sexta-feira, 25 de junho de 2010

O QUE ACONTECEU COM OS EVANGÉLICOS? por Rev. Dr. Augustus Nicodemus Lopes



Quando Paulo Romeiro escreveu Evangélicos em Crise em meados da década de 90, ele apenas tocou em uma das muitas áreas em que o evangelicalismo havia entrado em colapso no Brasil: a sua incapacidade de deter a proliferação de teologias oriundas de uma visão pragmática e mercantilista de igreja, no caso, a teologia da prosperidade.

Fica cada vez mais claro que os evangélicos estão atualmente numa crise muito maior, a começar pela dificuldade – para não falar da impossibilidade – de ao menos se definir hoje o que é ser evangélico.


Até pouco tempo, “evangélico” indicava vagamente aqueles protestantes de entre todas as denominações – presbiterianos, batistas, metodistas, anglicanos, luteranos e pentecostais, entre outros, que consideravam a Bíblia como Palavra de Deus, autoritativa e infalível, que eram conservadores no culto e nos padrões morais, e que tinham visão missionária.


Hoje, no Brasil, o termo não tem mais essa conotação. Ele tem sido usado para se referir a todos os que estão dentro do cristianismo em geral e que não são católicos romanos: protestantes históricos, pentecostais, neopentecostais, igrejas emergentes, comunidades dos mais variados tipos, etc.


É evidente a crise gigantesca em que os evangélicos se encontram: a falta de rumos teológicos definidos, a multiplicidade de teologias divergentes, a falta de uma liderança com autoridade moral e espiritual, a derrocada doutrinária e moral de líderes que um dia foram reconhecidos como referência, o surgimentos de líderes totalitários que se auto-denominam pastores, bispos e apóstolos.


A conquista gradual das escolas de teologia pelo liberalismo teológico, a falta de padrões morais pelos quais ao menos exercer a disciplina eclesiástica, a depreciação da doutrina, a mercantilização de várias editoras evangélicas que passaram a publicar livros de linha não evangélica, e o surgimento das chamadas igrejas emergentes. A lista é muito maior e falta espaço nesse post.


Recentemente um amigo meu, respeitado professor de teologia, me disse que o evangelicalismo brasileiro está na UTI. Concordo com ele. A crise, contudo, tem suas raízes na própria natureza do evangelicalismo, desde o seu nascedouro.


Há opiniões divergentes sobre quando o moderno evangelicalismo nasceu. Aqui, adoto a opinião de que ele nasceu, como movimento, nas décadas de 50 e 60 nos Estados Unidos. Era uma ala dentro do movimento fundamentalista que desejava preservar os pontos básicos da fé (veja meu post sobre Fundamentalismo), mas que não compartilhava do espírito separatista e exclusivista da primeira geração de fundamentalistas.


A princípio chamado de “neo-fundamentalismo”, o evangelicalismo entendia que deveria procurar uma interação maior com questões sociais e, acima de tudo, obter respeitabilidade acadêmica mediante o diálogo com a ciência e com outras linhas dentro da cristandade, sem abrir mão dos “fundamentos”.


Eles queriam se livrar da pecha de intransigentes, fechados, bitolados e obscurantistas, ao mesmo tempo em que mantinham doutrinas como a inerrância das Escrituras, a crença em milagres, a morte vicária de Cristo, sua divindade e sua ressurreição de entre os mortos. Eram, por assim dizer, fundamentalistas esclarecidos, que queriam ser reconhecidos academicamente, acima de tudo.


O que aconteceu para o evangelicalismo chegasse ao ponto crítico em que se encontra hoje? Tenho algumas idéias que coloco em seguida.


1. O diálogo com católicos, liberais, pentecostais e outras linhas sem que os pressupostos doutrinários tivessem sido traçados com clareza. Acredito que podemos dialogar e aprender com quem não é reformado. Contudo, o diálogo deve ser buscado dentro de pressupostos claros e com fronteiras claras. Hoje, os evangélicos têm dificuldades em delinear as fronteiras do verdadeiro cristianismo e de manter as portas fechadas para heresias.


2. A adoção do não-exclusivismo como princípio. Ao fazer isso, os evangélicos começaram a abrir a porta para a pluralidade doutrinária, a multiplicidade de eclesiologias e o relativismo moral, sem que tivessem qualquer instrumento poderoso o suficiente para ao menos identificar o que estivesse em desacordo com os pontos cruciais.


3. O abandono gradual da aderência a esses pontos cruciais com o objetivo de alargar a base de comunhão com outras linhas dentro da cristandade. Com a redução cada vez maior do que era básico, ficou cada vez mais ampla a definição de evangélico, a ponto de perder em grande parte seu significado original.


4. O abandono da confessionalidade, dos grandes credos e confissões do passado, que moldaram a fé histórica da Igreja com sua interpretação das Escrituras. Não basta dizer que a Bíblia não tem erros. Arminianos, pelagianos, socinianos, unitários, eteroteólogos, neopentecostais – todos afirmarão isso.


O problema está na interpretação que fazem dessa Bíblia inerrante. Ao jogar fora séculos de tradição interpretativa e teológica, os evangélicos ficaram vulneráveis a toda nova interpretação, como a teologia relacional, a teologia da prosperidade, a nova perspectiva sobre Paulo, etc.


5. A mudança de uma orientação teológica mais agostiniana e reformada para uma orientação mais arminiana. Isso possibilitou a entrada no meio evangélico de teologias como a teologia relacional, que é filhote do arminianismo. Permitiu também a invasão da espiritualidade mística centrada na experiência, fruto do reavivalismo pelagiano de Charles Finney.


Essa mudança também trouxe a depreciação da doutrina em favor do pragmatismo, e também o antropocentrismo no culto, na igreja e na missão, tudo isso produto da visão arminiana da centralidade do homem.


Mas talvez o pior de tudo foi a perda da cosmovisão reformada, que serviria de base para uma visão abrangente da cultura, ciência e sociedade, a partir da soberania de Deus sobre todas as áreas da vida. Sem isso, o evangelicalismo mais e mais tem se inclinado a ações isoladas e fragmentadas na área social e política, às vezes sem conexão com a visão cristã de mundo.


6. Por fim, a busca de respeitabilidade acadêmica, não somente da parte dos demais cristãos, mas especialmente da parte da academia secular. Essa busca, que por vezes tem esquecido que o opróbrio da cruz é mais aceitável diante de Deus do que o louvor humano, acabou fazendo com que o evangelicalismo, em muitos lugares, submetesse suas instituições teológicas aos padrões educacionais do Estado e das universidades.


Padrões esses comprometidos metodológica, filosófica e pedagogicamente com a visão humanística e secularizada do mundo, em que as Escrituras e o cristianismo são estudados de uma perspectiva não cristã. Abriu-se a porta para o velho liberalismo.


Não há saída fácil para essa crise. Contudo, vejo a fé reformada como uma alternativa possível e viável para a igreja evangélica brasileira, desde que se mantenha fiel às grandes doutrinas da graça e aos lemas da Reforma, e que faça certo aquilo que os evangélicos não foram capazes de fazer:


(1) dialogar e interagir com a diversidade delineando com clareza as fronteiras do cristianismo;
(2) abandonar o inclusivismo generalizado e adotar um exclusivismo inteligente e sensível;
(3) voltar a valorizar a doutrina, especialmente os pontos fundamentais da fé cristã expressos nos credos e confissões, que moldaram os inícios do movimento evangélico.


Talvez assim possamos delinear com mais clareza os contornos da face evangélica em nosso país.

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Augustus Nicodemus Lopes é pastor presbiteriano. Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte (Recife), mestre em Novo Testamento pela Universidade Reformada de Potchefstroom (África do Sul) e doutor em Interpretação Bíblica pelo Westminster Theological Seminary (EUA), com estudos no Seminário Reformado de Kampen (Holanda). É chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro.


Fonte: [ CACP ] - Via: [ Bereiano ] - BEREIANO - APOLOGÉTICA

terça-feira, 25 de maio de 2010

UM DOS PRINCIPAIS DEVERES DE UM MINISTRO CRISTÃO É COMBATER FALSAS DOUTRINAS

Ordenando aos Hereges por Vincent Cheung


Partindo eu para a Macedônia, roguei-lhe que permanecesse em Éfeso para ordenar a certas pessoas que não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé. (1 Timóteo 1:3-4)

Um dos principais deveres de um ministro cristão é combater falsas doutrinas. Paulo provavelmente tinha algo definido em mente quando escreveu a Timóteo. É possível que a igreja estivesse sendo ameaçada com um precursor do gnosticismo, ou de alguma forma de misticismo judaico, ou uma mistura dos dois. O contexto histórico exato não é essencial para o entendimento e aplicação dessa passagem, visto que Paulo primeiro declara um princípio amplo, que Timóteo deve por um fim a homens que ensinam “falsas doutrinas”. Ele não pretende dizer que essas falsas doutrinas particulares deveriam ser detidas, mas todas as outras são permitidas. Todas as falsas doutrinas devem ser detidas.

Um ministro cristão que esteja indisposto ou que seja incapaz de fazer isso é um devedor, e introduz uma vulnerabilidade à sua igreja. Ele poderia estar indisposto de se opor a falsas doutrinas por não considerar que doutrinas sejam algo essencial. Mas elas são essenciais, visto que fornecem definição e orientação com respeito a cada aspecto da fé cristã. Não existe nenhuma fé cristã, e dessa forma nenhum conhecimento de Deus e de Cristo, nenhuma salvação, nenhuma justificação e santificação, nenhuma adoração a Deus, nenhuma comunhão com os santos, e nenhuma esperança de vida eterna, sem as doutrinas cristãs. Sem doutrinas, não há nada. Então, um ministro poderia ser incapaz de se opor às falsas doutrinas porque teme confrontar os heréticos, ou porque careça de conhecimento e inteligência para refutá-los. Seja qual for a razão, essa é uma séria deficiência num ministro, e desse ser tratada com extrema urgência.

Não devemos permitir que o mundo nos ensine como lidar com os falsos mestres. Alguns ministros têm maior respeito pelos padrões não cristãos de cortesia acadêmica do que pelo Senhor Jesus Cristo. E se eles querem parecer intelectuais e respeitáveis diante do mundo, e polidos de acordo com o padrão do mundo, então não prestam para serem pregadores do evangelho. Paulo não diz a Timóteo que dialogue com os falsos mestres, ou aprenda a perspectiva deles, mas que ordene-os a parar.

Algumas pessoas pensam que a melhor forma de lidar com falsas doutrinas é debatê-las num fórum público, de forma que os cristãos possam ouvir os dois lados e decidirem por si próprios. Novamente, essa visão procede do mundo, e impõe democracia e liberdade de expressão na política da igreja. A Igreja do Deus Vivo não é uma democracia. Jesus Cristo é Rei – sua opinião é verdade, e seu mandamento é lei. Ninguém tem o direito de se opor a ele ou expressar visões alternativas. Sem dúvida, seus ministros podem debater falsas doutrinas, mostrando de que formas esses ensinos são errôneos, mas eles não podem fazer isso interminavelmente, e eles devem falar com autoridade, ordenando que os falsos mestres cessem com as suas heresias.

