orar ao Pai em nome de Jesus (João 15.16) e que “a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo” (1 João 1.3).

Veja o exemplo de oração que o apóstolo Paulo transmite aos crentes de Éfeso: “Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda a família, tanto no céu como sobre a terra” (Efésios 3.14, 15). O próprio Deus nos ordena a clamar a Ele: “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei cousas grandes e ocultas, que não sabes” (Jeremias 33.3).

Por último, as entidades do mundo invisível, de acordo com este livro de Paulo Coelho, podem ser contatadas por meio da canalização (p. 78). Canalização é o processo onde um médium, ao entrar em transe, entra em contato com algum espírito, a consciência cósmica superior ou alguma entidade, passando a receber e transmitir as mensagens deste espírito.

Não há dúvida, à luz da Palavra de Deus, de que tais entidades são demônios, como advertiu o apóstolo Paulo: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1 Timóteo 4.1). João advertiu: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito: antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora” (1 João 4.1).

De fato, uma onda mística tomou conta do Brasil em muitos níveis e segmentos da sociedade. As religiões orientais, idéias como a da reencarnação, ufologia (discos voadores), meditação transcendental, yoga, comunicação com os mortos, duendes, gnomos, fadas, astrologia e todo o tipo de adivinhação conseguem enganar uma multidão, em pleno final do século vinte, em meio a um fantástico desenvolvimento tecnológico.

Bem disse o Senhor através do profeta Jeremias: “Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (2.13).

O ser humano fez tremendo progresso no campo da ciência, mas espiritualmente continua um grande fracasso, em desesperada necessidade de um relacionamento de amor e paz com o Deus único e verdadeiro por meio de Jesus Cristo, o único que tem as palavras de vida eterna (João 6.68).
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[1] Elliot Miller, A Crash Course on the New Age Movement, Baker Book House, Grand Rapids, Michigan, EUA, 1989, p. 15.

[2] Revista Veja. 29 de julho, 1992, p. 110.

[3] Lauro Trevisan. Os Poderes de Jesus Cristo, Livraria Editora e Distribuidora da Mente Ltda., Santa Maria, RS, 1983, p. 59.

[4] Fritjof Capra. O Tao da Física, Editora Cultrix, São Paulo, SP, 1975, 1983, p. 13.

[5] Paulo Coelho. As Valkírias, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1992, p. 38.

[6] Ibid., p. 70.

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

BISPO PREVÊ FIM DA IGREJA

Dirigente da Nova Vida aponta o mundanismo como problema no Brasil

Observador do seu tempo

Dirigente da Igreja Cristã Nova Vida, Walter McAlister fala do legado do pai e constata que a fé evangélica mudou muito

Por Carlos Fernandes

Durante muitos anos, a voz de sotaque inconfundível foi familiar aos crentes brasileiros: “Que Deus os abençoe rica e abundantamente”, dizia o fundador da Igreja Pentecostal de Nova Vida pelas ondas da Rádio Relógio Federal. O missionário canadense Robert McAlister, carinhosamente conhecido no Brasil como bispo Roberto, teve papel destacado na inserção do Evangelho entre as classes médias urbanas. A denominação que fundou ajudou a mudar o conceito da sociedade acerca dos evangélicos – e, passados dezesseis anos de sua morte, seu legado é incontestável. “Ele deixou um exemplo de seriedade e valorizou a vocação pastoral”, diz, com orgulho, seu filho e sucessor no ministério, Walter McAlister Jr.

Mas os tempos e a Igreja Evangélica são outros. E Walter, mais do que ocupar o púlpito que um dia foi de Roberto, hoje é um analista do segmento no qual nasceu, cresceu e construiu sua carreira ministerial. Aos 53 anos, o bispo está lançando O fim de uma era (Anno Domini), livro no qual fala como observador e participante ativo do movimento evangélico nacional, com todas as suas facetas, crises e paradoxos. Mas a experiência própria não é a única credencial que ostenta – Walter, nascido nos Estados Unidos e naturalizado brasileiro, tem uma sólida formação acadêmica e teológica, que inclui os cursos de graduação e mestrado em disciplinas como psicologia e estudos bíblicos na América do Norte. Ordenado ministro do Evangelho em 1980, ele hoje é o bispo primaz e presidente do Colégio dos Bispos da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida, entidade que agrega 140 congregações.