_________________________

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto

Fonte: http://www.monergismo.com/
Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org/ministerio-pastoral/ordenando-aos-hereges-vincent-cheung.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+sociedadecalvinista+%28Sociedade+Calvinista%29#ixzz0omKr5tul

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domingo, 23 de maio de 2010

ORDENANDO AOS HEREGES pelo Rev. Vicent Cheung

Partindo eu para a Macedônia, roguei-lhe que permanecesse em Éfeso para ordenar a certas pessoas que não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé. (1 Timóteo 1:3-4)
Um dos principais deveres de um ministro cristão é combater falsas doutrinas. Paulo provavelmente tinha algo definido em mente quando escreveu a Timóteo. É possível que a igreja estivesse sendo ameaçada com um precursor do gnosticismo, ou de alguma forma de misticismo judaico, ou uma mistura dos dois. O contexto histórico exato não é essencial para o entendimento e aplicação dessa passagem, visto que Paulo primeiro declara um princípio amplo, que Timóteo deve por um fim a homens que ensinam “falsas doutrinas”. Ele não pretende dizer que essas falsas doutrinas particulares deveriam ser detidas, mas todas as outras são permitidas. Todas as falsas doutrinas devem ser detidas.

Um ministro cristão que esteja indisposto ou que seja incapaz de fazer isso é um devedor, e introduz uma vulnerabilidade à sua igreja. Ele poderia estar indisposto de se opor a falsas doutrinas por não considerar que doutrinas sejam algo essencial. Mas elas são essenciais, visto que fornecem definição e orientação com respeito a cada aspecto da fé cristã. Não existe nenhuma fé cristã, e dessa forma nenhum conhecimento de Deus e de Cristo, nenhuma salvação, nenhuma justificação e santificação, nenhuma adoração a Deus, nenhuma comunhão com os santos, e nenhuma esperança de vida eterna, sem as doutrinas cristãs. Sem doutrinas, não há nada. Então, um ministro poderia ser incapaz de se opor às falsas doutrinas porque teme confrontar os heréticos, ou porque careça de conhecimento e inteligência para refutá-los. Seja qual for a razão, essa é uma séria deficiência num ministro, e desse ser tratada com extrema urgência.

Não devemos permitir que o mundo nos ensine como lidar com os falsos mestres. Alguns ministros têm maior respeito pelos padrões não cristãos de cortesia acadêmica do que pelo Senhor Jesus Cristo. E se eles querem parecer intelectuais e respeitáveis diante do mundo, e polidos de acordo com o padrão do mundo, então não prestam para serem pregadores do evangelho. Paulo não diz a Timóteo que dialogue com os falsos mestres, ou aprenda a perspectiva deles, mas que ordene-os a parar.

Algumas pessoas pensam que a melhor forma de lidar com falsas doutrinas é debatê-las num fórum público, de forma que os cristãos possam ouvir os dois lados e decidirem por si próprios. Novamente, essa visão procede do mundo, e impõe democracia e liberdade de expressão na política da igreja. A Igreja do Deus Vivo não é uma democracia. Jesus Cristo é Rei – sua opinião é verdade, e seu mandamento é lei. Ninguém tem o direito de se opor a ele ou expressar visões alternativas. Sem dúvida, seus ministros podem debater falsas doutrinas, mostrando de que formas esses ensinos são errôneos, mas eles não podem fazer isso interminavelmente, e eles devem falar com autoridade, ordenando que os falsos mestres cessem com as suas heresias.

_________________________

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto

Fonte: monergismo.com
Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org/ministerio-pastoral/ordenando-aos-hereges-vincent-cheung.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+sociedadecalvinista+%28Sociedade+Calvinista%29#ixzz0omKr5tul

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

TEOLOGIA DRAG QUEEN


Ao contrário da forma pela qual costumam falar, os defensores da teologia relacional de Deus não estão necessariamente explorando um novo e excitante território. Como disse Salomão, "o que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa que se possa dizer: isso é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós" (Ec 1.9, 10).

O Pregador sabia disso muito bem, tendo experimentado pessoalmente as vãs folias, e suas obras falam sobre o assunto em questão. A doutrina relacionai de Deus é meramente uma reedição de uma das mais detestáveis partes da teologia do século 16, com Socínio. Ou, mais recentemente, a teologia relacionai de Deus é uma versão rebatizada daquilo que tem sido formado na Universidade de Chicago há pelo menos cinqüenta anos sob a liderança da teologia do processo. Provemos a validade do provérbio de Salomão: "não há nada novo debaixo do sol". O ensino relacional de Deus é uma antiga heresia.


Socinianismo

Nos primeiros anos da Reforma, Calvino tinha grande esperança de avançar a doutrina protestante na Polônia. O rei polonês, Sigusmund Augustus, tinha alegremente recebido encorajamento regular e conselhos de Genebra. De fato, Calvino dedicou seu comentário sobre o livro de Hebreus ao rei, que também tinha as Institutas lidas e expostas em sua presença duas vezes por semana por um pastor italiano. Nesse tempo, muitos viam os poloneses como tendo a possibilidade de se desenvolverem em uma nação totalmente protestante, onde a teologia reformada poderia verdadeiramente lançar raízes e florescer. Infelizmente, ainda durante a vida de Calvino, provou-se que esse não era o caso. O povo polonês tornou-se totalmente receptivo à teologia anti-trinitariana, e logo formou uma forte comunidade unitariana-anabatista, que, mais tarde, tomou o nome de seu mais influente mestre, Fausto Socínio.


Fausto nasceu em Siena, Itália, em 1539. Seu tio, Laelius Socínio, foi um teólogo influente, conhecido por experimentar os ensinos anti-trinitarianos e outras extravagâncias heréticas. Laelius se empenhou na discussão teológica com Calvino, Melanchton e Bullinger. Calvino o advertiu sobre os perigos de seus ensinos, mas isso foi em vão. Laelius morreu, sem arrependimento, em 1562, e Fausto continuou a obra de onde seu tio havia parado. Trabalhando com uma hermenêutica altamente racionalista, Fausto Socínio experimentou várias heresias cristológicas enquanto vivia em Lyons, Florença e Basiléia, eventualmente se estabelecendo na Polônia com a já formada Igreja Unitariana. Embora tenha se recusado a ser batizado pela Igreja na Polônia, logo ele se tornou seu mais famoso porta-voz.


Juntamente com seus ensinos anti-trinitarianos, Socínio afirmava a posição pelagiana da expiação (a crucificação serviu como um exemplo para nós, mas o perdão é encontrado somente por meio de nosso próprio arrependimento e boas obras), negando tanto a predestinação quanto a presciência. No fim do século 17, Francis Turretin fez um contraponto com os ensinos de Socínio em suas Institutes of Elenctic Theology. De fato, as Institutas de Turretin parecem um jogo cósmico no qual a bola está presa a um poste, por uma corda, recebendo pancadas de todos os lados, com Socínio sendo espancado em todas as páginas. Embora Socínio defendesse várias outras heresias, é sua posição sobre a presciência de Deus que é mais relevante aqui. Turretin descreve muito bem a posição de Socínio.


“Outra questão de grande importância se refere ao futuro contingente das coisas, o conhecimento do qual os socinianos se esforçam para que Deus estabeleça mais facilmente a diferença entre livre vontade (sua liberdade de toda necessidade, até mesmo daquilo que é geralmente empregado pela presciência de Deus)... eles abertamente afastam dele o conhecimento de contingências futuras como não sendo o tipo de coisas que se possa saber, dizendo que ele absolutamente não as conhece ou que só as conhece como probabilidade indeterminada. Socínio diz: "Já que não há razão, nenhuma passagem da Escritura da qual possa ser claramente inferido que Deus conhece todas as coisas antes que elas aconteçam, nós devemos concluir que não devemos afirmar que Deus tenha essa presciência, especialmente quando muitas razões e o claro testemunho não pedem isso, e até se opõem totalmente a isso".


Teologia do processo


O ensino de Socínio dominou a Polônia durante o século 18 e serviu como precursor do criticismo racionalista do século 19. Uma seita específica que se desenvolveu a partir do criticismo do século 19 foi a teologia do processo, a "filha intelectual" de Alfred Whitehead (1861-1947). Whitehead, filho de um vigário da Igreja da Inglaterra, foi um matemático e filósofo do início do século 20. Whitehead começou a se intrometer em teologia por causa de suas próprias teorias sobre a natureza do tempo e sobre como os eventos acontecem no tempo. Para Whitehead, o processo era fundamental. O tempo, em vez de fluir como uma corrente estável, "vem à existência em pequenas porções". Em cada momento, todas as entidades reais são intuitivamente sentidas (na terminologia de Whitehead, "preendido"). Quando o momento formador culmina, desfrutando de sua imediaticidade subjetiva, então ele preende todas as outras entidades reais. Essa metafísica, embora não muito excitante ao redor da mesa, foi aplicada vigoramente à área da teologia por um dos alunos de Whitehead, Charles Hartshorne.


Embora Whitehead tenha aplicado sua especulação à teologia, ele sempre foi um matemático de coração, e sua aplicação teológica nunca pareceu ser o material de que os sermões são feitos. Hartshorne, por outro lado, pegou a metafísica de Whitehead e a descrição da Divindade que Socínio tinha feito e, com as duas, fez uma religião à qual qualquer racionalista poderia pertencer. Hartshorne, embora nunca tenha sequer passado perto de fingir que a Escritura fosse autoritativa (ou pelo menos relevante para esse assunto), enfeitou a teologia do processo com uma vestimenta cristã de festa. O que era filosofia com Whitehead tornou-se teologia com Hartshorne.


Hartshorne claramente viu a teologia do processo como um reavivamento sociniano.


Nós temos alguma outra razão para rejeitar que a velha proposição sociniana de que até mesmo a mais elevada forma concebível de conhecimento é do passado-e-definido como o passado-e-definido e do futuro e parcialmente indefinido como futuro e parcialmente indefinido?... Deus é onisciente? Sim, no sentido sociniano. Nunca uma grande descoberta intelectual pas¬sou pelo mundo de forma tão discreta do que a descoberta sociniana do sentido próprio de onisciência. Até hoje as obras de referência falham em nos falar sobre isso... Como dizem os socinianos, de uma vez por todas, os eventos futuros, eventos que ainda não aconteceram, não podem ser conhecidos, e a alegação de conhecê-los só pode ser falsa.


A inexistência do futuro é importante para os teólogos do processo pela mesma razão que a impossibilidade de presciência foi importante para Socínio. Um futuro concreto significa que, de algum modo, todas as ações são restritas. Já que a teologia do processo requer o mesmo tipo de vontade autônoma como o socianismo, a teologia do processo também vê a mesma solução negar algum conhecimento do futuro.


Sua exegese, embora alegue pertencer, sempre tão obscuramente, ao Cristianismo, nunca se submete à Escritura. Em vez disso, Hartshorne e os adeptos atuais da Teologia do Processo somente se preocupam com o criticismo que recebem da Filosofia, repudiando qualquer apelo à Escritura como divagação de fundamentalistas ignorantes.


Os Sociníanos sacrificaram a presciência de Deus por causa de uma existência capaz de ter um livre arbítrio absoluto. Os teólogos da Teologia do Processo e da Teologia Relacional fazem o mesmo.


Autor: B. Merkle
Fontes: [ Josemar Bessa ] e BEREIANOS

quarta-feira, 7 de abril de 2010

ERROS TEOLÓGICOS EM MÚSICA GOSPEL

Os erros teológicos das músicas hoje são muito grandes. Com toda essa expansão que tivemos de igrejas neopentecostais, com suas teologias e práticas também tivemos a expansão da música por parte desses grupos, no entanto, ficaram refletidas em suas músicas erros doutrinários e teológicos. De certa forma, nos últimos anos tem proliferado músicas evangélicas com uma perspectiva de auto-ajudar as pessoas. NA verdade, algumas tentam nos levar a entender que são realmente músicas para adoração a Deus. Mas no fim, é possível perceber que apenas louvam a si mesmos. Ou seja, ao invés de se prestar um culto ao Divino, se presta um culto ao humano. Eu quero chamar aqui essa ação de "auto-louvor".

Eu gostaria, mesmo que de forma breve, citar uma musica que ouvi esses dias, através de um vídeo que recebi. É de um grupo evangélico chamado Trazendo a Arca, que recebe um prêmio de maior vendagem de disco no meio evangélico. Veja e depois comentamos:

Se tentam destruir-me
zombando da minha fé
e até tramam contra mim
querem entulhar meus poços
querem frustrar meus sonhos
e me fazer desistir
Mas quem vai apagar
O selo que há em mim?
A marca da promessa, que Ele me fez
E quem vai me impedir, se decidido estou?
Pois quem me prometeu, é fiel pra cumprir
O meu Deus nunca falhará, eu sei que chegará minha vez.
Minha sorte Ele mudará
Diante dos meus olhos
Prepara-me uma mesa
Na presença dos meus inimigos
Unge minha cabeça
E o meu cálice faz transbordar
Mas quem vai apagar...


Bom, a letra em primeira análise, tenta falar com uma pessoa desanimada, tentando mostrar para ela o porque não deve desistir. A resposta para isso é a marca da promessa que o autor reivindica. O que é muito importante notar, é que em nenhum momento o autor esclarece qual é essa marca da promessa, qual é esse selo. Porém o contexto da música dá a entender que essa promessa seja a de sempre ser vencedor.A letra também busca referências do A.T., de forma isolada, fora de seu contexto. Por exemplo, quando citam os poços entulhados. Uma referência a Isaque, veja Gn 26.15, quando está na terra dos Filisteus.


A letra indaga quem irá apagar o selo, porém em nenhum momento esclarece de que selo está se falando, também se indaga quem o irá impedir se ele está decidido, reivindicando quem prometeu é fiel para cumprir, entretanto em nenhum momento a letra esclarece o que exatamente foi prometido.


Depois ele se volta pra Deus, mas não em um ato de adoração e sim em um ato de reivindicação. Começa a dizer que sabe que a sua vez irá chegar e que diante de seus olhos as coisas irão mudar. Ele finaliza a música se referindo ao Salmo 23.5 completamente fora de seu contexto, ainda mais se considerarmos o contexto também da canção.


Conclusão:


Bom, essa letra, como muitas hoje em dia, possui uma linguagem antropocêntrica. Ou seja, o homem e sua satisfação é o centro dela. Não poderíamos nesse caso colocá-la como uma música de adoração, simplesmente porque ela não adora a Deus. As suas referências que tentam dar um roupagem Bíblica a letra, se despedaçam quando lemos os textos em seus contextos.Uma outra questão marcante no antropocentrismos, é que ele sempre reivindica a satisfação do homem, a letra busca satisfazer o coração humano. Para isso, a letra se enche de triunfalismo se utilizando de forma errônea dos textos Bíblicos para validar sua afirmação de que crente não sofre, não passa dificuldade.Talvez um erro na interpretação de textos como o do Salmo 23, onde o nada faltará é compreendido a partir da ótica de que Deus precisa me dar tudo o que quero. O sentido de ter Deus como pastor é exatamente o oposto do que é expresso nessa letra, não é que Deus deve me dar tudo, e sim que com Deus eu não tenho falta de nada. "O Senhor é meu Pastor e de nada eu tenho falta".


As letras se transformaram em coisas confusas de serem compreendidas e assim, muitas coisas estranhas vão surgindo. Eu gostaria de elencar aqui uma cançao bem conhecida de um grupo chamado Toque no Altar. "Deus de Promessas". Essa música é muito bonita em seu aspecto geral, ou seja, a musicalidade e o sentido da letra. Entretanto ela contém um erro, quase sempre derivado do sentido antropocêntrico das teologias de igrejas neopentecostais.Senão, vejamos:

Sei que os teus olhos
Sempre atentos permanecem em mim
E os teus ouvidos
Estão sensíveis para ouvir meu clamor
Posso até chorar...
Mas a alegria vem de manhã
És Deus de perto e não de longe
Nunca mudastes, tu és fiel
Deus de aliança, Deus de promessas
Deus que não é homem pra mentir
Tudo pode passar, tudo pode mudar
Mas tua palavra vai se cumprir
Posso enfrentar o que for
Eu sei quem luta por mim
Seus planos não podem ser frustrados
Minha esperança está
Nas mãos do grande eu sou
Meus olhos vão ver o impossível
Acontecer...


A música começa de uma forma muita clara, sempre remetendo a textos bíblicos como os de II Crônicas 6.20, 6.40 e 7.15. Entretanto, na parte em que está em negrito surge um erro na interpretação: És Deus de perto e não de longe. Essa frase remete imediatamente para o texto de Jeremias 23:23. Embora, no referido texto sagrado as palavras do TODO PODEROSO são: Sou eu apenas Deus de perto, diz o Senhor, e não também Deus de longe?


Muitos fóruns debatem em torno dessa frase infeliz da música do Toque no Altar, e muitos argumentos são levantados para a validação da mesma. Detalhe: o texto Bíblico expõe de forma definitiva o sentido das palavras de Deus. Quanto a isso fica difícil argumentar. Não posso dizer que o autor da letra tenha se utilizado desse texto, embora toda a música faça referência a textos Bíblicos, mas o que é fato é que ela choca-se completamente contra as Escrituras.


Nesse sentido, uma solução poderia ser proposta. Mudar a frase para o que de fato o texto sagrado diz. Deixando de lado as nossa prerrogativas para justificar a veracidade da frase do autor da música. Nota-se também, que tal mudança em nada mudaria a paráfrase da música. nesse caso é melhor cantar: És Deus de perto e também de longe. A música é muito bonita, e depois de resolvida essa parte também ficará totalmente Bíblica.


Fora isso, a música transmite de forma clara o cuidado de Deus para com os seus. A musica fala da impossibilidade dos planos de Deus serem frustrados, o que nos dá esperança diante de diferentes fases da nossa vida. Planos e não sonhos. Não são os sonhos que não são frustrados, e sim os planos, ou seja, Deus não sonha ele determina as coisas. Também nos transmite esperança diante das lutas, quando remete àquele que luta por nós.Que Deus nos conserve verdadeiros adoradores


Grupos de louvor como Lagoinha, Toque no Altar, Renascer Praise, e muitos outros, comandam os nossos momentos de louvor. Quantas pessoas já não leram livros de Ana Paula Valadão para aprender como prestar uma adoração "extravagante", pois é, esse é o nome dado a atitudes como a de andar de "quatro como um leão" afirmando(como escrito em sua nota de esclarecimento) ser o poder do Espírito Santo que dobrou suas pernas a fazendo se rastejar de uma forma vexatória e humilhante como um animal quadrúpede no palco.


Fonte: http://ateudemim.blogspot.com/

sábado, 3 de abril de 2010

TEOLOGIA RELACIONAL: UM NOVO DEUS NO MERCADO por Rev. Dr. Augustus Nicodemus Lopes

Os reflexos da onda gigante que provocou a tremenda catástrofe na Ásia no final de dezembro de 2004 alcançaram também os arraiais evangélicos, levantando, entre outras coisas, perguntas acerca de Deus, seu caráter, seu poder, seu conhecimento, seus sentimentos e seu relacionamento com o mundo e as pessoas diante de tragédias como aquela. Dentre as diferentes respostas, uma chama a atenção pela ousadia de suas afirmações: Deus sofreu muito com a tragédia e certamente não a havia determinado ou previsto. Ele simplesmente não pôde evitá-la, pois Deus não conhece o futuro, não controla ou guia a história, e não tem poder para fazer aquilo que gostaria. Esta é a concepção de Deus defendida por um movimento teológico conhecido como teologia relacional, ou ainda, teísmo aberto ou teologia da abertura de Deus.

A teologia relacional, como movimento, teve início em décadas recentes, embora seus conceitos sejam bem antigos. Ela ganhou popularidade através de escritores norte-americanos como Greg Boyd, John Sanders e Clark Pinnock. No Brasil, estas idéias têm sido assimiladas e difundidas por alguns líderes evangélicos, às vezes de forma aberta e explicita.


A teologia relacional considera a concepção tradicional de Deus como inadequada, ultrapassada e insuficiente para explicar a realidade, especialmente catástrofes como o tsunami de dezembro de 2004, e se apresenta como uma nova visão sobre Deus e sua maneira de se relacionar com a criação.


Seus pontos principais podem ser resumidos desta forma:


1. O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.


2. Deus não é soberano. Só pode haver real relacionamento entre Deus e suas criaturas se estas tiverem, de fato, capacidade e liberdade para cooperarem ou contrariarem os desígnios últimos de Deus. Deus abriu mão de sua soberania para que isto ocorresse. Neste sentido, ele é incapaz de realizar tudo o que deseja, como impedir tragédias e erradicar o mal. Contudo, ele acaba se adequando às decisões humanas e ao final, vai obter seus objetivos eternos, pois redesenha a história de acordo com estas decisões.


3. Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. O futuro é determinado pela combinação do que Deus e suas criaturas decidem fazer. Neste sentido, o futuro inexiste, pois os seres humanos são absolutamente livres para decidir o que quiserem e Deus não sabe antecipadamente que decisão uma determinada pessoa haverá de tomar num determinado momento.


4. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.


5. Deus é vulnerável. Ele é passível de sofrimento e de erros em seus conselhos e orientações. Em seu relacionamento com o homem, seus planos podem ser frustrados. Ele se frustra e expressa esta frustração quando os seres humanos não fazem o que ele gostaria.


6. Deus muda. Ele é imutável apenas em sua essência, mas muda de planos e até mesmo se arrepende de decisões tomadas. Ele muda de acordo com as decisões de suas criaturas, ao reagir a elas. Os textos bíblicos que falam do arrependimento de Deus não devem ser interpretados de forma figurada. Eles expressam o que realmente acontece com Deus.


Estes conceitos sobre Deus decorrem da lógica adotada pela teologia relacional quanto ao conceito da liberdade plena do homem, que é o ponto doutrinário central da sua estrutura, a sua “menina dos olhos”. De acordo com a teologia relacional, para que o homem tenha realmente pleno livre arbítrio suas decisões não podem sofrer qualquer tipo de influência externa ou interna. Portanto, Deus não pode ter decretado estas decisões e nem mesmo tê-las conhecido antecipadamente. Desta forma, a teologia relacional rejeita não somente o conceito de que Deus preordenou todas as coisas (calvinismo) como também o conceito de que Deus sabe todas as coisas antecipadamente (arminianismo tradicional). Neste sentido, o assunto deve ser entendido, não como uma discussão entre calvinistas e arminianos, mas destes dois contra a teologia relacional. Não poucos lideres calvinistas e arminianos no âmbito mundial têm considerado esta visão da teologia relacional como alheia ao Cristianismo.


A teologia relacional traz um forte apelo a alguns evangélicos, pois diz que Deus está mais próximo de nós e se relaciona mais significativamente conosco do que tem sido apresentado pela teologia tradicional. Segundo os teólogos relacionais, o Cristianismo histórico tem apresentado um Deus impassível, que não se sensibiliza com os dramas de suas criaturas. A teologia relacional, por sua vez, pretende apresentar um Deus mais humano, que constrói o futuro mediante relacionamento com suas criaturas. Os seres humanos são, dessa forma, co-participantes com Deus na construção do futuro, podendo, na verdade, determiná-lo por suas atitudes.