O quadro que emerge de seu livro não é animador. Walter prevê o fim da Igreja – não o corpo místico de Cristo, que segundo ele “nunca falirá”, mas o atual conceito de igreja no Brasil. “A Igreja Evangélica hoje não cresce, incha. A diferença é que um corpo, quando cresce, mostra saúde; já o inchaço é sintoma de alguma doença”, aponta. Como outros indícios desse mal, o bispo aponta a superficialidade, o mundanismo, a falta de ética e a corrupção. “Aliás, no que tange à corrupção do mundo secular, ela em pouco difere da que se alastra nos meios cristãos”, lamenta. Durante esta conversa com CRISTIANISMO HOJE, Walter McAlister admitiu que lhe dói o coração ver a situação da Igreja contemporânea: “Queria ser mais gentil. Mas há momentos em que se faz necessário e urgente dizer a verdade dura, mesmo que isso nos custe muito.”

CRISTIANISMO HOJE – Em O fim de uma era, o senhor analisa a Igreja contemporânea, e o quadro que traça não é nada animador. Trata-se de uma instituição falida?

WALTER MCALISTER – Não, a Igreja nunca falirá. Ela é o corpo de Cristo e consegue sempre atravessar os séculos, mesmo que seja por meio de um remanescente fiel. Mas O fim de uma era trata do conceito atual de igreja no Brasil, e este sim, está prestes a falir. Ela está à beira de uma série de mudanças que serão percebidas como o fim, se não da Igreja como um todo, certamente de um “sonho” ou de um ideal que hoje ocupa o imaginário cristão.

No livro, o senhor chega a falar até mesmo do fim do atual modelo de cristianismo ocidental. Caso esteja certo em seu prognóstico, o que virá depois dele?

Historicamente, o que geralmente se segue a épocas como a nossa é um período de perdas, perseguições e desencanto. Os que se preparam para tais épocas promovem reflexão, semeando para uma nova era de vigor e devoção. Em primeira instância, haverá muito choro, revolta e medo. Haverá quem vá perguntar o que deu errado e os que se calarão, pasmos pelas perdas. Muitos fugirão dos líderes desacreditados. As coisas podem piorar ainda mais. Mas há sempre a possibilidade de renovação em meio aos escombros. O remanescente fiel se voltará para Deus em oração. Haverá redutos de oração intercessória, contrição e comunhão.

Alguns demógrafos preveem que os crentes poderão ser metade da população nacional já por volta da década de 20 deste século. Poucas nações do mundo experimentaram avanço tão notável de um segmento religioso na história contemporânea, fato que é muito festejado por líderes evangélicos – e criticado por outros tantos, que não têm enxergado qualquer mudança significativa na sociedade a partir dessa maior presença evangélica. É um paradoxo?

A Igreja Evangélica no Brasil hoje não cresce, incha. A diferença é que um corpo, quando cresce, mostra saúde; já o inchaço é sintoma de alguma doença. A qualidade da nossa devoção coletiva caiu muito, embora os nossos números tenham crescido. Os que não veem mudança estão equivocados. Mudou muita coisa, sim. No livro, mostro que tanto a sociedade quanto a Igreja Evangélica visível se tornaram mais superficiais, mais fascinadas pelos meios, mais gananciosas – e ficaram menos éticas e menos sérias. Aliás, no que tange à corrupção do mundo secular, ela em pouco difere da corrupção que se alastra nos meios cristãos.

Cada vez mais pessoas famosas, como artistas e celebridades, têm frequentado igrejas, mas essa alegada conversão parece não interferir em seu comportamento. Qual o preço disso para a fé evangélica?

A fé foi banalizada e transformada numa filosofia vazia. Em grande parte, a Igreja perdeu a sua alma. O fato de celebridades afirmarem conversão sem o necessário fruto de arrependimento é o resultado direto, e mais visível, de uma distorção da mensagem cristã. Afirmar que uma profissão pública de fé é o suficiente para que alguém se considere salvo reduz o conceito da salvação a um momento de decisão apenas. Mas Tiago disse que fé sem obras é morta. Muitos chegarão a Cristo, no último dia, fazendo uma “profissão” de fé. Mas obterão uma resposta condenatória, por eles terem praticado o mal. Paulo disse que o justo viverá pela fé, mas também disse que haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça, conforme Romanos 2.7 e 8.