Contudo, a teologia relacional não é novidade. Ela tem raízes em conceitos antigos de filósofos gregos, no socinianismo (que negava exatamente que Deus conhecia o futuro, pois atos livres não podem ser preditos) e especialmente em ideologias modernas, como a teologia do processo. O que ela tem de novo é que virou um movimento teológico composto de escritores e teólogos que se uniram em torno dos pontos comuns e estão dispostos a persuadir a Igreja Cristã a abandonar seu conceito tradicional de Deus e a convencê-la que esta “nova” visão de Deus é evangélica e bíblica.


Mesmo tendo surgido como uma reação a uma possível ênfase exagerada na impassividade e transcendência de Deus, a teologia relacional acaba sendo um problema para a igreja evangélica, especialmente em seu conceito sobre Deus. Muito embora os evangélicos tenham divergências profundas em algumas questões, reformados, arminianos, wesleyanos, pentecostais, tradicionais, neopentecostais e outros, todos concordam, no mínimo, que Deus conhece todas as coisas, que é onipotente e soberano. Entretanto, o Deus da teologia relacional é totalmente diferente daquele da teologia cristã. Não se pode afirmar que os aderentes da teologia relacional não são cristãos, mas sim que o conceito que eles têm de Deus é, no mínimo, estranho ao cristianismo histórico.


Ao declarar que o atributo mais importante de Deus é o amor, a teologia relacional perde o equilíbrio entre as qualidades de Deus apresentadas na Bíblia, dentre as quais o amor é apenas uma delas. Ao dizer que Deus ignora o futuro, é vulnerável e mutável, deixa sem explicação adequada dezenas de passagens bíblicas que falam da soberania, do senhorio, da onipotência e da onisciência de Deus (Is 46.10a; Jó 28; Jó 42.2; Sl 90; Sl 139; Rm 8.29; Ef 1; Tg 1.17; Ml 3.6; Gn 17.1; etc). Ao dizer que Deus não sabia qual a decisão de Adão e Eva no Éden, e que mesmo assim arriscou-se em criá-los com livre arbítrio, a teologia relacional o transforma num ser irresponsável. Ao falar do homem como co-construtor de Deus de um futuro que inexiste, a teologia relacional esquece tudo o que a Bíblia ensina sobre a Queda e a corrupção do homem. Ao fim, parece-nos que na tentativa extrema de resguardar a plena liberdade do arbítrio humano, a teologia relacional está disposta a sacrificar a divindade de Deus. Ao limitar sua soberania e seu pleno conhecimento, entroniza o homem livre, todo-poderoso, no trono do universo, e desta forma, deixa-nos o desespero como única alternativa diante das tragédias e catástrofes deste mundo e o ceticismo como única atitude diante da realidade do mal no universo, roubando-nos o final feliz prometido na Bíblia. Pois, afinal, poderá este Deus ignorante, fraco, mutável, vulnerável e limitado cumprir tudo o que prometeu?


Com certeza a visão tradicional de Deus adotada pelo Cristianismo histórico por séculos não é capaz de responder exaustivamente a todos os questionamentos sobre o ser e os planos de Deus. Ela própria é a primeira a admitir este ponto. Contudo, é preferível permanecer com perguntas não respondidas a aceitar respostas que contrariam conceitos claros das Escrituras. Como já havia declarado Jó há milênios (42.2,3): “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.”

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Fonte: IPB / ELEITOS DE DEUS

quinta-feira, 11 de março de 2010

DESCONFIE DA TEOLOGIA LIBERAL E NEO-ORTODOXA E DO ESOTERISMO CRISTÃO

Interpretações (3)


Sei que, apenas por meu antiesquerdismo, muitos colam ou colarão em mim uma atitude elitista. (No entanto, que injustiça, se estudassem saberiam que o Estado socialista é a forma mais cruel de elitismo!) Pelo contrário, meu sempre presente horror ao elitismo foi o que me salvou de muitos erros teológicos. Explico.



Quando eu era esotérica, tinha literalmente raiva da Bíblia porque, segundo os “mestres” do esoterismo, o que se lia nunca era o que se lia. Lembro-me de assistir a palestras sobre a Bíblia em um centro esotérico. A palestrante, “incorporada”, explanava o trecho em que Jesus vê Natanael embaixo da figueira (Jo 1.48). Dizia ela: “Filipe significa isso, Natanael significa aquilo, a figueira significa aquilo outro...” Ou seja: sem uma ridícula, nada democrática e provavelmente impossível tabela de simbolismos, os escritos bíblicos seriam sempre um conjunto inalcançável. Isso me manteve por anos longe desse Livro, pois, apesar de esotérica, desagradava-me profundamente que fosse uma leitura somente para “entendidos”.


Hoje, quando leio sobre os críticos heterodoxos que adoram — a-do-ram — inventar simbologias escalafobéticas para a Bíblia, no mesmo estilo que a mestra “incorporada” (“tal personagem significa isso...”), sempre formulo mentalmente a seguinte regra: se a leitura desses “eruditos” é diferente demais da leitura de qualquer mortal, jogue fora. O mesmo vale para estudiosos que até acatam o sentido primário dos textos bíblicos, mas os desprezam em favor de outros “mais profundos”, aos quais se apegam mais, afirmando até mesmo que esses sentidos (o “básico” e o “profundo”) se opõem! (É, tem louco pra tudo…)


A questão é: Jesus nunca deixaria longe de seu Reino os pequeninos; muito pelo contrário, eles são privilegiados na revelação (Mt 11.25)! Portanto, desconfie da chamada teologia liberal e neo-ortodoxa, além de todo tipo de “esoterismo cristão”: a maioria desses autores eruditiza demais a Bíblia e nega a leitura básica, mandando os pequeninos amados por Jesus para o fim da fila da compreensão de sua fé.
 
Fonte: NORMA BRAGA

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A CABANA - A PERDA DA ARTE DE DISCERNIMENTO EVANGÉLICO por Albert Mohler Jr.



Dr. Albert Mohler é o presidente do Southern Baptist Theological Seminary, pertencente à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos; é pastor, professor, teólogo, autor e conferencista internacional, reconhecido pela revista Times como um dos principais líderes entre o povo evangélico norte-americano. É casado com Mary e tem dois filhos, Katie e Christopher.

O mundo editorial vê poucos livros atingirem o status de "sucesso". No entanto, o livro A Cabana, escrito por William Paul Yong, superou esse status. O livro, publicado originalmente pelo próprio autor e dois amigos, já vendeu mais de dez milhões de cópias e já foi traduzido para mais de trinta idiomas. É, agora, um dos livros mais vendidos de todos os tempos, e seus leitores estão entusiasmados.

De acordo com Young, o livro foi escrito originalmente para seus próprios filhos. Em essência, ele pode ser descrito como uma teodicéia em forma de narrativa – uma tentativa de responder à questão do mal e do caráter de Deus por meio de uma história. Nessa história, o personagem principal está entristecido por causa do rapto e do assassinato brutal de sua filha de sete anos, quando recebe aquilo que se torna uma intimação de Deus para encontrá-lo na mesma cabana em que a menina foi morta.

Na cabana, "Mack" se encontra com a Trindade divina, onde Deus, o Pai, é representado como "Papai", uma mulher afro-americana, e Jesus, por um carpinteiro judeu, e "Sarayu", uma mulher asiática, é identificada como o Espírito Santo. O livro é, principalmente, uma série de diálogos entre Mack, Papai, Jesus e Sarayu. As conversas revelam que Deus é bem diferente do Deus da Bíblia. "Papai" é absolutamente alguém que não faz julgamentos e parece determinado a afirmar que toda a humanidade já está redimida.

A teologia de A Cabana não é incidental à história. De fato, em muitos pontos a narrativa serve, principalmente, como uma estrutura para os diálogos. E estes revelam uma teologia que, no melhor, é não-convencional e, sem dúvida, herética em certos aspectos.

Embora o artifício literário de uma "trindade" não-convencional de pessoas divinas seja, em si mesmo, antibíblico e perigoso, as explicações teológicas são piores. "Papai" conta a Mack sobre o tempo em que as três pessoas da Trindade manifestaram-se da seguinte forma: "nós falamos com a humanidade através da existência humana como Filho de Deus". Em nenhuma passagem da Bíblia, o Pai ou o Espírito Santos é descrito como assumindo a forma humana. A cristologia do livro é confusa. "Papai" diz a Mack que, embora Jesus seja plenamente Deus, "ele nunca usou a sua natureza como Deus para fazer qualquer coisa". Eles apenas viveu do seu relacionamento comigo, da mesma maneira como eu desejo me relacionar com qualquer ser humano". Quando Jesus curou o cego, "Ele fez isso como um ser humano dependente que confiava em minha vida e poder para agir nele e por meio dele. Jesus, como ser humano, não tinha qualquer poder em si mesmo para curar alguém".

Embora haja muita confusão teológica a ser esclarecida no livro, basta dizer que a igreja cristã tem lutado por séculos para chegar a um entendimento fiel da Trindade, a fim de evitar esse tipo de confusão – reconhecendo que a fé cristã está, ela mesma, em perigo.

Jesus diz a Mack que ele é "o melhor caminho para qualquer ser humano se relacionar com Papai ou com Sarayu". Não é o único caminho, mas o melhor caminho.

Em outro capítulo, "Papai" corrige a teologia de Mack afirmando: "Eu não preciso punir as pessoas pelos seus pecados. O pecado é a sua própria punição, que devora você a partir do interior. Não tenho o propósito de punir o pecado; tenho alegria em curá-lo". Sem dúvida, a alegria de Deus está na expiação realizada pelo Filho. No entanto, a Bíblia revela consistentemente que Deus é o Juiz santo e reto, que punirá pecadores. A idéia de que o pecado é a "sua própria punição" se encaixa no conceito do karma, e não no evangelho cristão.

O relacionamento do Pai com o Filho, revelado em textos como João 17, é rejeitado em favor de uma absoluta igualdade de autoridade entre as pessoas da Trindade. "Papai" explica que "não temos qualquer conceito de autoridade final entre nós, somente unidade". Em um dos mais bizarros parágrafos do livro, Jesus diz a Mack: "Papai é tão submisso a mim como o sou a ele, ou Sarayu a mim, ou Papai a ela.
Submissão não diz respeito à autoridade e à obediência; é um relacionamento de amor e respeito. De fato, somos submissos a você da mesma maneira".

Essa hipotética submissão da Trindade a um ser humano – ou a todos os seres humanos – é uma inovação teológica do tipo mais extremo e perigoso. A essência da idolatria é a auto-adoração, e essa noção da Trindade submissa (em algum sentido) à humanidade é indiscutivelmente idólatra.

O aspecto mais controverso da mensagem de A Cabana gira em torno das questões do universalismo, da redenção universal e da reconciliação final. Jesus diz a Mack: "Aqueles que me amam procedem de todo sistema que existe. São budistas, mórmons, batistas, islamitas, democratas, republicanos e muitos que não votam ou não fazem parte de qualquer igreja ou de instituições religiosas". Jesus acrescenta: "Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero unir-me a eles em sua transformação em filhos e filhas de meu Papai, em meus irmãos e irmãs, meus amados".

Em seguida, Mack faz a pergunta óbvia: Todos os caminhos levam a Cristo? Jesus responde: "Muitos dos caminhos não levam a lugar algum. O que isso significa é que eu irei a qualquer caminho para encontrar vocês".

Devido ao contexto, é impossível extrair conclusões essencialmente universalistas ou inclusivistas quanto ao significado de Yong. "Papai" repreende Mack dizendo que está agora reconciliado com todo o mundo. Mack replica: "Todo o mundo? Você quer dizer aqueles que crêem em você, não é?" "Papai responde: "Todo o mundo, Mack".

No todo, isso significa algo bem próximo da doutrina da reconciliação proposta por Karl Barth. E, embora Wayne Jacobson, o colaborador de Young, tenha lamentado haver pessoas que acusam o livro de ensinar a reconciliação final, ele reconhece que as primeiras edições do manuscrito foram influenciadas indevidamente pela "parcialidade, na época," de Young para com a reconciliação final – a crença de que a cruz e a ressurreição de Cristo realizaram a reconciliação unilateral de todos os pecadores (e de toda a criação) com Deus.

James B. DeYoung, do Western Theological Seminary, um erudito em Novo Testamento que conheceu Young por vários anos, documenta a aceitação de Young quanto a uma forma de "universalismo cristão". A Cabana, ele conclui, "descansa sobre o fundamento da reconciliação universal".

Apesar de que Wayne Jacobson e outros se queixam daqueles que identificam heresia em A Cabana, o fato é que a igreja cristã tem identificado, explicitamente, esses ensinos como heresia. A pergunta óbvia é esta: por que tantos cristãos evangélicos parecem ser atraídos não somente à história, mas também à teologia apresentada na narrativa – uma teologia que, em vários pontos, está em conflito com as convicções evangélicas?

Os observadores evangélicos não estão sozinhos em fazer essa pergunta. Escrevendo em The Chronicle of High Education (A Crônica da Educação Superior), o professor Timothy Beal, da Case Western University, argumentou que a popularidade de A Cabana sugere que os evangélicos devem estar mudando a sua teologia. Ele cita os "modelos metafóricos não-bíblicos de Deus" no livro, bem como seu modelo "não-hierárquico" da Tridade e, mais notavelmente, "sua teologia de salvação universal".

Beal afirma que nada dessa teologia faz parte das "principais correntes teológicas evangélicas" e explica: "De fato, essas três coisas estão arraigadas no discurso teológico acadêmico radical e liberal dos anos 1970 e 1980 – que influenciou profundamente os feministas contemporâneos e a teologia da libertação, mas que, até agora, teve muito pouco impacto nas imaginações teológicas de não-acadêmicos, especialmente dentro das principais correntes religiosas".

Em seguida, ele pergunta: "O que essas idéias teológicas progressistas estão fazendo no fenômeno da ficção evangélica?" Ele responde: "Desconhecidas para muitos de nós, elas têm estado presente em muitos segmentos liberais do pensamento evangélico durante décadas". Agora, ele diz, A Cabana introduziu e popularizou esses conceitos liberais até entre as principais denominações evangélicas.

Timothy Beal não pode ser rejeitado como um conservador e "caçador de heresias". Ele está admirado com o fato de que essas "idéias teológicas progressistas" estão "se introduzindo aos poucos na cultura popular por meio de A Cabana".

De modo semelhante, escrevendo em Books & Culture (Livros e Cultura), Katharine Jeffrey conclui que A Cabana "oferece uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica". Embora sua principal preocupação seja o lugar do livro "num panorama literário cristão", ela não pôde evitar o lidar com a sua mensagem teológica.
Ao avaliar o livro, deve-se ter em mente que A Cabana é uma obra de ficção. Contudo, é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Diversos romances notáveis e obras de literatura contêm teologia aberrante e heresia. A pergunta crucial é se as doutrinas aberrantes são características da história ou são a mensagem da obra. Em A Cabana, o fato inquietante é que muitos leitores são atraídos à mensagem teológica do livro e não percebem como ela conflita com a Bíblia em muitos assuntos cruciais.

Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico. Dificilmente não concluímos que o discernimento teológico é agora uma arte perdida entre os evangélicos – e esse erro pode levar tão-somente à catástrofe teológica.

A resposta não é banir A Cabana ou arrancá-lo das mãos dos leitores. Não precisamos temer livros – temos de estar prontos para responder-lhes. Necessitamos desesperadamente de uma redescoberta teológica que só pode vir de praticarmos o discernimento bíblico. Isso exigirá que identifiquemos os perigos doutrinários de A Cabana. Mas a nossa principal tarefa consiste em familiarizar novamente os evangélicos com os ensinos da Bíblia sobre esses assuntos e fomentar um rearmamento doutrinário de cristãos evangélicos.

A Cabana é um alerta para o cristianismo evangélico. Uma avaliação como a que Timothy Beal ofereceu é reveladora. A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – um fracasso em entender o evangelho de Cristo. A tragédia de que os evangélicos perderam a arte de discernimento bíblico se origina na desastrosa perda do conhecimento da Bíblia. O discernimento não pode sobreviver sem doutrina.

Traduzido por: Wellington Ferreira

Copyright: © R. Albert Mohler Jr.

Traduzido do original em inglês: The Shack — The Missing Art of Evangelical Discernment.

http://www.albertmohler.com/

Fonte no Brasil: http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=315

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

UMA RADIOGRAFIA DA IGREJA CATÓLICA ROMANA

Por D. M. Lloyd-Jones
(artigo inédito em português)

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. (Efésios 6:11).

Certas coisas que estão acontecendo, atualmente, exigem, imperativamente, que cada cristão inteligente deva conhecer algo sobre o Catolicismo Romano. Existem movimentos em operação e reuniões acontecendo, os quais estão tentando fazer uma reaproximação entre o Catolicismo Romano e o Protestantismo. Há pessoas se alegrando com isso e dizendo ser uma coisa maravilhosa começarmos a nos unir novamente e que cooperar em certos aspectos será uma bela manifestação do espírito cristão.

Ora, esse tipo de coisas torna imperativo que entendamos o que está acontecendo e, à medida em que olharmos para o futuro, o assunto vai se tornar mais urgente, uma vez que existem certas possibilidades que devem ser examinadas. Entendo, pelas estatísticas, que existem certos países no mundo, nos quais, se continuar esta moderna tendência, logo teremos uma maioria católica. Portanto, se prosseguirmos no pensamento democrático de decidir nossa forma de governo, na contagem das cabeças, logo haverá nele uma maioria católica romana. Não é difícil antever certas possibilidades que irão resultar nisto. A verdade é que isso até poderá acontecer neste país, daqui a alguns anos. Portanto, sob todos os pontos de vista, torna-se imperativo observar nossa posição, diante deste fato que está nos confrontando . Quer gostemos ou não, trata-se de algo que precisamos fazer. Pessoalmente, eu jamais o havia feito, antes. Não pertenço a qualquer “Sociedade Protestante”. Jamais falei sobre uma plataforma. Minha visão tem sido sempre que a única definitiva resposta para o Catolicismo Romano é uma positiva pregação da Verdade cristã e das grandes doutrinas da Reforma. Com coisa alguma, além disso, seria possível lidar com a ICAR (Igreja Católica Romana). Protestos negativos, a meu ver, resultam em nada. Eles têm continuado até hoje, desde há uma porção de anos. Mas, a verdade é que este corpo romano está crescendo, praticamente, no país inteiro, enquanto todos os nossos protestos negativos para nada têm servido.

Minha opinião é que o crescimento do Catolicismo Romano é devido a uma única coisa, ou seja, ao flácido Protestantismo, o qual desconhece aquilo no que ele crê. Por isso, estou dedicando o meu tempo a entregar este ensino positivo. Nosso texto me obriga a tratar do assunto como das “astutas ciladas do diabo”, conforme o texto supracitado. Muito bem, o que descobrimos? Deixo abundantemente claro que não estou preocupado com os indivíduos. Claro que existem pessoas que são católicas romanas e cristãs, ao mesmo tempo. Alguém pode ser um cristão e também ser um católico romano. Meu precípuo objetivo é tentar mostrar que essas pessoas são cristãs, apesar do sistema, e não por causa dele. Sejamos claros sobre isto: é possível ser uma pessoa cristã, dentro da ICAR.

Não estou considerando os indivíduos nem o assunto do ponto de vista político. E, nem por um momento, quero dizer que o assunto político não seja importante. Apenas estou dando uma evidência que poderá ser tremendamente importante. Conhecemos o registro da história desta instituição chamada ICAR e sabemos o que acontece, politicamente, com as suas reivindicações de ser um poder político e, portanto, até mesmo sob este aspecto ela é importante. Porém, não é com isso que eu agora me preocupo, ou seja, com o leigo ou o estadista católico. O que mais me preocupa é o aspecto espiritual, pois foi isso que o Apóstolo colocou em nossas mentes.

A Ortodoxia Romana - Ora, para o que estamos olhando? Estamos olhando para um sistema, conhecido como católico romano, e eu não hesitaria em afirmar que o mesmo é a maior obra prima do diabo. Este sistema está de tal modo afastado da fé cristã e do ensino do Novo Testamento que eu não hesitaria, conforme fizeram os reformadores, em descrevê-lo como “apostasia”.

Vamos esclarecer. Apostasia é uma espécie de afastamento da verdadeira fé cristã e do ensino do Novo Testamento. Ora, alguns vão dizer: ”O senhor está falando isso da ICAR?” Precisamos ser cuidadosos, aqui. Quando dizemos que o Catolicismo Romano é apostasia, precisamos esclarecer qual o sentido em que esta afirmação é verdadeira. Então, vamos esclarecer.

Não se trata de uma simples questão de “negação” da verdade, mas, principalmente, de um acréscimo à mesma, o que, eventualmente, torna-se um afastamento da verdade. Deixem-me explicar, pois é, justamente aqui, onde entra toda a sutileza da ICAR, e onde penetram as “hostes espirituais da maldade”. Em certo sentido, se alguém observar, casualmente, poderá até pensar que a ICAR é a mais ortodoxa do mundo. Quando se considera a Pessoa do Senhor Jesus Cristo, não existe um sistema mais ortodoxo do que a ICAR, até mais ortodoxo do que a maioria dos protestantes. É isso que torna esta posição tão alarmante. Do mesmo modo, quando se trata da obra do Senhor, não existe qualquer dúvida sobre a sua ortodoxia. No que diz respeito ao princípio da graça, esta é um dos seus temas centrais. Quanto à inspiração divina da Escritura Sagrada, ela a confirma e acredita que a Bíblia seja a Palavra de Deus. Ora, muito mais do que muitos protestantes. Portanto, se a observamos somente a partir deste modo geral, podemos chegar à conclusão de que ela é o corpo mais ortodoxo do mundo. Mas, é exatamente aqui que reside a sutileza e surgem as dificuldades... A tudo, ela acrescenta um amaldiçoado de coisas totalmente não bíblicas, as quais, de fato, tornam-se uma negação da Escritura. Desse modo, quando aceitamos os seus ensinos, estamos acreditando numa mentira. Em outras palavras, seus dogmas são uma falsidade e ela é, conforme Apocalipse 17:1, “A Grande Prostituta”!

A sutileza de Roma - Ora, este assunto é extremamente sutil, mas o nosso caso trata exatamente de sutileza, ou seja, das “astutas ciladas do diabo”. Quem desejar conhecer exatamente a respeito de sutileza, leia a literatura da ICAR . Ela pode parecer todas as coisas para todos os homens. Seu sistema é tão vasto e a sutileza tão grande que ela consegue impregnar. Convém que observemos isto. Como exemplo, estou dando a arbitrariedade. Vocês já devem tê-la observado muitas vezes. Por exemplo, ela não admite o divórcio e quando um dos seus membros se divorcia, precisa ser excomungado. Mas, logo em seguida, quando lemos nos jornais a respeito do divórcio de um católico (homem ou mulher) pertencente à classe nobre, indagamos: “E agora, o que vai acontecer?” Ora, bem depressa, a hierarquia da Igreja consegue explicar o caso, afirmando que aquele casamento nunca fora, realmente, um casamento legítimo. A ICAR consegue explicar qualquer coisa, sem dificuldade alguma. Seu sistema de casuística é tamanho e o seu argumento é desenvolvido de tal maneira que ela parece estar atirando em todas as direções, ao mesmo tempo.