O senhor aponta os líderes evangélicos como grandes responsáveis pela crise da Igreja. Qual a sua avaliação sobre a liderança evangélica brasileira?

A liderança evangélica brasileira reúne de tudo um pouco. Ocupamos um espectro largo, que vai dos mais corruptos e hipócritas aos mais piedosos e angustiados com a situação atual. Há homens muito bons no Brasil que querem servir ao Senhor, mas são pressionados, qual Arão, a fabricar bezerros de ouro para agradar o povo e garantir, por exemplo, uma reeleição a seu posto. Mas também há lideres que vendem seus púlpitos a agendas políticas, ou pior, traem sua vocação sacerdotal se candidatando pessoalmente a cargos eletivos. Há mercantilistas que usam o Evangelho como desculpa para vender seus produtos na TV, enriquecer ou obter benesses de poderosos. Para eles, a Bíblia é um pretexto e não uma autoridade. São pessoas equivocadas ou corruptas, que criam igrejas vaidosas, vazias e superficiais. Por outro lado, há homens que se dedicam, de corpo e alma, ao serviço do povo de Deus. Não são famosos, mas estão dando sua vida em prol do rebanho do Senhor.

Por que a Igreja contemporânea tem abandonado temas antes considerados inegociáveis, como arrependimento, justificação pela fé, juízo de Deus, céu e inferno e segunda vinda de Cristo?

Porque essas não são mensagens populares. Elas incomodam aqueles que procuram na fé apenas um meio de alcançar bem estar. Somos uma civilização narcisista, uma sociedade que define o mundo a partir da sua própria vontade. Como já aconteceu inúmeras vezes ao longo da história da Igreja, a proclamação do Evangelho hoje rende-se muitas vezes às questões do dia a dia, da moda ou dos anseios da sua geração.

E quanto aos assuntos básicos da fé e da prática evangélica, como batismo, liturgia e pecado? Na sua opinião, as igrejas têm falhado no ensino?

A Igreja sofre, de modo geral, de um analfabetismo bíblico e teológico, bem como uma miopia histórica surpreendente. Pelo nível de ignorância bíblica que percebo na maioria dos cristãos, associado à ausência de piedade demonstrada pelo povo de Deus, eu diria que alguém está deixando a dever. Esse problema não acha sua fonte no rebanho, mas nos pastores. É bom lembrar que foram os líderes das sete igrejas do Apocalipse que foram cobrados pela condição dos rebanhos.

Evangélicos sempre criticaram católicos por suas concessões à religiosidade popular e às superstições religiosas. A Igreja Evangélica brasileira pratica hoje uma fé sincrética?

Sem dúvida! No que diz respeito à religiosidade popular, já ultrapassamos os católicos. Aliás, de uns tempos para cá, os católicos até estão copiando as nossas práticas populares.

É possível falar-se em unidade do Corpo de Cristo diante da infinidade de igrejas e denominações que existem hoje?

A unidade do Corpo de Cristo não é um projeto, é um fato. Ao mesmo tempo, Paulo disse que é necessário que haja divisões entre nós para que os aprovados sejam conhecidos, conforme I Coríntios 11. Logisticamente, a união institucional é impossível; sempre foi assim, desde a Igreja do primeiro século, com todas as suas divergências e ramificações. Todavia, há uma só Igreja. Quem a vislumbra como um todo vê algo estranhamente animador: há membros da Igreja invisível atuando em todos os arraiais. Há pessoas piedosas, devotadas a Cristo, com todos os seus defeitos, erros de doutrina e diferenças, que estão contribuindo para o crescimento do Reino de Deus.

Por que a evangelização clássica, aquela da visitação a lares e hospitais, dos cultos ao ar livre e do evangelismo pessoal, foi abandonada pelas igrejas?

Bem, não estou ciente de tal abandono. Há ainda muitas igrejas que visitam lares e realizam evangelismo em hospitais ou prisões. Acontece que a comunicação vem sofrendo uma revolução incrível. Talvez, no caso de cultos ao ar livre, eles tenham sido substituídos por novas formas de proclamação. Mas concordo que não há o mesmo zelo por almas perdidas que vi quando jovem. Talvez tenhamos nos tornados frios e sem compaixão pelos que estão se perdendo. É um fato triste e denuncia o esfriamento do nosso amor, inclusive pelo Senhor.