As Muitas Faces de Roma - Colocando o assunto de outro modo, quantas faces, realmente, a ICAR possui? Vejamos. Observem neste país e na Irlanda do Sul. Observem-na nos Estados Unidos e, em seguida, nos países da América Latina e, provavelmente, não irão acreditar que se trata da mesma instituição. Observem-na em países como a Espanha e a Itália e em outros países semelhantes e vejam o contraste em que ela aparece, com relação à Alemanha e a outro país semelhante a este, e vocês jamais iriam imaginar que se trata da mesma instituição. Mas é a mesma, claro. Ela pode mudar de cor, aparência e forma, sendo todas as coisas para todos os homens.. Seus disfarces são tão inextinguíveis.

Neste país [o autor se refere ao Reino Unido], ela aparece como altamente intelectual, encorajando as pessoas a não apenas se tornarem intelectuais, mas até mesmo à leitura da Bíblia; enquanto isto, em outros países, ela proíbe que os seus membros se tornem intelectuais e leiam a Bíblia, a fim de ali encorajar, deliberadamente, a idolatria. Na Grã Bretanha, ela parece tolerante, argumentando e concordando em ser amistosa, mas nos países não desenvolvidos, ela é absolutamente intolerante, feroz e vil, no seu zelo perseguidor. Mesmo assim, ela continua sendo o mesmo corpo, a mesma instituição e o mesmo povo. Nesta evidência, é que me baseio para afirmar que ela é, sem dúvida, a obra prima do diabo.

Temos aqui um grande corpo, uma instituição que, de tempos em tempos, através dos séculos, continua agindo assim, manifestando “as ciladas do diabo”, com toda a sutileza “e com todo o engano da injustiça” (2 Tessalonicenses 2:10). Não estamos explicando esta passagem, mas dela, talvez, se levante aquele que é descrito no capítulo 13 do Livro de Apocalipse. A ICAR também aparece no Apoc. 17: 1,4 e 15, como “a grande prostituta que está assentada sobre muitas águas... vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; (que) tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição... E disse-me: As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, e multidões, e nações, e línguas. Tudo isto é uma descrição exata da ICAR, ao longo da história, na qual ela sempre tem agido e se mostrado assim. Ela tem monopolizado toda denominação cristã. Chegou, sorrateira e sutilmente, a fim de construir um caminho, para, eventualmente, ser, de fato, universal (= católica), no controle mundial. Falar do que ela tem feito iria nos tomar meses, para o assunto ser tratado adequadamente.. Limitado a este sermão, a fim de oferecer apenas algumas linhas principais, afirmo que minha opinião é verdadeira. Portanto, vou dividir o sermão em três títulos principais:

I - Idolatria e Superstição - Este primeiro título mostra como a ICAR tem sido culpada pela introdução da idolatria e da superstição. Ora, não existe coisa alguma mais condenada na Escritura do que a “idolatria”. Não devemos fabricar ídolos. A ICAR ensina o seu povo a adorar os ídolos. Este se prostra diante de todo tipo de imagens. Quem já visitou uma das grandes catedrais, deve ter visto pessoas fazendo isso. Na Catedral dedicada ao Apóstolo Pedro, em Roma, existe uma estátua de Pedro e, quem observar a mesma, poderá verificar que os artelhos do “santo” estão lisos e gastos. Porque as pobres vítimas do engodo católico têm ali passado, beijando esses artelhos. As pessoas se ajoelham com reverência e adoram imagens e relíquias. Elas afirmam possuir relíquias dos santos, como pedacinhos de ossos, e outras coisas por eles usadas, colocando-os em lugares especiais e os adorando, ajoelhadas. Isto é nada mais do que uma chocante idolatria. Nada disso é encontrado nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento.

II. - A ICAR se coloca entre a alma e Jesus Cristo - A segunda grande acusação contra a ICAR é que ela se coloca entre o homem e o Senhor Jesus Cristo. Tem sido esta a acusação mais terrível, durante todos estes anos. Ela afirma que é essencial para a salvação. Ela diz que: “Fora da Igreja não há salvação”. Ela afirma ser absolutamente indispensável. Colocando-se entre a alma e o Senhor Jesus Cristo, ela exige esta posição para si mesma. Não podemos encontrar este ensino no NT, mas ele existe na ICAR. Ela afirma que somente ela sabe o que é a verdade, e que somente ela pode interpretá-la.

Ao contrário de tudo isso, o Protestantismo (conforme a Bíblia) ensina o sacerdócio universal dos crentes e o direito de cada cristão ler sozinho a Bíblia e entendê-la, sob a iluminação do Espírito Santo. Roma nega tudo isto, absolutamente, afirmando que ela, e somente ela, pode entender e interpretar a Escritura, a fim de nos dizer no que devemos acreditar.

II.1 - Acréscimos à Escritura - A ICAR diz isto, em parte, porque afirma que tem recebido uma “revelação contínua”. Ela não acredita, como os protestantes (e conforme afirmam as Escrituras), que toda a revelação foi encerrada com o que temos no Novo Testamento. Por isso, ela não hesita em afirmar que recebe a revelação contínua, a fim de fazer acréscimos à verdade da Escritura. Mesmo afirmando que a Bíblia é a Palavra de Deus, a ICAR usa a Tradição ... Ela usa a Tradição para fazer acréscimos, dando à mesma uma autoridade igual à da Escritura Sagrada. Esses acréscimos até mesmo chegam a negar o ensino bíblico e, desse modo, ela usa a sutileza. Ela age assim e em seguida exige lealdade total dos seus membros, afirmando que pode governá-los naquilo em que eles crêem. Ela também garante que é responsável pelas suas almas e pela salvação das mesmas. A ela, devem se submeter os seus membros, do mesmo modo como faziam os seguidores do Comunismo e de Hitler, em seus regimes totalitários. Considerando-se suprema, a ICAR se coloca entre os homens e o Senhor Jesus Cristo.

II.2 - O Papado - A segunda manifestação desse tipo de totalitarismo é o papa, com tudo que ele ensina. A ICAR afirma que o papa é o “Vigário de Cristo”, o descendente espiritual do Apóstolo Pedro. Isto ela chama “Sucessão Apostólica”, com toda a autoridade do Apóstolo Pedro. Ora, não quero questionar a posição que ela atribui ao próprio Pedro, mas a sua afirmação de que ela chama o papa de “O Santo Padre”, embora a Escritura ensine que não devemos chamar pessoa alguma de “pai”, pois o único Pai que existe é o que está no céu. A ICAR diz ainda que quando o papa fala “ex-catedra”, ele é infalível. Esta doutrina foi criada em 1870 e nela a ICAR exige que todos acreditem.

A partir daí, conforme foi definido, os seus pronunciamentos são considerados infalíveis, tão infalíveis como os do próprio Deus e do próprio Jesus Cristo. O papa é adorado pelas pessoas, as quais se ajoelham diante dele, expressando uma adoração, que somente deve ser dirigida ao Deus Todo-Poderoso. O papa incorre na citação do Apóstolo Paulo, feita na 2 Tessalonicenses, pois se assenta “como Deus”, no trono de Roma.

II.3 - O Sacerdócio - A terceira manifestação encontrada é a do sacerdócio católico. Os sacerdotes (padres) da ICAR são pessoas muito especiais. Ela não acredita no sacerdócio universal dos crentes e as únicas pessoas que ela considera como sacerdotes são os homens que ela mesma treinou e ordenou, os quais recebem uma parte de sua autoridade proveniente da “Sucessão Apostólica”. Na 1 Pedro 2:9, lemos: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. Mas, Roma diz: “Não, vocês são o laicato e somente os nossos padres é que são sacerdotes”.

Em seguida, ela atribui a estes sacerdotes o poder de operar milagres. Aqui temos um assunto muito central e crucial. A ICAR afirma que o sacerdote pode transformar a água do batismo, de modo que a graça nela penetre. Ela diz que o sacerdote pode operar o milagre da Transubstanciação, ou seja, transformar o pão e o vinho no corpo, sangue, alma e divindade do Senhor Jesus Cristo. Desse modo, ela diz, o pão já não é pão, após ter sido operado pelo sacerdote.

Os Sacramentos - Isto nos conduz a toda a doutrina dos sacramentos e vou me referir particularmente ao Batismo e à Ceia do Senhor, nos quais a ICAR não hesita em afirmar que se operam milagres. Ela diz que estes milagres, tendo sido operados por um sacerdote, agora a água, o pão e o vinho estão carregados da graça de Deus, de um modo especial e, portanto, operam, mais ou menos, automaticamente. Ela diz que eles operam “ex-operato”. Em outras palavras, a água já não é água, após ter sido carregada com a graça, e ser colocada sobre a cabeça da criança. E com o pão e vinho acontece o mesmo. Curioso é que somente o sacerdote toma o vinho. Ao fiel é dada apenas a obreia (hóstia), como se ele estivesse recebendo o corpo de Cristo.

Confissão – Esta é mais uma total manifestação da sutileza da ICAR, das “astutas ciladas do diabo”. Nada existe no NT sobre a confissão auricular, que é mais um dos acréscimos da ICAR. O sacerdote é o único a quem, segundo a Igreja, os fiéis devem confessar os pecados, pois ele tem o poder de dar a absolvição dos mesmos e libertar o pecador do peso da culpa. Ninguém mais pode fazer isso, a não ser o sacerdote, a quem a ICAR delega tal poder.

Assim, as pessoas são ensinadas a se confessarem, mesmo não existindo na Escritura uma palavra sequer sobre o assunto. Na Bíblia, aprendemos o dever de confessar nossos pecados a Deus e também uns aos outros, mas nunca a um sacerdote. Estou mostrando as seduções, pelas quais este sistema religioso se coloca entre o homem e o Senhor Jesus Cristo. Nós, os cristãos, devemos ir a Ele para confessar os nossos pecados e mostrar arrependimento.

II.4 - O culto a Maria - Aqui temos a quarta manifestação e esta é uma das mais alarmantes de todas. O culto à “Virgem Maria”, no Catolicismo Romano, tem aumentado, rapidamente. O que a ICAR ensina? Que Maria é a Rainha dos Céus, sendo a primeira pessoa a quem devemos nos dirigir em oração. Em muitas de suas igrejas, vamos descobrir que Maria é mais importante do que o Senhor Jesus, o Qual fica praticamente escondido por trás dela, numa posição de retaguarda. E por que? A ICAR explica que, sendo Maria humana, ela é mais amorosa e terna do que Jesus, que é autoritário demais e durão. Este é o ensino da ICAR, a fim de respaldar o culto a Maria, pois ela diz que sendo Maria tão amorosa, não precisamos ir diretamente ao Filho, visto que Ele concede à Sua Mãe tudo que ela Lhe pede. Daí porque deveríamos ir a Maria, implorando o seu favor. Ela é a “mediadora” entre nós e o Filho de Deus, o Salvador de nossas almas. A ICAR tem aumentado cada vez mais o poder de Maria, desde 1854, com o dogma da Imaculada Conceição. Este dogma, ao que tantos pensam, não trata do nascimento virginal de Jesus, mas afirma que Maria nasceu imaculada. Mais tarde, foi publicado o dogma da Assunção de Maria, afirmando que ela morreu, como todos nós, e foi sepultada; mas, em seguida, foi levada ao céu, exatamente como aconteceu com o seu Filho. Assim, a ICAR enaltece Maria, tornando-a por demais importante, de tal modo que o poder do Senhor Jesus Cristo fica ofuscado pelo poder dela.