Pode-se dizer que o neopentecostalismo é um movimento de fé genuinamente evangélico?

Antes de tudo, é fundamental aqui definirmos bem os termos evangélico e neopentecostal. Primeiro: o termo neopentecostalismo não é para mim um conceito cronológico, no sentido de um movimento que evoluiu com o passar do tempo a partir do pentecostalismo e que, por isso, configuraria uma nova etapa do pentecostalismo. Nada disso. Quando falo de neopentecostalismo, refiro-me a algo que evoluiu a partir da invasão de valores neoliberais e materialistas na periferia do antigo pentecostalismo. O que resultou dessa mutação é uma espiritualidade formada em função de valores e anseios seculares, mundanos.

O que deu certo e o que deu errado no neopentecostalismo brasileiro?

O que deu errado é que eles acabaram formando valores anticristãos e levam pessoas a segui-los. Nesse caso, expandir esse tipo de fé não é nenhum mérito – na verdade, é um problema. O que deu certo – e eu não diria que “deu certo”, mas que funcionou – para o neopentecostalismo foi atender certos anseios das massas, no que se refere aos desejos dessa geração, e oferecer soluções fáceis, como qualquer profissional de marketing faria. O povo se sente explorado, impotente e vitimado. Assim, a oferta de uma certa ilusão de poder adquirido é tudo o que o povo quer. Por isso, os neopentecostais crescem numa velocidade impressionante.

A fé como produto de consumo, onde a bênção está diretamente ligada à atitude do devoto diante da organização religiosa, é a ênfase na mídia produzida pelos grupos evangélicos, particularmente na TV. É uma maneira legítima de divulgar a fé?

De forma alguma; é antibíblica, pois Deus fica em segundo plano, enquanto o cliente – o necessitado – fica em primeiro. Em vez de pregar submissão a Deus e confiança na sua vontade, que pode até se manifestar por meio de cura ou resposta a oração, vemos o benefício proclamado como o bem principal. Isso é idolatria. Além do que, a televisão em si é um meio comprometido e incapaz de formar conceitos cristãos. A presença de pastores na televisão é equívoco. Um equívoco bem-intencionado, mas ainda assim um equívoco.

A Igreja Cristã Nova Vida é neopentecostal?

Não a considero neopentecostal, como muitos a classificam, pois ela nem de longe compactua com esses valores e anseios. Somos “neo” por termos sido fundados há pouco tempo, em termos históricos, e somos “pentecostais” por crermos na continuidade dos dons manifestados no dia de Pentecostes. Mas não somos neopentecostais, pois rejeitamos essa espiritualidade mundana e todas as suas práticas. Na verdade, as origens da Igreja Cristã Nova Vida se reportam à Rua Azuza, em Los Angeles, em 1906. Meu tio-bisavô, R.E. McAlister, levou a mensagem pentecostal de lá para o Canadá, onde ajudou a fundar as Assembleias de Deus canadenses. Seu sobrinho, Walter – meu avô –, foi superintendente nacional durante os anos 50 e o filho dele, Robert, foi o nosso fundador. Fomos fundados, então, em cima dos firmes alicerces de Azuza e não de movimentos análogos posteriores. Assim, meu pai não “brotou” no Brasil com uma nova teologia inventada; ele deu continuidade à teologia clássica que vinha se desenvolvendo em seu país desde o avivamento de Azuza.

Seu pai, carinhosamente chamado pelos crentes brasileiros de bispo Roberto, teve participação direta na explosão do neopentecostalismo. Diversos líderes dessa corrente – Edir Macedo, fundador da Igreja Universal; Romildo Soares, que deu origem à Igreja da Graça; e Miguel Ângelo, da Cristo Vive – são oriundos da Igreja de Nova Vida e foram seguidores de Roberto. Olhando agora em perspectiva, como o senhor avalia este legado? Acha que o bispo McAlister cometeu equívocos em sua trajetória ministerial?

Todos cometem equívocos. Mas qualquer pessoa com um mínimo de informações não estereotipadas e superficiais sobre o bispo Roberto sabe que não se pode atribuir as práticas neopentecostais negativas aos equívocos do meu pai. Veja que muitos ex-católicos fundaram seminários evangélicos conceituados, mas ninguém aponta o papa como pai desses seminários. Ora, do mesmo modo, é um equívoco apontar meu pai como ligado diretamente a esses movimentos. O fato de a Nova Vida ter sido o lugar onde esses líderes começaram sua jornada cristã não faz de meu pai seu mentor. Basta ler seus livros, como O encontro real, Dinheiro – Um assunto altamente espiritual e Bem-vindo ao Reino de Deus, entre outros, para perceber que, mais de trinta anos atrás, ele já denunciava como negativas as práticas que depois se tornariam tão conhecidas e associadas ao mundo neopentecostal.

Por que a Nova Vida dividiu-se em duas correntes?

Porque houve quem não concordasse com a direção que dei à denominação após a morte de meu pai. Houve ainda quem vislumbrasse outro para sucedê-lo como primaz. Eles estavam no seu direito de achar isso.

Isso não foi resultado da descentralização administrativa, já que cada igreja local recebeu autonomia?

Bem, vamos considerar que ajuntamento de facções não constitui união. Ao darmos independência, cada um pôde escolher pertencer ou não. A união tornou-se muito mais legítima, uma vez que passou a ser uma questão do coração e não de um nome em comum apenas. A Igreja Cristã Nova Vida é uma associação voluntária de igrejas independentes, que afirmam o bispo primaz como o seu pastor. Mas cada pastor opta livremente por seguir minha liderança, que é pastoral em palavra e exemplo. Os líderes que não desejam continuar a andar conosco estão perfeitamente livres para sair, sem perder pensão ou plano de saúde, nem tampouco a sua igreja. A minha atuação, assim como a do Colégio de Bispos, funciona como numa igreja local – só que os nossos membros são ministros ordenados. Nós velamos pelo bem estar de cada pastor, pela ética, pela harmonia doutrinária e pela transparência e a responsabilidade fiscal. Os que desejam andar conosco empenham sua palavra de viver dentro desses parâmetros, afirmados anualmente na assinatura da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida.

Uma reunificação das diferentes vertentes hoje faria sentido?

Isso não me parece plausível. Uma reunificação teria de passar pelas mesmas questões que nos separaram desde o início. Hoje existem muitas “Novas Vidas”, igrejas que saíram de nós e de algum modo mantêm o, digamos, sobrenome por se reportarem ao bispo Roberto como fundador. Não há planos para reunificá-las. Acho que seria como querer transformar o português, o espanhol e o francês novamente em latim. Muito tempo passou, doutrinas foram reavaliadas, posturas foram firmadas e cada linha de atuação acabou por se distanciar das outras. Embora tenhamos esse mesmo sobrenome, somos igrejas realmente diferentes.

As diferenças entre igrejas tradicionais e pentecostais já não têm a mesma diferença de outros tempos. É como se houvesse uma terceira via teológica, misturando as características dos dois grupos. O senhor acha isso bom ou ruim?

Para responder, é preciso analisar caso a caso. Há igrejas tradicionais que realizam cultos nos moldes neopentecostais. Não creio que isso seja benéfico. Pelo contrario, é um modus operandi esquizofrênico, pois nos cultos tradicionais essas pessoas abraçam as máximas da tradição, mas em determinados momentos abandonam essas máximas para desfrutar de métodos neopentecostais. Por outro lado, há pentecostais que estão se reavaliando. E, consequentemente, buscando trazer do passado práticas e noções bíblicas e benéficas que claramente foram perdidas durante a ruptura entre os tradicionais e os pentecostais, para não falar da ruptura que houve durante a Reforma Protestante. Concordo que houve uma mistura e creio que cada igreja seria muito bem servida pelos seus lideres se voltasse a valorizar suas próprias origens. Afinal, uma tradição não é uma prisão, e sim um lar.

O senhor diz em seu livro que se sente solitário no ministério. Quais os reflexos dessa solidão na vida de um ministro do Evangelho?

Essa solidão nos remete ao silêncio e a uma reavaliação constante de motivações. Ou vivemos perante a face de Deus intencionalmente ou buscamos nos outros a justificação de nosso ministério e nossa vida. O primeiro é um caminho difícil, mas necessário. O segundo é vaidade e correr atrás do vento.

Data: 3/2/2010
Fonte: Cristianismo Hoje / CREIO

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