II-5 - Os santos - Finalmente, vamos mencionar os “santos” acrescentados pela ICAR. O povo é ensinado a orar aos santos católicos. Como isso pode acontecer? Eles acreditam no perfeccionismo nesta vida e dizem que alguns “santos” viveram vidas tão perfeitas que conseguiram méritos demais e que podem liberá-los a quem precisar da superabundância dos mesmos. . Diz a ICAR que: todos nós, pecadores falhos, podemos ir aos santos, em oração, a fim de pedir que eles nos liberem uma certa parcela dos méritos que conseguiram amealhar, abundantemente. Que os santos poderiam interceder por nós e compartilhar os seus méritos conosco. Por isso, temos a adoração aos santos, oramos aos santos e vivemos sob a dependência deles. Desse modo, nossas carências poderiam ser suplementadas.

Coloquei apenas cinco dos principais meios, pelos quais todo o sistema da instituição católica se coloca entre o crente e o Senhor Jesus Cristo. Lembrem-se que tudo isso é feito por pessoas que acreditam na Encarnação de Cristo no seio de Maria, e, mesmo assim, são vencidas pelas “astutas ciladas do diabo”. Por um lado, a ICAR afirma muito do que é correto, enquanto, por outro lado, ensina tudo que é errado.

III - Justificação - Esta é a maneira pela qual a ICAR não apenas rouba a posição do Senhor, mas Lhe restringe a glória, a perfeição e a totalidade da grande salvação que Ele nos dá. O primeiro exemplo disso se refere à justificação pela fé. Conforme dizia Lutero, “esta é a diferença entre uma igreja firme e uma igreja decaída” e aqui reside toda a glória do Protestantismo, o que o trouxe à existência. Às vezes me pergunto se muitos protestantes sabem disso. Será que sabem? Não é de admirar que o Catolicismo Romano esteja crescendo, visto como a maioria dos protestantes desconhece o que significa a Justificação. Enquanto os protestantes acham que basta viver uma boa vida, o Catolicismo Romano vai avançando com sucesso, invadindo países e nações.

A ICAR ensina que as boas obras podem ser praticadas pelo homem pecador, contribuindo para sua justificação... Mas a Bíblia diz: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10), “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:23-24). Em Isaías 64:6, lemos: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam”. Isso mostra que nossas boas obras nada valem diante de Deus para que sejamos por elas justificados. Mais sério ainda é a ICAR ensinar que o batismo traz a justificação, que nossos pecados são perdoados e que ele nos infunde justiça. Mesmo sendo um bebê inconsciente, não importa, pois no batismo ele é justificado do pecado original, segundo a ICAR. Ela diz que não se trata aqui da justiça de Cristo, mas de uma justificação que Deus concede através do batismo e que os que são batizados são vistos como justos diante dos olhos de Deus. A ICAR denuncia como heresia o ensino protestante da justificação exclusivamente pela fé em Jesus Cristo.

O seu ensino torna o homem dependente da Igreja, pois toda a obra da salvação deve ser operada pelo sacerdote, através do batismo e da obediência à ICAR. Isto torna o sacerdote absolutamente essencial e, sem este, o fiel fica desprotegido; portanto, ele precisa continuar ligado à ICAR e ao sacerdote. Segundo este ensino, não existe uma comunicação direta do homem com Deus, sem o concurso destes intermediários. Enquanto isso, a Bíblia diz, na 1 Timóteo 2:5: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”. Já na ICAR, os mediadores são: Maria, o papa, os sacerdotes, os santos e toda a hierarquia, com as suas determinações. Como vemos, sobre a justificação, a ICAR ensina mais uma de suas tantas mentiras.

A Vida Cristã - Na ICAR, a ênfase não é sobre uma vida piedosa, mas de observância às cerimônias e ritos da Igreja. Desse modo, ninguém precisa se esforçar para ter uma vida santa, nem para entender os ensinos do Novo Testamento sobre a santificação do crente, mas as pessoas devem assistir à celebração da missa e se confessar com um sacerdote. Cumprindo essas obrigações, o fiel pode fazer o que bem desejar. Depois ele vai à missa e confessa os pecados ao sacerdote, a fim de receber o perdão. Assim, falha a responsabilidade do esforço por uma vida de santidade, ficando apenas a obrigação de cumprir as exigências da Igreja. O cristão deve assistir às cerimônias e fazer confissão dos pecados, ficando coberto, como se vivesse uma vida correta, e assim por diante...

Negando a Garantia da Salvação - A ICAR nega totalmente a garantia da salvação eterna através da fé em Jesus Cristo. Em Romanos 8:1 e 16, lemos:

“PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito...”. “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. Esta é uma declaração maravilhosa, negada pela ICAR, a qual ensina que não existe certeza alguma de salvação, nesta vida.

Qual seria a lógica deste argumento? É que o sistema católico é tão demoníaco que somente o diabo poderia tê-lo concebido com tanto engenho. Ele funciona assim: No batismo, o pecado original é cancelado e o católico se torna justificado diante de Deus. Mas, quanto aos pecados futuros?

A Bíblia ensina que “O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado”: dos presentes, passados e futuros. (1 João 1:7). Contudo, Roma prega diferente. Os pecados cometidos depois do batismo devem ser confessados ao sacerdote, pois somente este poderá perdoá-los. Mesmo assim, nem mesmo o sacerdote poderá nos livrar de purgá-los, depois da morte. Além do sacramento da penitência, nós ainda precisamos praticar boas obras, enquanto estivermos vivos. Depois da morte, a ICAR inventou um lugar chamado Purgatório, para onde ela envia os membros, para que ali estes possam pagar a pena dos pecados já confessados, porém ainda não purgados na Terra.

Já no Purgatório, nossos parentes precisam mandar celebrar muitas missas, usar muitas velas e pagar boas somas de dinheiro, a fim de abreviar o nosso tempo no Purgatório. Quando mais for pago à ICAR, mais depressa a alma vai sair do Purgatório. Com dinheiro, os parentes compram as chamadas “indulgências”, as orações pelos mortos e tudo que se puder comprar em matéria de salvação. Nada disso é visto na Bíblia. Trata-se de uma “revelação adicional” recebida pela ICAR.

A ICAR afirma que a obra de Cristo é insuficiente e precisa de suplemento. Será que estou indo longe demais, quando digo que isto é apostasia?

Tremendas Consequências - Qual o resultado de tudo isso? Seus membros são mantidos na ignorância e caem na superstição. Aqui existe um tipo de vida que é conhecido como “domingo continental”. Isso quer dizer que se o fiel foi assistir à missa, ele pode fazer o que bem quiser, pelo restante do dia. O dia fica igual aos demais em matéria de esporte e prazer. Ninguém se dá conta disso. Fazendo tudo que a ICAR ordena, ela garante estar velando pelas almas dos seus membros. Isso dá ensejo a uma perseguição a quem segue o verdadeiro caminho, conforme o crescimento do sistema católico. No passado, a ICAR derramou o sangue dos mártires e continuará fazendo isso, onde e quando lhe for permitido fazê-lo.

Será que não temos perdido muito tempo? Deveríamos nos unir como cristãos, conforme temos feito em relação ao Comunismo. Para mim, o sistema católico é mais perigoso do que o Comunismo, por ser um engodo praticado em o Nome de Cristo. A ICAR é a “grande prostituta que está assentada sobre muitas águas; com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição” (Apocalipse 17:1-2). Enquanto isso, o Comunismo pode ser detectado como um sistema ateu, ímpio, o qual logo é combatido pelos cristãos.

Os Reformadores Protestantes - Os reformadores protestantes não eram apenas fanáticos religiosos, nem tolos. Eles tinham os olhos abertos pelo Espírito Santo. Foi o que aconteceu com Lutero, Calvino, Knox e todos eles. Eles observaram a horrenda monstruosidade descrita na Bíblia e preferiram encarar o risco de perderem suas vidas, levantando-se para protestar contra a ICAR. Mostraram que ela é falsa, confirmaram a justificação do pecador pela fé em Cristo e a supremacia das Escrituras Sagradas. Prontificaram-se a morrer defendendo estas verdades e alguns deles morreram.

Quem agora se alegra com as propostas de Roma está renegando o sangue dos mártires. Eles foram queimados nas estacas porque denunciaram os erros do Catolicismo Romano. Vocês vão renegá-los, vão dar-lhes as costas, dizendo que eles estavam errados? Cuidado, para não serem iludidos pelos falsos argumentos da ICAR!

Roma Nunca Muda - O Problema tem-se tornado sério, por causa do rádio e da TV. Os homens (católicos) vivem aparecendo como pessoas polidas, elegantes, gentis e conciliáveis. Até parecem ser pessoas melhores do que o nosso povo, conforme dizem os tolos e ignorantes protestantes, prontos a engolir a isca da ICAR.

Ora, vocês argumentam: “Mas, a ICAR não mudou? O senhor está olhando somente para o passado, para o século 16, sem perceber que já estamos no século 20!” Minha resposta simples é que a arrogante organização chamada ICAR jamais vai mudar. “Roma é sempre a mesma”; então como poderia mudar? Se ela mudasse, estaria admitindo que esteve errada no passado; ela, que sempre tem afirmado ser infalível, que o papa é o Vigário de Cristo e, portanto, não pode errar. Ela continuará sendo a mesma de sempre e se mudar em alguma coisa, deve ser para PIOR. Aliás, já o tem feito, acrescentando coisas novas aos seus ensinos, numa Contra Reforma Protestante, a partir do Concílio de Trento (Século 16), a Infalibilidade Papal (Século 19) e outros engodos.

Quando acontecer a formação de uma grande religião mundial, provavelmente a ICAR já terá absorvido as demais, por causa do seu engodo e ignorância bíblica dos protestantes. Esta será uma forma de prostituição da pior espécie das chamadas igrejas evangélicas. A ICAR é uma representação do Anticristo e assim devemos denunciá-la.

Só existe uma coisa que poderá deter o avanço da ICAR no mundo: a pregação do Evangelho Bíblico. Um Cristianismo que se limita a pregar: “Venha para Cristo” ou “Venha para Jesus”, não pode enfrentar os engodos de Roma. Certos pastores, que andam fazendo campanhas evangelísticas, costumam aconselhar: “Vocês, católicos romanos, voltem às suas igrejas” [N. T. - Aqui o autor se refere literalmente a Billy Graham]. Eles estão negando os ensinos do Novo Testamento e precisam de advertência. Somente com a Armadura de Deus, com a verdade do Novo Testamento, poderemos enfrentar Roma. Foi o que aconteceu no Século 16. Lutero não era apenas um superevangelista; ele era também um grande teólogo, assim como Calvino e os outros. Foi o poderoso sistema da Verdade, que liberta do erro doutrinário, que abalou as bases da ICAR, quando o verdadeiro Evangelho foi apresentado ao mundo. Somente este Evangelho legítimo é adequado para a situação atual. Povo cristão, nossa responsabilidade é tremenda! Precisamos conhecer e compreender a verdade, a fim de podermos enfrentar os falsos ensinos. Muitas pessoas inocentes estão sendo enganadas pela falsidade da ICAR e nossa obrigação é abrir-lhes os olhos e apresentar-lhes a verdade.

Lendo e praticando os ensinos da Palavra de Deus, o Espírito Santo vai nos ajudar, dando-nos o conhecimento da verdade, a fim de podermos lutar contra os engodos de Roma.

Que Deus nos dê uma perfeita compreensão dos tempos trabalhosos em que estamos vivendo e nos faça despertar, antes que seja tarde demais! ****************************************************************

[N.T. - E assim, por causa da indiferença dos britânicos, governados por uma Rainha e um parlamento política e religiosamente negligentes, a ICAR se aboletou, comodamente, no país, o qual se tornou um dos mais corrompidos da União Européia, confirmando o que o Apóstolo Pedro diz, na 1 Pedro 4:17 e na 2 Pedro 2:20: “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?” ... “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro”. (Grifo da Tradutora).

Atualmente, os pregadores andam se envolvendo com a chamada “Teologia da Fé/Prosperidade”, com a “Espiritualidade Contemplativa” e com o chamado “Teísmo Aberto” e outros desvios doutrinários, os quais estão conduzindo os protestantes e evangélicos a uma união com a ICAR, preparando o palco para a chegada do Anticristo.]

“The Roman Catholic Church” - Um sermão de D. Martin Lloyd-Jones, pregado em Westminster Chapel, Londres, em Maio de 1963.

Tradição livre e comentários de Mary Schultze, em 08/02/2010. especialmente a pedido do editor deste Blog

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

AVATAR E A VNDOURA RELIGIÃO MUNDIAL ÚNICA por Joe Schimmel


O filme Avatar*, de James Cameron, é um fascinante e arrebatador sucesso nos cinemas. Seus efeitos especiais são tão tremendos que transportam a audiência vividamente para um outro mundo, no qual adorar uma árvore e ter comunhão com espíritos não são apenas aceitáveis, mas atraentes. Avatar é também marcadamente panteísta e essencialmente o evangelho segundo James Cameron. Esse tema panteísta, que iguala Deus às forças e leis do Universo, é apresentado claramente pelos heróis e heroínas do filme: todos adoram Eywa, a deusa “Mãe de Tudo”, que é descrita como “uma rede de energia” que “flui através de todas as coisas viventes”.


Sobretudo, o filme é repleto de mágica ritualística, comunhão com espíritos, xamanismo, e descarada idolatria, de forma que condiciona os espectadores a acreditarem nessas mentiras do ocultismo pagão. Além disso, a platéia é levada a simpatizar com o Avatar e termina torcendo por ele quando é iniciado nos rituais pagãos. No final, até mesmo a cientista-chefe torna-se pagã, proclamando que está “com Eywa, ela é real” e que ficará com Eywa após sua morte.

Enquanto a representação fictícia de James Cameron a respeito da religião da natureza presta-se muito bem à mentira da Nova Era de que as religiões dos nativos americanos [indígenas] eram favoráveis à vida e inofensivas, a representação dos sacerdotes maias em Apocalypto (de Mel Gibson), devedores de divindades sedentas por sangue, que exigiam o sangue de suas vítimas sacrificiais, estava muito mais perto da verdade. A maneira adocicada e romântica com que James Cameron mostra os selvagens e os antigos cultos à natureza em Avatar é oposta aos fatos encontrados em antigos códices e achados arqueológicos: estes revelam que os astecas, os maias e os incas estavam todos envolvidos em sacrifícios humanos em massa, inclusive tomando a vida de criancinhas inocentes para apaziguar seus deuses demoníacos.


O tema panteísta, que iguala Deus às forças e leis do Universo, é apresentado claramente pelos heróis e heroínas De Avatar: todos adoram Eywa, a deusa “Mãe de Tudo”, que é descrita como “uma rede de energia” que “flui através de Todas as coisas viventes”.

Conhecendo o histórico das obras de James Cameron em atacar o cristianismo, e especialmente a ressurreição de Cristo no documentário absolutamente desacreditado The Lost Tomb of Jesus [exibido no Brasil como “O Sepulcro Esquecido de Jesus” e lançado em DVD como “O Sepulcro Secreto de Jesus”], não deveria nos surpreender que ele escrevesse e dirigisse uma propaganda de 300 milhões de dólares para promover o culto à natureza e aos espíritos.

Claramente, Hollywood tem tido uma influência persistente em arrancar os EUA [e o Ocidente] de suas raízes cristãs conservadoras e levá-los a crenças e práticas do ocultismo da Nova Era. O panteísmo atrai a turma de Hollywood porque ensina que todos somos Deus e que não precisamos nos preocupar em sermos obedientes ou em prestarmos conta diante de um Deus pessoal que criou o Universo. Entretanto, não são apenas os diretores [de cinema] que rejeitam a Cristo que estão buscando fazer com que o mundo abrace a adoração à Terra sob a máscara de sua imaginária Deusa-Mãe Terra; é também o próprio líder do movimento do aquecimento global, Al Gore.


Em seu livro Earth in the Balance, Gore sugere que voltemos à adoração da natureza e eleva várias seitas de adoradores da natureza e religiões dos nativos americanos ao status de modelo para nós:

Essa perspectiva religiosa pan** poderá mostrar-se especialmente importante no que se refere à nossa responsabilidade pela terra como civilização global. (...) As religiões dos nativos americanos, por exemplo, oferecem um rico conjunto de idéias sobre nosso relacionamento com a terra. (...) Todas as coisas estão interligadas como o sangue que nos une a todos.[1]
Não são apenas os diretores [de cinema] que rejeitam a Cristo que estão buscando fazer com que o mundo abrace a adoração à terra sob a máscara de sua imaginária deusa-mãe terra; É também o próprio líder do movimento do aquecimento global, Al Gore [ex-vice-presidente dos EUA].

Gore prossegue declarando que precisamos encontrar uma nova religião baseada na natureza e cita Teilhard de Chardin, o teólogo da Nova Era, em apoio à “nova fé” do futuro:

Esse ponto foi sustentado pelo teólogo católico Teilhard de Chardin, quando ele disse: “O destino da humanidade, assim como o da religião, depende do surgimento de uma nova fé no futuro”. Munidos de tal fé, poderemos achar possível ressantificar a terra.[4]

Com os diretores de vanguarda de Hollywood e as figuras políticas de Washington na liderança, os EUA [e o Ocidente] estão rapidamente voltando ao paganismo que envolveu o mundo em trevas espirituais durante milênios. Que Deus nos ajude a prestar mais atenção à admoestação do apóstolo Paulo, encontrada nas Sagradas Escrituras. Ele nos ensinou que a adoração à natureza nos tempos da Antigüidade era resultado do afastamento da adoração ao único e verdadeiro Deus que, para começar, foi quem criou a natureza:

“Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém” (Rm 1.21-25). (Joe Schimmel – http://www.goodfight.org/ - http://www.chamada.com.br/)

* Segundo o hinduísmo, avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal. Deriva do sânscrito Avatara, que significa “descida”, normalmente denotando uma encarnação de Vishnu (tais como Krishna), que muitos hinduístas reverenciam como divindade. Por extensão, muitos não-hindus usam o termo para denotar as encarnações de divindades em outras religiões.

** Pan: palavra de origem grega que significa “tudo, todas as coisas”.

Notas:

Al Gore, Earth in the Balance – Ecology and the Human Spirit [A Terra em Equilíbrio – A Ecologia e o Espírito Humano], 1992, p. 258-259).

Ibid. p. 161.

Ibid. p. 260.

Ibid. p. 263.

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, março de 2010

http://www.chamada.com.br/mensagens/avatar_religiao.html

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O QUE TODO CRISTÃO DEVERIA SABER SOBRE O IOGA por Dr. George Alexander

Dr. George Alexander, Ph.D., é professor associado e diretor do Departamento de Missões e Ministérios Trans-Culturais da Universidade Biola. Ele foi criado na Índia, onde a ioga se originou.


A Ioga é uma das mais novas modas. Médicos, políticos e atores louvam seus benefícios para a saúde, e classes de ioga são oferecidas em academias, escolas e até mesmo em algumas igrejas.


O que é a ioga?
A maioria dos ocidentais acha que a ioga nada mais é do que um jeito exótico de se manter um corpo bonito, mas ela é na verdade mais do que isso.
Ioga é uma prática hindu que almeja alcançar a libertação da pessoa e a sua união com o Brahman (Realidade Definitiva) através de intensa concentração, profunda meditação, e determinadas posturas.
A palavra “ioga” significa união com Deus. Ela é muito popular hoje em dia no Ocidente, junto com outros elementos da Nova Era. A maioria das pessoas não sabe disso.

Como se comparam os ensinamentos da ioga com a Bíblia?

Um dos princípios fundamentais do hinduísmo é o panteísmo – a crença de que a humanidade é uma extensão de Deus. A prática da ioga almeja o seu eventual entendimento de que você é Deus.

Mas, de acordo com a Bíblia, Deus é o criador, e os seres humanos são as criaturas. A glória do Criador não pode ser dada à criatura. Ainda que a Bíblia diga que possamos estar pertos de Deus, ela não diz que podemos nos tornar Deus através da prática de disciplinas espirituais.

Alem disso, na filosofia do hinduísmo e da ioga, o conceito do pecado não existe, somente o da ignorância. Quando se é ignorante, não se precisa de salvação, mas do entendimento de que você é Deus.
O que deve lhe preocupar sobre a ioga?

As classes de ioga são muito enganosas. Quando você pede informações sobre elas, o instrutor (iogi) dirá que elas são boas para a circulação do sangue, reduzindo o stress e outras coisas.

Mas normalmente o iogi sabe muito mais do que ele lhe dirá no começo. Há diferentes níveis na ioga. O nível um é o básico. O iogi lhe pedirá para sentar na postura tradicional (com suas costas em posição vertical e mãos nas coxas), respirar profundamente, e relaxar.

No nível dois, eles podem lhe pedir para esvaziar sua mente e cantar o mantra (palavra mágica) “Om”. Essa é uma palavra de louvor ao deus hindu.

Nos níveis três e quatro, eles podem lhe pedir para assumir várias posições, como por exemplo, a de uma cobra. Há uma progressão contínua em cada nível. Os verdadeiros iogis têm um poder sobrenatural que recebem não de Jesus Cristo, mas de outra fonte.

Eu já os vi levitarem, serem enterrados vivos por dias, andarem sobre o fogo, e fazerem com que coisas se materializarem. Isso é consistente com a Bíblia, que ensina que Satanás pode operar milagres. Mas seu propósito final é destruir pessoas, e, como resultado, muitos iogis se tornam doentes mentais quando mais idosos.
Há problema se cristãos praticarem a ioga se não a associarem com o hinduísmo?

Primeiramente, eu diria que a forma física é muito importante e que nós glorificamos a Deus quando nossos corpos estão saudáveis. A Bíblia nos diz que nossos corpos são o templo de Deus.

Eu gosto de me esticar, respirar corretamente e freqüentar a academia. Como cristãos, podemos fazer quaisquer exercícios que desejarmos. Mas por que temos que praticar a ioga? Na minha opinião, as pessoas que praticam ioga estão abrindo portas para a opressão demoníaca, consciente ou inconscientemente. (Grifo do Prof. Luis Cavalcante)

Vários cristãos que praticavam ioga já me contaram que tiveram pesadelos e experiências demoníacas muito assustadoras. Sendo Ocidentais, e cristãos Ocidentais, muitas vezes nós somos ingênuos.

Nossa fascinação com a ioga tem crescido mais rápido do que nosso conhecimento sobre seus perigos. Minha pergunta para os cristãos que praticam a ioga é: “por que você se envolveria com uma filosofia religiosa que contradiz a fé cristã para fazer bem ao seu corpo?” (Grifo do LC)
Dr. George Alexander, Ph.D., é professor associado e diretor do Departamento de Missões e Ministérios Trans-Culturais da Universidade Biola. Ele foi criado na Índia, onde a ioga se originou.

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Fonte: AGIR BRASIL

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